domingo, 15 de março de 2026

24 Frames: O Adeus às Imagens

            Abbas Kiarostami despediu-se do cinema há dez anos e durante a sua existência foi também um apaixonado pela pintura. 
         Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
     O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Ante - Primavera de Gastão Cruz

Antes de Maio quando florirá 
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá 
há-de o poema dizer que não há sal

que para sempre salgue a terra Já
terá a Primavera virtual
nascido em folhas novas Haverá 
pássaros que regressam ao beiral

abandonado como nos dizia 
nos livros de leitura aprisionada
em tempos de incerta poesia 

Antes que a roxa flor cubra a entrada 
do verão sob a luz do meio-dia 
dá folhas o arbusto na estrada 

in "Os Poemas", Assírio&Alvim, 2009.

Ontem, escrito numa parede da cidade

 A primeira vez que ouvi morna chorei

quarta-feira, 11 de março de 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

Testemunha Poliglota


Português: Testemunha 
Castelhano: Testigo
Italiano: Testimonia 
Francês: Temoin 
Alemão: Zugge 
Inglês: Witness 
Polacoświadek
Sueco: Bevittna
Eslovaco: Svedok

IAC: Edição de Meu Poema é Isto

Meu Poema é Isto
de Rui Duarte Rodrigues
14 de Março, 18h30
Galeria do IAC


 

sábado, 7 de março de 2026

Poemas Pré-Primaveris de Naná da Ribeira

 Fole e Folia 

À mesma hora o mesmo dia
Afazer rotina calculada 
Foi-se o fole vaga folia 
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço 
Desfeito lance transcendência 
Respiro firme quase asfixia 
O sossego não redime só magoa
Em magna alegria por ferver 

Soro e Sopro

Sobrevive no eterno presente 
O alimento de vida mastigado
Anémonas cavadas flores do mar 
Curso de memórias trituradas 
Nativos extasiados entorpecidos 
Aquecem o balão bem lá no ar 
Neste sopro que viaja mais lento que 
a luz

sexta-feira, 6 de março de 2026

Acende de Thurston Moore

Chego acreditando na tua luz 
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente 
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui 
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade 
Acende o teu feixe de televisão 
Liga-te à noite do anjo 
Liga-te à noite do anjo 
Acende o sonho da rádio 
Acende a tua luz divina

in »Rock N Roll Consciência« - Letras, Tipografia Micaelense, Tradução de Sara Coutinho, Ponta Delgada, Açores, 100 exemplares.