domingo, 22 de fevereiro de 2026

Arte Poética III de Inês Lourenço

 O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras 
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam 
pela carpintaria dos versos. 


in Um Quarto com Cidades ao Fundo (poesia reunida.1980-2000), Quasi Edições. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Verso de Paolo Conte

 Chissà chissà la nave passerà

Lubo de Giorgio Diritti

Filme de Giorgio Diritti, 2024

     Lubo Moser (Franz Rogowski) é um errante tal como a sua família durante a segunda guerra mundial. Ele é um artista que anda de cidade em cidade a animar as populações. Este, muito embora pertença à etnia cigana ieniche, é integrado à força no exército suíço para proteger as fronteiras. Enquanto é integrado, recebe a notícia que a sua companheira foi morta enquanto protegia os seus descendentes menores ao mesmo tempo que estes eram assimilados no programa eugenista “Kinder der Landstrasse”. A partir daqui, Lubo torna-se um “contra mundum”, vivendo uma vida desesperada, lutando até ao fim pela sobrevivência e recuperação do afeto dos filhos. Uma ode aos sentimentos profundos e dignidade humana, com uma excelente banda sonora. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Das Relações

    Nos supermercados não temos de falar com ninguém, na net não temos de relacionar com outras pessoas...É perigoso para a democracia e para a saúde mental.

David Byrne, Expresso Revista, 12 de Fevereiro de 2026.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Verso dos Orquestrada

Enfio-me nas ruas atiro os olhos ao chão

Vem Lobo!

      "Não é o rio que transborda, são as casas que foram sendo construídas no leito da cheia, não é o mar que se mostra bravio, são as pessoas que insistem em construir onde isso nunca deve ser feito. Não é a mata que arde, são as povoações que deixaram de estar cercadas por hortas e arvoredo mais resistentes, mas algo distantes. Enfim, gritar "Vem Lobo" não parece ser suficiente e voltar a estudar Geografia devia ser mais que obrigatório. "

Francisco Maduro Dias, in Açoriano Oriental, dia 16 de Fevereiro de 2026. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A Incrível História do Carteiro Cheval

Imagem daqui: https://www.cinemacity.pt/
Filme de Nils Tavernier, 2018
  Será que a dedicação, o amor, a obsessão, as causaus maiores da razão de existir? 
    Nils Tavernier fez um filme sobre um personagem extremamente contido que emprega nos gestos e no trabalho diário o valor dos seus afectos, ainda que sob a forma naïf, como modo de transmissão e herança. Jacques Gamblin tem aqui o papel do Carteiro Cheval, figura estoica, que vive com uma mulher Philomène, Laetitia Casta, de uma  beleza cada vez mais surpreendente, sendo eles elementos de uma história apoiada num personagem com existência real e que nos prende até ao fim. Trata-se, assim, de um curioso documento cinematográfico  sobre as possibilidades infindáveis do amor. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Stéphane Hessel: Empenhai-vos!

      A descoberta de Stéphane Hessel  foi há mais de trinta anos, no Festival de Cinema da Figueira da Foz, por culpa do documentário, "Der Diplomat", de Antje Starost e Hans Helmut Grotjahn. Deviam ser umas cinco ou seis pessoas no interior da sala, alguns cineclubistas e outros curiosos. À altura, fiquei fascinado pela sua figura moral, pela sua presença e carisma, uma assombração de um diplomata franco e genuíno.
        Stéphane Hessel nasceu na Alemanha, em 1917, emigrou para França com apenas  cinco anos e naturalizou-se francês em 1937, tornando-se embaixador e diplomata ao longo da vida, tendo pertencido à resistência francesa durante a Segunda Guerra e onde desempenhou as funções de agente do Bureau Central et Renseignements et  d´Action, os serviços de inteligência francesa.
      Regressemos, pois, ao livro “Empenhai-vos”, da Planeta Editora, que consiste numa entrevista de Gilles Vanderpooten a Stéphane Hessel  e, em que este a determinada altura afirma:  “Aqui a palavra “consciência ética” deve tornar-nos sensíveis ao facto de que o que fazemos hoje tem repercussões para os que vierem a seguir. É bom que que reflitctamos e que façamos os possíveis para que as gerações seguintes  possam prosseguir a felicidade das suas existências.”
       Trata-se dum anseio propositivo sobre o futuro das sociedades em que vivemos, uma cogitação viva sobre os direitos humanos face à condição actual do mundo. Já passaram quinze anos sobre esta edição, o livro foi editado em 2011, muito antes de uma pandemia e de uma guerra às portas da Europa e outra dentro dela, mas vale a pena pensarmos com alguém que se manifestou sempre e colocou o  seu empenho na defesa da dignidade e liberdades humanas.

Pequeños Grandes Momentos

Viajar en tren

con la vista

en el paisage

 

 deseando

no llegar todavia

a tu lugar de destino

 

para que la felicidad

no empiece

a terminarse… 

Karmelo C. Iribaren