Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Melancolia
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Jan Johansson: Da Tradição à Pipi das Meias Altas
Num fim de tarde destas últimas festas
natalícias passadas no continente português, época propensa à revisitação dos
lares e demais reuniões afectivas, dou de caras com um jovem músico, filho de
velhos amigos de juventude, constatando que este vive agora na Suécia,
residindo e trabalhando neste país escandinavo há já algum tempo, tendo, inclusive, constituído prole com cônjuge originária. Enquanto ele preparava os acordes de
guitarra para se juntar a outros músicos, assinalo de raspão o nome do músico
sueco Jan Johansson, mostrando algum conhecimento sobre o mesmo. Eis,
então, que ele solta as primeiras notas de “Visa Från Utanmyra”, tema
tradicional na versão de tão aclamado e malogrado pianista, vítima de acidente
de aviação quando tinha apenas 37 anos idade, perto de Sollentuna, aquando de
uma reunião com outros músicos no percurso da viagem a um concerto em
Jönköping. Subitamente, um conjunto de memórias assaltam-me, impondo-se naquele
instante um ambiente melancólico e nostálgico.
Recue-se, assim, a 2009, aquando de uma visita estival a Vrå, na região de Halland, Suécia, ao reencontro de um navegador solitário, primeiro “cliente” da marina da minha cidade natal – D.S. Numa dessas noites brancas e, sem ter apercebido da relevância do momento, este presenteou o serão com a audição do álbum “Jazz på Svenska”, conjunto de músicas tradicionais daquele país tocadas ao piano e contrabaixo em jazz modal. Só muito tempo depois, se dá o conhecimento que este é o disco sueco mais difundido e vendido até aos nossos dias. Entretanto, outra descoberta, Jan Johansson realizou também a música para o filme “Pippi Långstrump (“Pipi das Meias Altas”), com letras da autora e criadora da personagem, Astrid Lindgren. Tudo normal até aqui, e, por isso, apenas referir que “Pipi das Meias Altas” é, certamente, uma das recordações cinematográficas mais intensas e bem-dispostas das matinés de cinema daqueles verões à beira-mar carregados de nortada.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Da Felicidade
sábado, 31 de janeiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Desenho Guia de Sara Chang Yan
Do Poder
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Guarda Rios
dentro de nós
O Céu, a Terra, o Vento Sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...
O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
que não pode ser mais que nomeado.
Do Prazer
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Postal para W.H
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| Autor: isla.art.açores |
Foram muitos filmes, cerca de três dezenas, quase todos eles ligados a estas paisagens reconhecíveis. Dez minutos era o limite proposto com gente ligada ao cinema oriunda de todo o mundo e que aqui aportou durante nove a dez dias. As propostas iam sendo vistas pela audiência que enchia a sala. No final de cada filme, o velho cineasta alemão comentava, elogiava, apontava críticas e caminhos. O seu inglês era fluente, o discurso eloquente, firme e escorreito, a ironia expressiva. Uma honra podê-lo ouvir falar de cinema no Teatro Ribeiragrandense, mesmo que tenha dito que os cagarros se encontrem extintos. Um verdadeiro acontecimento que, desconfio, pouca gente da ilha se deu conta. Era ainda muito jovem quando vi o "Fitzcarraldo" pela primeira vez naquela sala do Casino da Figueira da Foz, no seu mítico festival. Não foi preciso que ninguém me dissesse nada para pressentir a beleza e grandeza da obra de Werner Herzog, e que venceu o prémio de melhor realização em Cannes, em 1982. O filme dá conta da loucura de Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) ao edificar uma ópera em plena selva amazónica e que para isso transportou um barco a vapor por um monte, atravessando a selva para materializar esse sonho. É a paixão por Enrico Caruso que leva o protagonista a lançar-se naquela empreitada, transformando aquelas filmagens numa aventura carregada de desafios e intensidade.
Algumas décadas depois, escrevo este “postal” para um cineasta de 83 anos, ao qual nunca cheguei pensar ter esta oportunidade de ouvir falar sobre filmes de jovens cineastas, o facto de pressentir a sua cinefilia, imaginar os modos e visões do seu cinema e ainda presenciar a sua radicalidade. Agradecido, pois que fique bem claro. E, tal, como nos postais, “até um dia destes, um abraço!”
sábado, 24 de janeiro de 2026
Na Língua da Maré
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| Crónicas de mar de de mareantes Hélder Luís (Fotografia) Abel Coentrão (Texto) Mútua dos Pescadores, 2022/2023 |
Vale
a pena perceber a dimensão este projecto ambicioso que percorre a vida das colectividades
piscatórias do norte até ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira. Com texto de Abel Coentrão e fotografia de Hélder Luís é muito raro encontrarmos um trabalho tão alargado e diversificado e ainda tão bem documentado nas suas imagens.
"Na Língua da Maré – Crónicas de Mar e de Mareantes” é uma longa viagem em
torno dos conhecimentos marítimos ancestrais e que evoca o 80.º aniversário da
Mútua dos Pescadores, financiadora do projecto.
Esta obra, editada em 2022,
pretende ainda alargar todos os campos possíveis onde a cultura do mar se tem expandindo nos anos mais recentes, com referências
óbvias à ciência, investigação, inovação e turismo. Um trabalho e leitura dignas!





