Love to say I long
Douta Melancolia
"C’è la stessa malinconia e la stessa speranza" Vittorio Lega
sábado, 7 de novembro de 2026
Do Cinema de Vinicius de Moraes
O ideal de fazer cinema é um sonho que se paga caro. O material é dos mais custosos, e o cinema, como a pintura, e a escultura, é uma arte substanciosa, visto que ela exige um aparato para se realizar. A poesia, o romance, a arquitectura, a música só pedem papel e lápis. Na ausência disso um pedaço de carvão serviria, e uma parede. Não será, por exemplo, a falta de papel e lápis que irá impedir Anchieta, no seu deserto voluntário, de escrever o seu poema em louvor da Virgem. A santa e bruca areia, e uma varinha...Vá-se agora fazer cinema com isso!
Vinicius de Moraes, "Consideraçoes Materiais", in "A Manhã", 9 de Dezembro de 1941.
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Haiku de Masaoka Shiki
O
Outono finalmente!
Diz alguém
Que odeia o Verão.
Diz alguém
Que odeia o Verão.
in Aves Dormindo Enquanto
Flutuam, Assírio &Alvim, 2021. Tradução de Joaquim M. Palma
sábado, 31 de outubro de 2026
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Filipe Furtado no Espaço Rubro!
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| Filipe Furtado Fotografia: Jorge Kol de Carvalho |
Regressa à sua terra natal para um concerto no espaço Rubro, já no próximo dia 31 de Outubro, às 19 horas. E aparece no Outono, a sua estação favorita, depois de ter lançado um disco intitulado "Como se Matam Primaveras". Este álbum anunciou um registo sob o domínio do piano e com os seus músicos do costume: Paulo Silva (Bateria) e Filipe Fidalgo (saxofone). Registe-se dois temas de grande intensidade "Transplantar é Possível" e "Ada", que continuam a inquietar o público mais melómano e disponível. É um músico açoriano à deriva no continente que agora regressa, por instantes, ao seu porto de abrigo.
domingo, 25 de outubro de 2026
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Glimpse Collection: "Ningém é uma Ilha" na Lagoa
Assisto a esta exposição no Convento de Santo António, na cidade da Lagoa, sala Numídico Bessone, com o título "Ninguém é uma ilha". A curadoria é de João Mourão, antigo director do Centro de Artes Contemporâneas, e trata-se do 3ºAndamento da colecção Glimpse, de Fátima Mota e António Macedo.
Esta colecção é, sem qualquer dúvida, o mais abrangente retrato das artes plásticas existente no período pós-25 de Abril na Ilha de São Miguel. É que à exceção de António Dacosta, ou mesmo Maria José Cavaco, falecida recentemente, a grande maioria continua ainda hoje a pintar e a realizar exposições, caso de Victor Almeida que expôs "Caminhos Entre a Luz e a Sombra", na Galeria Fonseca e Macedo.
Esta colecção é, sem qualquer dúvida, o mais abrangente retrato das artes plásticas existente no período pós-25 de Abril na Ilha de São Miguel. É que à exceção de António Dacosta, ou mesmo Maria José Cavaco, falecida recentemente, a grande maioria continua ainda hoje a pintar e a realizar exposições, caso de Victor Almeida que expôs "Caminhos Entre a Luz e a Sombra", na Galeria Fonseca e Macedo.
"Ninguém é uma ilha" é, sobretudo, uma exposição que lança pistas para o futuro ao mesmo tempo que é um olhar atento para o percurso dos mais novos - João Miguel Ramos, Isabel Madureira Andrade, Beatriz Brum, Sofia Caetano ou João Amado. É, por isso, muito estimulante pressentir no mesmo espaço um diálogo intergeracional entre as obras singelas e delicadas de Urbano com o bisturi gráfico e minucioso de João Amado ou ainda o gesto policromático de João Miguel Ramos com o brilho pictórico de António Dacosta.
Sim, é verdade, São Miguel é terra de pintores e aqui os Açores estão pintados a várias cores, não esquecendo a beleza das latadas de Domingos Rebelo, a jovialidade de Carlos Carreiro ou a obra vasta e variada de Tomás Borba Vieira.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Belonging Raquel André no Espaço Rubro
| Fotografia de Albino Pinho |
Aliu Baio, baterista e professor, esteve numa sessão de música improvisada no bar Outro Lado, a meio da semana. Quem o viu tocar ficou, evidentemente, com água na boca para o concerto prometido dias depois. E foi, num final de tarde abafado, aprazível para qualquer tipo de banhos, que Aliu Baio, alter ego artístico de Nick Aliu Sane Baio, subiu ao palco do espaço Rubro, mum concerto inserido na PDL26.
