É mais forte que o tabaco da Maia!
segunda-feira, 23 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
Sexta-feira de Rui Duarte Rodrigues
Novela
policial
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
porque
é sexta-feira
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
nevoeiro
na cidade
porque é sexta-feira
na
vida
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
porque é sexta-feira
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial
porque
é sexta-feira
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you have
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you have
(Konitz/Mulligan)
in "Com Segredos e Silêncios", 1994.
quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
Márcio Vilela: Previsão de Deriva
![]() |
| Previsão de Deriva no Arquipélago - CAC https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
O artista visual esteve à deriva 56 horas numa balsa salva-vidas a 7 milhas da costa, ainda que monitorizado pela marinha, pela Autoridade Marítima Nacional (AMN) e pelo Comando da Zona Marítima dos Açores -Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC).
Desta feita, “Previsão de Deriva” incita à reflexão, um apelo à imaginação e ao mergulho existencial, pois tal como escreve José Maçãs de Carvalho no texto de apresentação: “Estar à deriva é estar entre a imprevisibilidade e a liberdade absoluta, num lugar fora. Fora de controlo e do conforto num teste à capacidade de enfrentar aquilo que nos é estranhamente familiar”.
Esta exposição, patente no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas até ao dia 14 de Junho, é uma proposta da Curadoria de Artes Visuais de Ponta Delgada 2026, Capital da Cultura. Atentemos, pois, às belíssimas imagens deste oceano atlântico e mar largo que temos pela frente.
terça-feira, 17 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
24 Frames: O Adeus às Imagens
Abbas Kiarostami despediu-se do cinema há dez anos e durante a sua existência foi também um apaixonado pela pintura.
Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.
Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.
sábado, 14 de março de 2026
Teresa Pereira: Fitas do Devir
![]() |
| Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas Sábado, dia 14, 16 horas. Daqui: https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
sexta-feira, 13 de março de 2026
Ante - Primavera de Gastão Cruz
Antes de Maio quando florirá
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá
há-de o poema dizer que não há sal
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá
há-de o poema dizer que não há sal
que para sempre salgue a terra Já
terá a Primavera virtual
nascido em folhas novas Haverá
pássaros que regressam ao beiral
abandonado como nos dizia
nos livros de leitura aprisionada
em tempos de incerta poesia
Antes que a roxa flor cubra a entrada
do verão sob a luz do meio-dia
dá folhas o arbusto na estrada
in "Os Poemas", Assírio&Alvim, 2009.
quarta-feira, 11 de março de 2026
terça-feira, 10 de março de 2026
Testemunha Poliglota
Castelhano: Testigo
Italiano: Testimonia
Francês: Temoin
Alemão: Zugge
Inglês: Witness
Polaco: świadek
Sueco: Bevittna
Eslovaco: Svedok
segunda-feira, 9 de março de 2026
domingo, 8 de março de 2026
sábado, 7 de março de 2026
Poemas Pré-Primaveris de Naná da Ribeira
Fole e Folia
À mesma hora o mesmo dia
Afazer rotina calculada
Foi-se o fole vaga folia
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço
Desfeito lance transcendência
Respiro firme quase asfixia
Afazer rotina calculada
Foi-se o fole vaga folia
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço
Desfeito lance transcendência
Respiro firme quase asfixia
O sossego não redime só magoa
Em magna alegria por ferver
Em magna alegria por ferver
Soro e Sopro
Sobrevive no eterno presente
O alimento de vida mastigado
Anémonas cavadas flores do mar
Curso de memórias trituradas
Nativos extasiados entorpecidos
Aquecem o balão bem lá no ar
Neste sopro que viaja mais lento que
a luz
Anémonas cavadas flores do mar
Curso de memórias trituradas
Nativos extasiados entorpecidos
Aquecem o balão bem lá no ar
Neste sopro que viaja mais lento que
a luz
sexta-feira, 6 de março de 2026
Acende de Thurston Moore
Chego acreditando na tua luz
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade
Acende o teu feixe de televisão
Liga-te à noite do anjo
Liga-te à noite do anjo
Acende o sonho da rádio
Acende a tua luz divina
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade
Acende o teu feixe de televisão
Liga-te à noite do anjo
Liga-te à noite do anjo
Acende o sonho da rádio
Acende a tua luz divina
in »Rock N Roll Consciência« - Letras, Tipografia Micaelense, Tradução de Sara Coutinho, Ponta Delgada, Açores, 100 exemplares.
quinta-feira, 5 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Sal e Pele de Naná da Ribeira
Previsível reunião de sal e pele
Avançou no estio à beira-mar
Guardadas distâncias só
vontades
Bocas gretadas no calor
a degustar
Céu lavado com árvores na amurada
Vaivém aflito de ondas a quebrar
Face e inquietude que
tudo absorve
No ribombar da espuma
interminável
Postal da Exposição no CAC
O que Permanece: Memória do Edifício
ARQUIPÉLAGO
ARQUIPÉLAGO
Centro de Artes Contemporâneas
Fevereiro- Dezembro, 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
Afonso Dorido: Catarse no Colégio!
Estamos
em 2026, Ponta Delgada é a Capital Nacional da Cultura e a Igreja do Colégio é
o palco escolhido para o músico Afonso Dorido, Homem em Catarse, apresentar o
seu trabalho que já leva uma década de projectos musicais.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
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