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| De Terça a Sexta-feira, 12 a 15 de Maio de 2026 14h00-17h00 na Blackbox do Arquipélago - CAC Entrada Livre |
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
segunda-feira, 11 de maio de 2026
A partir de Amanhã no Arquipélago - CAC
domingo, 10 de maio de 2026
Os Vinis de Maio que Abril nos faz Tocar
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| Fotografia: Tânia Santos |
Crescemos, portanto, com a ideia de que a revolução do 25 de Abril foi um acontecimento militar realizado lá para os lados de Lisboa, isto é, lá bem longe ou então em terras do Ultramar. Crescer no litoral teve a vantagem do Verão ser ocupado por idas à praia e passeios à beira-mar. A adolescência iniciava-nos também nas audições de músicas revolucionárias ou a ousadia na realização de programas musicais com o aparecimento dos rádios piratas, um pouco mais tarde, as rádios locais. Daí vir de imediato à memoria, pois claro, aquele radialista e a sua obsessão pelos objetos musicais em forma de vinil. Este possuía mais discos do que todos nós juntos. Sabia poupar, dizia-nos, e tinha também rasgo e sentido de oportunidade. Disse-nos que chegou a esvaziar discotecas em liquidação total. Relembre-se, pois, o seu fascínio pela chegada dos CD´s e da gravação digital bem como o desfazer de forma rápida e, algo precipitada, da sua enorme e diversificada colecção de vinis. Alguns de nós, devemos-lhe, por isso, a aquisição de um momento para o outro, a preços módicos, dos discos do José Mário Branco, José Afonso, Luís Cília, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Né Ladeiras, entre tantos outros.
São estes agora os discos de Maio, os discos que Abril abriu, os vinis daquele período que queremos lembrar e que voltamos a tocar e a ouvir...até fartar.
sábado, 9 de maio de 2026
Rua Manuel António Pina
Caminhava lentamente
como quem pede licença ao mundo
para o nomear. Óculos pousados na face
(um gato
guardado no bolso) tive-o
algumas tardes regressado do Li-Jin
de onde trazia take-way
(e haikai)
para jantar. Escolhia a minha mesa para
um rápido café e
eu ficava absorto (nem dava pela minha falta)
ouvindo-o sobre o real (o seu
real
imaginado). O relógio dava as horas
(de rigueur ia tirando)
chamavam artéria à rua onde a tarde nos juntava
na verdade era uma veia se
o trânsito era
todo para cá. Não o fui ver ao hospital. Talvez
o quisesse ter para sempre
nesta alegria. Às vezes sei ser
tão cobarde.
como quem pede licença ao mundo
para o nomear. Óculos pousados na face
(um gato
guardado no bolso) tive-o
algumas tardes regressado do Li-Jin
de onde trazia take-way
(e haikai)
para jantar. Escolhia a minha mesa para
um rápido café e
eu ficava absorto (nem dava pela minha falta)
ouvindo-o sobre o real (o seu
real
imaginado). O relógio dava as horas
(de rigueur ia tirando)
chamavam artéria à rua onde a tarde nos juntava
na verdade era uma veia se
o trânsito era
todo para cá. Não o fui ver ao hospital. Talvez
o quisesse ter para sempre
nesta alegria. Às vezes sei ser
tão cobarde.
João Luís Barreto Guimarães, in Movimento, Quetzal, 2023
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Idanha-a-Nova: Foi há 20 anos!
"Vão-se todos embora, ficamos
nós", ouvi tantas vezes da boca
daquelas pessoas que habitavam aquele território, com um sorriso duro, franco e
aberto. Ali era o interior profundo, lugar de nuvens carregadas, cor de farda,
na paisagem duradoura do Inverno, ainda a serenidade e a melancolia na ausência
de palavras durante a Primavera. Eram, no entanto, planícies e searas que se
erguiam roliças na lonjura e secura do verão, compondo este meu retrato de uma permanência
duas décadas depois. Nunca mais lá voltei. Avancei, sem pestanejar perante a
força do granito, somente a saudade e a promessa de um retorno.