O baterista, sozinho em palco, tinha um vídeo projectado por trás de si da autoria de Raquel André e Bernardo Almeida sobre o signo do lugar de pertença. Este sentimento de pertença percorria duas vias possíveis - os testes de ADN e as memórias e narrativas associadas às experiências individuais.
São cem minutos bem ritmados, delicadamente refletidos e perfomáticos, que perdurarão durante muito tempo na memória de quem teve a sorte e a felicidade de poder assistir.
Burning Summer: Ecos Arquipelágicos!
Ainda Agosto ia no adro e logo começaram a
aparecer os primeiros ecos do Burning Summer Festival, em Porto Formoso, São
Miguel, sobretudo com o cinema na praia. Na edição deste ano, a organização
privilegiou o documentário “Orlando Pantera”, de Catarina Alves Costa, dedicado
ao afamado músico cabo-verdiano desaparecido prematuramente. Quanto às sessões musicais, previstas para os
dias 28 e 29, o programa foi eclético como sempre, no entanto a
sustentabilidade é o factor diferenciador de um festival que aposta no
envolvimento com a natureza e exploração de distintas sonoridades e de
concertos junto dessa força que é o mar.
No primeiro dia, sexta-feira, foi para
ouvir Lura, Paulo Flores e Tabanka Djaz e, no segundo dia, sábado, foi a vez de
Capitão Fausto, Zé Ibarra e os Throes + The Shine. Pelo meio, como forma de
promover a contenda bailante, tanto no início, meio e fim, há musica oferecida
pelos Dj´s de serviço: Mesquita & Laura, Zelecta, Quaresma, Pedro Tenreiro,
Adrian Sherwood, DJs Improváveis ou Portuga. Note-se, assim, que, doze anos
depois, este festival, que se realiza na Praia dos Moinhos, continua a dar um
destaque especial à música africana, especialmente de Cabo Verde, lugar de
proximidade arquipelágica, curioso viveiro de músicos e de canções bonitas,
sentimentos de partilha e interessantes cumplicidades, dado que por aqui já
passaram: Tcheka, Mário Lúcio, Princezito, Ferro Gaita, Mayra Andrade, Fogo
Fogo, Elida Almeida e Lura, isto é, funaná, coladeira e morna, os esteios
rítmicos e sonoros do arquipélago cabo-verdiano. É que Cabo Verde bem merece, depois
da atenção mediática à selecção presente no mundial de futebol deste ano e
também agora que vimos partir Bino Branco, o tocador de ferrinho e voz dos supremos
Ferro Gaita.
Por último, há também muita rapaziada a
desfrutar de propostas paralelas à música e a o cinema tais como o projeto
pedagógico intitulado – “Detetives Marinhos, Conhece os peixes que Comemos”, com
os biólogos Luís Rodrigues (Lotaçor), Carla Dâmaso (OMA) e Inês Martins
(OKEANOS). Uma proposta de aproximação de crianças e jovens do universo marinho
e que é um primor de descobertas que vai do território aos ouvidos, passa pelos
olhos até chegar à barriga!
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Migrações
Açores com aumento acentuado da população de rola-turca e com menos toutinegra e milhafre.
in primeira página do Atlântico Expresso, dia 27 de Julho de 2026.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Vestígios da Cor
A deslocação é o princípio
percorrer o brilho da luz
leda e leve locomoção
conduzem ao pleno da cor
a seiva em seu redor
num pincel à solta
configurar a rota
devolver à memória
experiências de fulgor
as sombras e o acaso
acumulados no tempo
lembranças e marcas
são descobertas no território
aos vestígios da cor
leda e leve locomoção
conduzem ao pleno da cor
a seiva em seu redor
num pincel à solta
configurar a rota
devolver à memória
experiências de fulgor
as sombras e o acaso
acumulados no tempo
lembranças e marcas
são descobertas no território
aos vestígios da cor
3 de Julho, sobre a exposição "Caminhos entre a Luz e a Sombra" de Vítor Almeida
O Teu Rosto Será o Último de Luís Filipe Rocha
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| O Teu Rosto Será o Último, 2023 Luís Filipe Rocha |
O filme parte do romance homónimo de João Ricardo Pedro e mostra-nos a vida de uma família portuguesa que percorre a ditadura do Estado Novo até ao advento da democracia. É um filme mais de silêncios do que palavras, uma incursão dos não ditos dos que estiveram na guerra colonial e do sofrimento dos que depois assistiram ao stress pós traumático dos que regressaram.
O Teu Rosto Será o Último, de Luís Filipe Rocha, é também um mergulho na música que nos povoa a alma e que não se descola do corpo facilmente. Seguir o Duarte é acompanhar a sua determinação e virtuosismo. E...que alegria as representações de Vicente Wallenstein e Rita Durão bem como a direção musical de João Paulo Esteves da Silva.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
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