Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
segunda-feira, 25 de maio de 2026
De Pequenos Troféus...
"Ela gozou de toda uma infância em proximidade íntima com o mar. Com ele aprendeu a resistência, a nostalgia da lonjura a alcançar. Nadava com braçadas desenvoltas que suprimiam a distância entre ela e o pai. Frequentemente se desafiavam, quer em distâncias longas, quer em curtas, conforme se tratasse de um exercício de tenacidade ou rapidez. Ela ganhava-lhe aos pontos neste e naquele debatia-se inutilmente, ficando para trás. Em caso de vitória, eivava-a uma excitação viva que a deixava prostrada na areia, incompleta e insegura quanto àquele terror. Em casa, ele batia-lhe e ela revelava-lhe a impotência da rapidez. Ao mesmo tempo, amedrontava-se com o demónio da vitória. Inútil vencer e, sabê-lo, era instituir-se por dentro das coisas revirando-as do avesso, surpreendo-lhes a vacuidade."
Ana Paula Inácio in Putas - Novo Conto Português e Brasileiro, Quasi Edições, 2003
domingo, 24 de maio de 2026
Banzo: Trágica Nostalgia!
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| Banzo na RTP2 |
sábado, 23 de maio de 2026
O Boémio de Petr Vaclav
Do Ecoponto Azul
João Mendes Coelho, in Açoriano Oriental, dia 23 de Maio de 2026.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Aos Biógrafos de Miguel Manso
sem ir a Budapeste
há que escrever Chico Buarque
sem ir ao Chico Buarque
quinta-feira, 21 de maio de 2026
A Chegada de Baloiço à Caixa do Correio
Um objeto literário desta natureza só estará completo quando cada leitor/observador decidir abraçá-lo e contar o que consumou de experienciar…nem que seja apenas pelo toque ou contacto e, mesmo assim, expressá-lo por via da fotografia.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Postal para Gdansk
uma saída para omissa Primavera
nenhum aviso legado ou transmissão
quedou a dúvida a sombra hesitação
permanece a tocha flamejante
escasseiam folhas flores frutos
jacarandás coloridos
as mãos sedentas de alento
à distante viajante
Carlos Santos, in "Abrolhos", Sálvia Editora, 2026
terça-feira, 19 de maio de 2026
Escola: Henri Matisse Sobre a Mesa
A escola é um local onde a criatividade, por vezes, ocorre. Jorra. Nem só de rotinas, horários e programas é composto um ano letivo. Por vezes, é factual e, quanto menos se espera, a criação pode surtir no mais rígido dos contextos, dar lugar à invenção e a beleza pode acontecer, soltando-se a imaginação que, como todos sabemos, não tem fim.
A constatação é real: há alguns alunos que secretamente desenham durante o decorrer das aulas! Há também estudantes que fora do espaço escolar cantam, escrevem poesia, compõe música e fazem pequenos filmes ou animações. A dificuldade é encontrar o momento/sítio certo onde possamos juntar, enquadrar a sua forma de exprimir, admitir essa possibilidade de que possam um dia viver do gesto de traçar, criar, imaginar o seu próprio destino. Há, sem dúvida, uma necessidade por colmatar, a abertura de uma área específica para que a expressão artística possa suceder, vivenciar e partilhar.
Entretanto, a aula tinha, assim, terminado e o retrato de Henri Matisse, desenho feito durante a aula, foi pousado, deixado em cima da mesa, oferecido por quem o desenhou àquele professor. E logo o desenho de Henri Matisse, o pintor que afiançava que os artistas deviam possuir um eterno olhar infantil, a curiosidade e inocência de uma criança, como se tudo na vida pudesse ser visto e apreciado como se fosse sempre pela primeira vez.






