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| Catarse Natural, 2024 Homem em Catarse |
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Querida Bicicleta, não te chamarei velocípede
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| Samuel Becket Fotografia: Gisèle Freund |
Assim, levantei-me, ajustei as muletas e fui para a estrada, onde encontrei a minha bicicleta (olha, disso é que eu não estava mesmo à espera!) no mesmo sítio onde tinha sido obrigado a deixá-la. Isso permitiu-me comprovar que, embora estivesse todo estropiado, nessa altura ainda sentia um certo prazer em andar de bicicleta. Era assim que eu fazia: prendia as muletas, uma de cada lado, à barra superior do quadro; enganchava o pé da perna rígida (não me lembro de qual era, porque agora estou inválido das duas) na saliência do eixo da roda da frente e pedalava com a outra. Era uma bicicleta acatène, de roda livre, se é que isso existe. Querida bicicleta, não te chamarei de velocípede, estavas pintada de verde, como tantas outras bicicletas do teu género, nem sei porquê. Lembro-me muito bem dela. Terei todo o gosto em descrevê-la. Tinha um pequeno corne ou trompa em vez da campainha que agora está na moda. Accionar uma buzina destas era para mim um verdadeiro prazer, quase uma volúpia.
Samuel Beckett, in De Bicicleta, Antologia de Textos, Relógio D´Água, 2012.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Aforismo de Karmelo C. Iribaren
Preciso de uns sapatos novos urgentemente, os que tenho levam-me sempre aos mesmo sítios
Tradução livre
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
O que permanece: memória do edifício.
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| Centro de Artes Contemporâneas Ribeira Grande Fevereiro - Dezembro, 2026 |
Quem
assiste a esta exposição no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, para lá
do itinerário expositivo que nos é dado por Miguel Leal, depara-se com um programa
de televisão da RTP, gravado em 1978, intitulado “Tabaqueiros e Tabaqueiras”, realizado
pelo Centro Português de Cinema. É mais um documento histórico de grande relevância
gravado neste território em torno dos labores agrícolas aqui efectuados. Desta
feita, tratou de documentar os contextos laborais de jovens, rapazes e
raparigas, que contribuíram para a existência da indústria tabaqueira na Ilha
de São Miguel, mais concretamente na zona da Ribeira Grande.
“Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.
“Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Arte Poética III de Inês Lourenço
O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
in Um Quarto com Cidades ao Fundo (poesia reunida.1980-2000), Quasi Edições.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Lubo de Giorgio Diritti
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| Filme de Giorgio Diritti, 2024 |
Lubo Moser (Franz Rogowski) é um errante
tal como a sua família durante a segunda guerra mundial. Ele é um artista que anda de cidade em
cidade a animar as populações. Este, muito embora pertença à etnia cigana
ieniche, é integrado à força no exército suíço para proteger as fronteiras. Enquanto
é integrado, recebe a notícia que a sua companheira foi morta enquanto protegia
os seus descendentes menores ao mesmo tempo que estes eram assimilados no programa eugenista “Kinder der
Landstrasse”. A partir daqui, Lubo torna-se um “contra mundum”, vivendo uma
vida desesperada, lutando até ao fim pela sobrevivência e recuperação do afeto
dos filhos. Uma ode aos sentimentos profundos e dignidade humana, com uma excelente banda sonora.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Das Relações
Nos supermercados não temos de falar com ninguém, na net não temos de relacionar com outras pessoas...É perigoso para a democracia e para a saúde mental.
David Byrne, Expresso Revista, 12 de Fevereiro de 2026.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Da Estranheza
As cartas começaram a empilhar-se na caixa do correio. Ninguém estranhou.
João Mendes Coelho, in "Lurdes" Açoriano Oriental, 14 de Fevereiro de 2026.
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