quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Meu Poema é Isto de Rui D. Rodrigues

Rui Duarte Rodrigues
Edição do IAC

Instituto Açoriano de Cultura
   Foi em 1970, aos 18 anos, que este editou o seu primeiro livro: “Os Meninos Morrem Dentro dos Homens”. Esse foi também o ano em que Salazar faleceu com 81 anos e que Jimi Hendrix, um dos maiores guitarristas de todos os tempos, deixou o mundo dos vivos, com apenas 27 anos.
      Rui Duarte Rodrigues, natural da Ilha Terceira, foi um conhecido jornalista angrense que desapareceu do nosso convívio na Primavera de 2004. Destes seus poemas de juventude até à idade adulta – o poeta só publicou apenas mais um livro (“Com Segredos e Silêncios”, 1994) – permanecendo desse seu gesto uma poesia implicada com o real, testemunho de um tempo vigoroso em que as palavras se empenhavam em expressar utopias e sentimentos, num empenhamento político-social intenso e comprometido.
          Registe-se, pois, esta edição do IAC (Instituto Açoriano da Cultura) intitulada “O Meu Poema é Isto - Poesia Reunida”, de Rui Duarte Rodrigues, num trabalho elaborado pelo linguísta Luís Fagundes Duarte. Saúde-se e torne-se, então, a ler poemas de um tempo em que a infância se perdia para sempre e os sonhos consumiam-se nos corpos juvenis que se tornavam velozmente adultos: “Os meninos/ morrem dentro dos homens/ na volúpia escaldante de corpos pegajosos/ em negros e agudos penedos dos profundos abismos do desengano/ na luta do pão/ mel a escorrer das fontes de servidão/ os meninos/ morrem dentro dos homens/ à carícia cada vez mais nostálgica do sol-poente / à descoberta do segredo guardado e resguardado/ e afinal efémero, fortuito e banal.”. A interrogação impõe-se: será que ainda podemos renascer? 

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