Sunday comes and Sunday goes
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
domingo, 8 de março de 2026
sábado, 7 de março de 2026
Poemas Pré-Primaveris de Naná da Ribeira
Fole e Folia
À mesma hora o mesmo dia
Afazer rotina calculada
Foi-se o fole vaga folia
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço
Desfeito lance transcendência
Respiro firme quase asfixia
Afazer rotina calculada
Foi-se o fole vaga folia
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço
Desfeito lance transcendência
Respiro firme quase asfixia
O sossego não redime só magoa
Em magna alegria por ferver
Em magna alegria por ferver
Soro e Sopro
Sobrevive no eterno presente
O alimento de vida mastigado
Anémonas cavadas flores do mar
Curso de memórias trituradas
Nativos extasiados entorpecidos
Aquecem o balão bem lá no ar
Neste sopro que viaja mais lento que
a luz
Anémonas cavadas flores do mar
Curso de memórias trituradas
Nativos extasiados entorpecidos
Aquecem o balão bem lá no ar
Neste sopro que viaja mais lento que
a luz
sexta-feira, 6 de março de 2026
Acende de Thurston Moore
Chego acreditando na tua luz
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade
Acende o teu feixe de televisão
Liga-te à noite do anjo
Liga-te à noite do anjo
Acende o sonho da rádio
Acende a tua luz divina
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade
Acende o teu feixe de televisão
Liga-te à noite do anjo
Liga-te à noite do anjo
Acende o sonho da rádio
Acende a tua luz divina
in »Rock N Roll Consciência« - Letras, Tipografia Micaelense, Tradução de Sara Coutinho, Ponta Delgada, Açores, 100 exemplares.
quinta-feira, 5 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Sal e Pele de Naná da Ribeira
Previsível reunião de sal e pele
Avançou no estio à beira-mar
Guardadas distâncias só
vontades
Bocas gretadas no calor
a degustar
Céu lavado com árvores na amurada
Vaivém aflito de ondas a quebrar
Face e inquietude que
tudo absorve
No ribombar da espuma
interminável
Postal da Exposição no CAC
O que Permanece: Memória do Edifício
ARQUIPÉLAGO
ARQUIPÉLAGO
Centro de Artes Contemporâneas
Fevereiro- Dezembro, 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
Afonso Dorido: Catarse no Colégio!
Estamos
em 2026, Ponta Delgada é a Capital Nacional da Cultura e a Igreja do Colégio é
o palco escolhido para o músico Afonso Dorido, Homem em Catarse, apresentar o
seu trabalho que já leva uma década de projectos musicais.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Querida Bicicleta, não te chamarei velocípede
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| Samuel Becket Fotografia: Gisèle Freund |
Assim, levantei-me, ajustei as muletas e fui para a estrada, onde encontrei a minha bicicleta (olha, disso é que eu não estava mesmo à espera!) no mesmo sítio onde tinha sido obrigado a deixá-la. Isso permitiu-me comprovar que, embora estivesse todo estropiado, nessa altura ainda sentia um certo prazer em andar de bicicleta. Era assim que eu fazia: prendia as muletas, uma de cada lado, à barra superior do quadro; enganchava o pé da perna rígida (não me lembro de qual era, porque agora estou inválido das duas) na saliência do eixo da roda da frente e pedalava com a outra. Era uma bicicleta acatène, de roda livre, se é que isso existe. Querida bicicleta, não te chamarei de velocípede, estavas pintada de verde, como tantas outras bicicletas do teu género, nem sei porquê. Lembro-me muito bem dela. Terei todo o gosto em descrevê-la. Tinha um pequeno corne ou trompa em vez da campainha que agora está na moda. Accionar uma buzina destas era para mim um verdadeiro prazer, quase uma volúpia.
Samuel Beckett, in De Bicicleta, Antologia de Textos, Relógio D´Água, 2012.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
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