A pergunta impõe-se: como chegar a Porto Formoso? Tudo começa com um autocarro da CRP que faz a carreira diária que nos deixa mesmo à entrada da freguesia. A partir daí estamos entregues à natureza e à música, num cartaz que se mantém maioritariamente africano. Destaque-se no primeiro dia, dia 29, os
concertos do agrupamento caboverdiano Mário Lúcio and The Pan African Band
e dos Santrofi, oriundos de Acra, no Gana. O antigo ministro da cultura
de Cabo Verde, sempre vestido de branco, provou que continua aí para as curvas.
Mário Lúcio tem um crioulo bonito tal como sua música é uma balança carregada
de ondas, ora batem com agitação ora acalmam águas profundas. Os Santrofi trouxeram de forma competente ecos na nova cena musical da capital ganesa. No segundo dia, 30,
assistimos ao concerto memorável de Dino Santiago & Os Tubarões, bem
como de Bonga, que continua irrepreensível com o seu semba, nada falha, mesmo com a sua longeva idade. Por último, a cantora guineense Fattu Diakité que
impressionou pela imponência da sua voz e uma presença magnética em palco.
Onze anos depois, o Burning Summer continua mais valioso que nunca,
não só pela sua diversidade musical como também pelo enfoque especial que é
dado à música de Cabo Verde, país onde brotam músicos e músicas em cada esquina
do arquipélago.
Uma referência, por fim, à utilização
das casas de banho no interior do recinto dada a inutilidade da sua diferenciação entre os sexos,
pois já não faz sentido a filas sem fim no que toca ao acesso feminino, ou já
para não falar das senhas que ficam por consumir por falta de aviso do fecho do
bar.