Ali ficavam também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos coligidos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar.
Ali ficavam também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos coligidos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar.
Duas décadas depois, apetecia tanto lá
voltar!
terça-feira, 5 de maio de 2026
Avenida Marginal: Domingo de Santo
É domingo de Santo Cristo e o cozido de carnes prenuncia-se por espanta-espíritos que chega antes de qualquer mão à porta da Mâe de Deus. Tudo é sagrado pela avó que dura, pelo Santo que terá feições a merecerem avaliação dia-fora e pela sopa que, mesmo antes de lá morarem as carnes anunciadas de cheiro, dá aquecimento ao prato e ao tio alcoólatra que repete por três vezes esse aguado sagrado, vinho em dobro por cada prato, silêncio multiplicado em duração de tudo.
Aprende-se com o avô a chorar antecipadamente a possibilidade da última vez neste lugar de circunstância - bem se recordam as lajes de pedra dessa escadaria da igreja de São José, pai do dito e residência alternada por que o Santos e alberga por uma das noites de festa, a única do ano para ele. Chorava sempre Rolando pela oportunidade de se pronunciar em contradição silenciosa postura que mantinha ao efectivo justificativo de ali estarem juntos para lembrar que, com mais ou menos rigor previsionista, aquela seria a sua última crepuscular vez do lado dos que jogam na selecção dos vivos.
Aprende-se com o avô a chorar antecipadamente a possibilidade da última vez neste lugar de circunstância - bem se recordam as lajes de pedra dessa escadaria da igreja de São José, pai do dito e residência alternada por que o Santos e alberga por uma das noites de festa, a única do ano para ele. Chorava sempre Rolando pela oportunidade de se pronunciar em contradição silenciosa postura que mantinha ao efectivo justificativo de ali estarem juntos para lembrar que, com mais ou menos rigor previsionista, aquela seria a sua última crepuscular vez do lado dos que jogam na selecção dos vivos.
Tiago Ribeiro, in Avenida Marginal - Ficções, Ponta Delgada, 2019.
Fumo de João Habitualmente
Sigo-te:
perco o rumo
perco o rumo
Olhas-me:
fico cego
Prendes-me:
sou algema
Ardes-me:
já sou fumo
in Poemas em Peças, Quase Dito#3, Fevereiro de 2014.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Maio: Retrospectiva do Fuso Insular
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| Dias 12 a17 de Maio de 2026 Blackbox Arquipélago - CAC Aqui:https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ pt/programacao/fuso-insular-5/ |
terça-feira, 28 de abril de 2026
Namorados de Sarajevo de Rui Duarte Rodrigues
ao turno da tarde
Destruíram os nossos jovense as nossas memórias - disse à reportagem
uma velha habitante de Sarajevo.
Referia-se ao castanheiro centenário
no parque central da cidade.
Lembrou que à sua sombra costumava reunir-se
namorados e guitarras.
Mas foi um Inverno longo e violento,
sob cerco - o de mil novecentos e noventa e três,
e o velho castanheiro também teve de ser
abatido
para aquecer as pessoas.
Arderam os corações e as memórias
dos namorados de Sarajevo.
in "Meu Poema é Isto - Poesia Reunida", coordenação de Luiz Fagundes Duarte, edição Instituto Açoriano de Cultura, 2025.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
domingo, 26 de abril de 2026
Do Que Não Volta Mais de Luís A. Fernandes
1.
há dias em que é necessário o abandono
deixar a solidão expressar-se sem amarras
respeitar os impulsos da humanidade
permitir que o corpo inútil
se feche numa hibernação
forçado pelo passar dos dias
2
depois acordamos pode ser
um dia pode ser um mês depois
mas eventualmente acordamos
respiramos fundo a vida toda
ameaça reaparecer passo a passo
até chegarem as pessoas as vozes
3
há vozes que nos levam
a todo o lado empurrados
pela violência de um grito
vozes que invocam demónios
vozes que desdobram o tempo
há que estimar essa magia
in Livros de Oeiras.
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