Um rumor de mar ao perto
e a breve agitação das rosas
-não aguardes outro sinal do vento
este serão sempre jardins da morte.
Caminhas entre palavras, inscrições
como nuvens baixas a teus pés. Os nomes
mais leves do que as datas
ardem ainda no lume que os sustenta,
uma lâmina abre os pulsos da infância, a mão
da criança noutra mão sobre portas há muito fechadas.
Agora, a Traurmasch de Mahler
daria o fundo musical se a estridência dos metais
não acordasse a quietação dos rostos
captados no instante que em que a câmara os deixou
abstractos para sempre
expostos à comoção alheia.
Deixa-os assim ao peso da chuva
quando já não lhes resta um óbolo que redima a solidão
e os próprios vivos se interrogam sobre o desamparo
que será o deles no tempo de enfrentarem o silêncio
a sua desolação irreparável.
(Janeiro de 2021)
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