quarta-feira, 2 de abril de 2025

Coral de Sophia de Mello Breyner

Ia e vinha 
E a cada coisa perguntava 
Que nome tinha.
in Coral - Obra Poética, Caminho, Novembro de 2003.

sábado, 29 de março de 2025

Dia de Aniversário do ARQUIPÉLAGO - Centro de Artes Contemporâneas

Trio André Rosinha 
18h00, na Blackbox do CAC
(Fotografia de Maria Bicker)
         "Ao longo destes 10 anos, o Arquipélago aprendeu a escutar e foi essa a fórmula de aproximação das pessoas se sentirem que este também é um local que podem habitar. Porque quando falamos de cultura, falamos de quem somos, de quem gostaríamos de ser, de onde pertencemos, de como queremos pertencer. E todos nós, sem excepção, queremos sabaer a que sociedade pertencemos. Mais do que isso, que sociedade queremos criar, como queremos estar uns com os outros." 
                 Helena Barros, in Açoriano Oriental, 28 de Março de 2025

quinta-feira, 27 de março de 2025

CAC - ARQUIPÉLAGO: 10 Anos!

         O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas – baluarte artístico e arquitectónico da cidade da Ribeira Grande - comemora este sábado, dia 29 de Março, dez anos de idade. Para abrilhantar a cerimónia há um concerto na blackbox do trio André Rosinha (Marcos Cavaleiro na bateria, João Paulo Esteves da Silva no piano e André Rosinha no contrabaixo), que irá apresentar o álbum “Raiz”, editado em Janeiro deste ano.
        Numa década de actividade, o espaço do CAC foi palco de muitas exposições e variados acontecimentos artísticos que marcaram a cultura insular. À memória salta logo a “Festa. Fúria. Femina. – Obras da Coleção FLAD”, ainda a retrospetiva da obra do pintor Urbano, “De Natura Maris”, ou o legado expositivo das obras de Maria José Cavaco com “Lugares de Fractura”, a poesia visual e gráfica de Ana Hatherly, através da colecção da FLAD, ou o sucesso da colectiva “Quatro Quatro”, exposição de 20 artistas a viver no território açoriano, num ciclo expositivo de 4 artistas X 5 momentos de exposição (cada 4 artistas convidavam 4 artistas para o momento seguinte). No que toca ao audiovisual, destaque-se as apresentações anuais de videoarte nas edições do “Fuso-Insular”, um evento que vai crescendo dada a sua  perspetiva divulgadora e formadora, sempre sob a supervisão de Rachel Korman. Quanto à programação de cinema na blackbox, por lá foram vistos essencialmente documentários - “Natureza Morta”  e “48”, de Susana de Sousa Dias, Aztrakan 79, de Catarina Mourão, “Lúcia e Conceição”, de Fernando Matos Silva, entre outros. Pena que o cinema ocupe uma função tão residual numa cidade sem programação de cinema contemporâneo, isto é, sem filmes em cartaz. No entanto, tem sido a música que tem pontuado mais aquele espaço, pois já foram muitos os músicos e projectos musicais que por ali passaram, tanto nacionais como internacionais. Recorde-se, assim, Marina Holper, Joana Gama e Luís Fernandes, que acturaram nas edições do Tremor, ou ainda os concertos dos açorianos: PS.Lucas, WE SEA, King John, PMDS, Engengroaldenga, Ângela da Ponte, Marianna, Sara Ross, Diana Botelho Vieira, Katerina L’dokova, Sara Cruz, Ana Paula Andrade, etc.
        O Arquipélago - CAC, ao longo destes dez anos, consolidou a sua centralidade e relevância junto da comunidade artística insular, essencialmente nas artes plásticas e na música, podendo ambicionar mais e melhor em áreas como o teatro ou o cinema, bem como potenciar expandir o seu raio de ação junto da comunidade local, apostando na formação de novos públicos e no provimento efetivo do seu serviço educativo. Por agora, ficam aqui os mais que merecidos parabéns!

Dia Mundial do Teatro no Teatro Micaelense

        Foram três representações de teatro escolar no Teatro Micaelense para  celebrar o Dia Mundial de Teatro. Durante duas horas circularam pelo palco os alunos das escolas secundárias Antero de Quental, Domingos Rebelo e da Escola Secundária de Lagoa. 
         A sessão começou com vários quadros da emigração micaelense, a inspiração foi a pintura "Os Emigrantes", de Domingos Rebelo, 1925, com os alunos da Antero de Quental a recriar situações de partida e procura de novos horizontes protagonizados por todos aqueles que um dia deixaram o território insular.Seguiram-se os telemóveis, seu uso e abuso, em modo ruidoso e aditivo, a possível reprodução dos seus efeitos e consequências na juventude hodierna, numa proposta dos alunos da Domingos Rebelo. Por último, a fantasia, sonho e poesia de Sophia de Melo Breyner, através do texto "A Menina do Mar", numa interpretação competente e segura pelo grupo "A Faísca", da Escola Secundária de Lagoa! Foi, sem qualquer dúvida, uma bela manhã de teatro a celebrar a arte de Talma.

Obrigado, José Brandão!

José Brandão
Designer 
1944-2025
 

quarta-feira, 26 de março de 2025

Os Pássaros Nascem na Ponta das Árvores

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo essa forma de dizer ao romancista
É complicada e não se dá bem na poesia
 
Não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo, in O Homem de Palavra(s), 1969

segunda-feira, 24 de março de 2025

domingo, 23 de março de 2025

O Limite de Elio Pecora

 Ficar aqui, nas estações que mudam,
é a norma comum: o dom extremo e a saída,
A quem galgou o limiar não é dado voltar:
talvez tão só no sonho diga palavras soltas
demasiado parecidas com estas dos nossos percursos.
E seguimos absortos, às vezes surpresos,
cada espera é um jogo,
cada dúvida o encalhar de uma deriva,
e damos números aos dias,
pés aos desejos,
confins ao vaguear
-desprovidos de mapas, desconhecendo o porto.


in Poemas Escolhidos, tradução de Simonneta Neto, Quasi Edições, 2008

Verso de Filipe Furtado

 E se houvesse amanhã era um sol mais lindo

sábado, 22 de março de 2025

...

Mais do que uma vez 
atravessei a Primavera 
com os olhos fechados 

Jorge Sousa Braga, in O Poeta Nu (Poesia Reunida) Assírio&Alvim,2007

No Meu País de Sebastião Alba

No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
só há estâncias
(de veraneio) na poesia
Nossos lábios
a um metro e setenta e tal
do chão amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio
Nossos lábios outonais, digo,
outonais doze meses
No entanto
à flor do possível
geografia
um frémito cinde
as estações do ano

A Constante Cosmológica do Amor

 A flor que pela Primavera se abre para logo fenecer 
o olho múltiplo da mosca pousado nas tripas
do soldado escentrado por uma mina
a estrada que saindo de Azambuja passa em Vale do Paraíso
a fome do leão no pescoço da gazela
um berçário de estrelas na nebulosa de Andrómeda 
as juras dos namorados numa ponte de Paris 
o poema quase perfeito que escrevi num dia de sol
-tudo o que existe pelo amor de existir 
e une fenómenos com cauda de cometa
é da ordem dos segredos e pertence à classe do silêncio

Inútil procurar a fonte dessa evidência numa metáfora

Paulo Ramalho, in Órbitas Elípticas em Torno do Silêncio, Letras Lavadas, 2024.