![]() |
| Rui Duarte Rodrigues Edição do IAC Instituto Açoriano de Cultura |
Rui Duarte Rodrigues, natural da Ilha Terceira, foi um conhecido jornalista angrense que desapareceu do nosso convívio na Primavera de 2004. Destes seus poemas de juventude até à idade adulta – o poeta só publicou apenas mais um livro (“Com Segredos e Silêncios”, 1994) – permanecendo desse seu gesto uma poesia implicada com o real, testemunho de um tempo vigoroso em que as palavras se empenhavam em expressar utopias e sentimentos, num empenhamento político-social intenso e comprometido.
Registe-se, pois, esta edição do IAC (Instituto Açoriano da Cultura) intitulada “O Meu Poema é Isto - Poesia Reunida”, de Rui Duarte Rodrigues, num trabalho elaborado pelo linguísta Luís Fagundes Duarte. Saúde-se e torne-se, então, a ler poemas de um tempo em que a infância se perdia para sempre e os sonhos consumiam-se nos corpos juvenis que se tornavam velozmente adultos: “Os meninos/ morrem dentro dos homens/ na volúpia escaldante de corpos pegajosos/ em negros e agudos penedos dos profundos abismos do desengano/ na luta do pão/ mel a escorrer das fontes de servidão/ os meninos/ morrem dentro dos homens/ à carícia cada vez mais nostálgica do sol-poente / à descoberta do segredo guardado e resguardado/ e afinal efémero, fortuito e banal.”. A interrogação impõe-se: será que ainda podemos renascer?
