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| in Na Língua da Maré, 2023 Texto: Abel Coentrão Fotografia: Hélder Luís Âncora Editora |
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segunda-feira, 4 de maio de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
terça-feira, 26 de março de 2024
Gastão Cruz
"Toda a escrita autobiográfica fosse uma solução, escrever memórias, dar conta daquilo que foi a sua experiência. Conheceu os grandes, de Antero a Eça. Mas quem se interessava por eles? O mundo caminhava para onde não sabia, e o que deixava para trás, o país, sumia-se naquela longínqua pequenez que rapidamente se apagava ao percorrer a grande noite espanhola até ao amanhecer, já em França, para trocar de comboio, sem reparar que estava a ser visto por um Mário de Sá-Carneiro que iria contar ao seu amigo Pessoa que o grande poeta afinal era um unhas de fome, a contar tostões."
in Café Lenine, Edições Dom Quixote, 2022.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Muito Obrigado, Bruno da Ponte!
Há dias
despedimo-nos de Bruno da Ponte, mais um amigo que vai fazer falta. O Bruno
tinha formação em Economia mas foi na área cultural a que dedicou a maior parte
do seu trabalho. Bruno da Ponte trabalhou assim toda a vida enquanto editor,
tradutor, jornalista, e coordenador de tantas editoras – Minotauro, Teorema ou
as Edições Salamandra. Comecei, primeiro, por vê-lo na Associação Cultural
Abril em Maio, em Lisboa, à altura, rua da Verónica, onde lançou as sementes de muitas coisas bonitas,
entre elas uma agenda repleta de manifestos, mas foi na sua terra natal (São
Miguel) que falei com ele pela primeira vez numa rua de Ponta Delgada, acidentalmente. Foi com alegria que aceitou o convite para colaborar
e escrever para o Boletim Cultural Fazendo, sediado na Ilha do Faial, do qual
foi sempre um leitor e entusiasta. Ele que durante anos esteve ligado a 121 publicações
relacionadas com os Açores através da colecção Garajau, e, como tão bem escreveu Onésimo Teotónio de Almeida, estabeleceu uma verdadeira ponte entre o
arquipélago e o continente português. O Bruno da Ponte foi um verdadeiro amante
das artes e das letras e, recordo, por isso, o quanto era delicioso e instigante
ouvi-lo discorrer sobre qualquer assunto ou tema literário. Saudades!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Da Malandragem
"O tempo querido! o bom tempo! Foi das nossas discussões sobre a Arte que estes contos nasceram...A bella vida, a vida risonha e malandra, passada assim!...Lembra-se?"
Raul Brandão in Impressões e Paizagens, edição fac-símile, A Bela e o Monstro, 2013
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Vitor Silva Tavares
Vitor Silva Tavares, editor da &etc, despediu-se
hoje do mundo dos vivos, aos 78 anos. À semelhança do Hermínio Monteiro, olhei
sempre para estes homens com um misto de admiração e desdém. Infelizmente, só troquei umas palavras com o segundo. Foram ambos editores e
amigos dos escritores e dos livros, numa terra sem grande apetência ou hábitos
de leitura. Para além disso, escrevia em português como poucos. Do Vitor Silva Tavares, ficarei com uma memória de um homem integro,
livre e determinado quanto à sua forma de estar na vida e no mundo da edição. Transporto comigo uma frase que um dia este deu a uma entrevistadora: "Eu não quero mudar o mundo, mas também não quero que este mundo que eu não gosto me mude a mim." Os livros da
sua editora eram feitos de forma personalizada, pequenos quadrados que se
destacam em qualquer instante ou mesa de café. Só havia primeiras edições, eram todos numerados e ele próprio sabia onde estavam. Que
luxo!
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