"Vão-se todos embora, ficamos
nós", ouvi tantas vezes da boca
daquelas pessoas que habitavam aquele território, com um sorriso duro, franco e
aberto. Ali era o interior profundo, lugar de nuvens carregadas, cor de farda,
na paisagem duradoura do Inverno, ainda a serenidade e a melancolia na ausência
de palavras durante a Primavera. Eram, no entanto, planícies e searas que se
erguiam roliças na lonjura e secura do verão, compondo este meu retrato de uma permanência
duas décadas depois. Nunca mais lá voltei. Avancei, sem pestanejar perante a
força do granito, somente a saudade e a promessa de um retorno.
Ali ficava também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar.
Ali ficava também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar.
Duas décadas depois, apetecia tanto lá
voltar!






