Num fim de tarde destas últimas festas
natalícias passadas no continente português, época propensa à revisitação dos
lares e demais reuniões afectivas, dou de caras com um jovem músico, filho de
velhos amigos de juventude, constatando que este vive agora na Suécia,
residindo e trabalhando neste país escandinavo há já algum tempo, tendo, inclusive, constituído prole com cônjuge originária. Enquanto ele preparava os acordes de
guitarra para se juntar a outros músicos, assinalo de raspão o nome do músico
sueco Jan Johansson, mostrando algum conhecimento sobre o mesmo. Eis,
então, que ele solta as primeiras notas de “Visa Från Utanmyra”, tema
tradicional na versão de tão aclamado e malogrado pianista, vítima de acidente
de aviação quando tinha apenas 37 anos idade, perto de Sollentuna, aquando de
uma reunião com outros músicos no percurso da viagem a um concerto em
Jönköping. Subitamente, um conjunto de memórias assaltam-me, impondo-se naquele
instante um ambiente melancólico e nostálgico.
Recue-se, assim, a 2009, aquando de uma visita estival a Vrå, na região de Halland, Suécia, ao reencontro de um navegador solitário, primeiro “cliente” da marina da minha cidade natal – D.S. Numa dessas noites brancas e, sem ter apercebido da relevância do momento, este presenteou o serão com a audição do álbum “Jazz på Svenska”, conjunto de músicas tradicionais daquele país tocadas ao piano e contrabaixo em jazz modal. Só muito tempo depois, se dá o conhecimento que este é o disco sueco mais difundido e vendido até aos nossos dias. Entretanto, outra descoberta, Jan Johansson realizou também a música para o filme “Pippi Långstrump (“Pipi das Meias Altas”), com letras da autora e criadora da personagem, Astrid Lindgren. Tudo normal até aqui, e, por isso, apenas referir que “Pipi das Meias Altas” é, certamente, uma das recordações cinematográficas mais intensas e bem-dispostas das matinés de cinema daqueles verões à beira-mar carregados de nortada.
