A imigração é, cada vez mais, um fenómeno que tem impacto em diversas dimensões dimensões da nossa sociedade e da organização do Estado no modelo económico e no mercado de trabalho, na organização do Estado social, na coesão e na diversidade cultural, nos debates sobre a identidade nacional e no funcionamento da democracia. O modo como Portugal tem vindo a lidar com os fluxos migratórios - oriundos de contextos tão diversos como o Brasil, PALOP, a Europa de Leste ou a Ásia - revela, simultaneamente, uma atitude de abertura e de esforço de inclusão, mas também um conjunto de limitações na integração que importa não escamotear.
A crescente diversidade dos países de origem é um dos grandes desafios. Segundo o último relatório da AIMA que disponibiliza esta informação, que é de 2024 e contém os dados relativos a 2023, os nacionais do Brasil são, destacadamente, os mais representados: 368 449, o que corresponde a 35,3%. Seguem-se os de Angola, 55 589 (5,3%); Cabo Verde, 48 885 (4,7%); Reino Unido, 47 409 (4,5%) e Índia, 44 051 (4,2%). Mas note-se que, quando se olha para os números agregados por continente, sobressai o aumento significativo de nacionais oriundos da Ásia: de 123 875 em 2022 para 165 430 em 2023, ou seja, mais 33,5.
Importa também sublinhar o contributo significativo que a imigração tem dado para o crescimento da população residente em Portugal nos últimos anos. Face a saldos naturais negativos, em consequência do decréscimo da natalidade, têm sido os saldos positivos a assegurar o crescimento efetivo da população residente, o que permitiu inverter a linha de declínio. Em 2024, o saldo natural foi de - 33732 e o saldo migratório foi de 143 641, o que resultou no crescimento da população residente em Portugal para 10 749 635 pessoas. Este saldo reflete-se também na forma positiva no contributo para a Segurança Social: o número de imigrantes a realizar descontos para a Segurança Social quadruplicou, passando de 244 773 para 1 036 290 entre 2017 e 2024.
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
sábado, 4 de abril de 2026
Da Imigração
Nuno Sampaio, in "Imigração e Contrato Social" Livros leves. Opiniões de peso. (15 anos da Fundação). Edição Fundação Francisco Manuel dos Santos.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
A Voz de Hind Rajab: Alta Tensão
Kauother Ben Hania, cineasta tunisina, realizou este filme em torno de uma gravação de setenta minutos de uma criança palestiniana que, após fuga e disparos sobre a sua família numa viatura, no norte de Gaza, apela à ajuda dos elementos do Crescente Vermelho Palestiniano, em Ramallah. Assistimos, assim, à possível reprodução dos momentos finais da sua existência e à tentativa da equipa de socorristas, via telefone, em mantê-la viva. Um documento cinematográfico que vale pela pertinência de nos mostrar o horror e o absurdo da guerra num território massacrado por histórias de dor e sofrimento. A alta tensão, no entanto, por lá continua!
segunda-feira, 30 de março de 2026
Douta identidade na continuidade
O olhar na esparsa nuvem
de romeiros,
cai na montra da frutaria,
vencedora de concursos,
expondo o burro e a sua fruta.
Olhar fixo, leio:
- "TÁ AÍ, MAS AGE".
Age?
Age, mantém a identidade:
- O elogio e apalpação da fruta.
cai na montra da frutaria,
vencedora de concursos,
expondo o burro e a sua fruta.
Olhar fixo, leio:
- "TÁ AÍ, MAS AGE".
Age?
Age, mantém a identidade:
- O elogio e apalpação da fruta.
Jorge Kol de Carvalho
segunda-feira, 23 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
Sexta-feira de Rui Duarte Rodrigues
Novela
policial
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
porque
é sexta-feira
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
nevoeiro
na cidade
porque é sexta-feira
na
vida
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
porque é sexta-feira
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial
porque
é sexta-feira
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you are
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you are
(Konitz/Mulligan)
in "Com Segredos e Silêncios", 1994.
quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
Márcio Vilela: Previsão de Deriva
![]() |
| Previsão de Deriva no Arquipélago - CAC https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
O artista visual esteve à deriva 56 horas numa balsa salva-vidas a 7 milhas da costa, ainda que monitorizado pela marinha, pela Autoridade Marítima Nacional (AMN) e pelo Comando da Zona Marítima dos Açores -Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC).
Desta feita, “Previsão de Deriva” incita à reflexão, um apelo à imaginação e ao mergulho existencial, pois tal como escreve José Maçãs de Carvalho no texto de apresentação: “Estar à deriva é estar entre a imprevisibilidade e a liberdade absoluta, num lugar fora. Fora de controlo e do conforto num teste à capacidade de enfrentar aquilo que nos é estranhamente familiar”.
Esta exposição, patente no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas até ao dia 14 de Junho, é uma proposta da Curadoria de Artes Visuais de Ponta Delgada 2026, Capital da Cultura. Atentemos, pois, às belíssimas imagens deste oceano atlântico e mar largo que temos pela frente.
terça-feira, 17 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
24 Frames: O Adeus às Imagens
Abbas Kiarostami despediu-se do cinema há dez anos e durante a sua existência foi também um apaixonado pela pintura.
Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.
Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.
sábado, 14 de março de 2026
Teresa Pereira: Fitas do Devir
![]() |
| Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas Sábado, dia 14, 16 horas. Daqui: https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
sexta-feira, 13 de março de 2026
Ante - Primavera de Gastão Cruz
Antes de Maio quando florirá
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá
há-de o poema dizer que não há sal
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá
há-de o poema dizer que não há sal
que para sempre salgue a terra Já
terá a Primavera virtual
nascido em folhas novas Haverá
pássaros que regressam ao beiral
abandonado como nos dizia
nos livros de leitura aprisionada
em tempos de incerta poesia
Antes que a roxa flor cubra a entrada
do verão sob a luz do meio-dia
dá folhas o arbusto na estrada
in "Os Poemas", Assírio&Alvim, 2009.
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