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| La Razon: diário de Madrid. Tiragem: 41 mil exemplares. |
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
terça-feira, 3 de março de 2026
Sal e Pele de Naná da Ribeira
Previsível reunião de sal e pele
Avançou no estio à beira-mar
Guardadas distâncias só
vontades
Bocas gretadas no calor
a degustar
Céu lavado com árvores na amurada
Vaivém aflito de ondas a quebrar
Face e inquietude que
tudo absorve
No ribombar da espuma
interminável
Postal da Exposição no CAC
O que Permanece: Memória do Edifício
ARQUIPÉLAGO
ARQUIPÉLAGO
Centro de Artes Contemporâneas
Fevereiro- Dezembro, 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
Afonso Dorido: Catarse no Colégio!
Estamos
em 2026, Ponta Delgada é a Capital Nacional da Cultura e a Igreja do Colégio é
o palco escolhido para o músico Afonso Dorido, Homem em Catarse, apresentar o
seu trabalho que já leva uma década de projectos musicais.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Querida Bicicleta, não te chamarei velocípede
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| Samuel Becket Fotografia: Gisèle Freund |
Assim, levantei-me, ajustei as muletas e fui para a estrada, onde encontrei a minha bicicleta (olha, disso é que eu não estava mesmo à espera!) no mesmo sítio onde tinha sido obrigado a deixá-la. Isso permitiu-me comprovar que, embora estivesse todo estropiado, nessa altura ainda sentia um certo prazer em andar de bicicleta. Era assim que eu fazia: prendia as muletas, uma de cada lado, à barra superior do quadro; enganchava o pé da perna rígida (não me lembro de qual era, porque agora estou inválido das duas) na saliência do eixo da roda da frente e pedalava com a outra. Era uma bicicleta acatène, de roda livre, se é que isso existe. Querida bicicleta, não te chamarei de velocípede, estavas pintada de verde, como tantas outras bicicletas do teu género, nem sei porquê. Lembro-me muito bem dela. Terei todo o gosto em descrevê-la. Tinha um pequeno corne ou trompa em vez da campainha que agora está na moda. Accionar uma buzina destas era para mim um verdadeiro prazer, quase uma volúpia.
Samuel Beckett, in De Bicicleta, Antologia de Textos, Relógio D´Água, 2012.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Aforismo de Karmelo C. Iribaren
Preciso de uns sapatos novos urgentemente, os que tenho levam-me sempre aos mesmo sítios
Tradução livre
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
O que permanece: memória do edifício.
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| Centro de Artes Contemporâneas Ribeira Grande Fevereiro - Dezembro, 2026 |
Quem
assiste a esta exposição no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, para lá
do itinerário expositivo que nos é dado por Miguel Leal, depara-se com um programa
de televisão da RTP, gravado em 1978, intitulado “Tabaqueiros e Tabaqueiras”, realizado
pelo Centro Português de Cinema. É mais um documento histórico de grande relevância
gravado neste território em torno dos labores agrícolas aqui efectuados. Desta
feita, tratou de documentar os contextos laborais de jovens, rapazes e
raparigas, que contribuíram para a existência da indústria tabaqueira na Ilha
de São Miguel, mais concretamente na zona da Ribeira Grande.
“Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.
“Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Arte Poética III de Inês Lourenço
O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
in Um Quarto com Cidades ao Fundo (poesia reunida.1980-2000), Quasi Edições.
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