tenho saudades tuas
sexta-feira, 3 de abril de 2026
A Voz de Hind Rajab: Alta Tensão
Kauother Ben Hania, cineasta tunisina, realizou este filme em torno de uma gravação de setenta minutos de uma criança palestiniana que, após fuga e disparos sobre a sua família numa viatura, no norte de Gaza, apela à ajuda dos elementos do Crescente Vermelho Palestiniano, em Ramallah. Assistimos, assim, à possível reprodução dos momentos finais da sua existência e à tentativa da equipa de socorristas, via telefone, em mantê-la viva. segunda-feira, 30 de março de 2026
Douta identidade na continuidade
cai na montra da frutaria,
vencedora de concursos,
expondo o burro e a sua fruta.
Olhar fixo, leio:
- "TÁ AÍ, MAS AGE".
Age?
Age, mantém a identidade:
- O elogio e apalpação da fruta.
segunda-feira, 23 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
Sexta-feira de Rui Duarte Rodrigues
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
porque é sexta-feira
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you are
quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
Márcio Vilela: Previsão de Deriva
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| Previsão de Deriva no Arquipélago - CAC https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
O artista visual esteve à deriva 56 horas numa balsa salva-vidas a 7 milhas da costa, ainda que monitorizado pela marinha, pela Autoridade Marítima Nacional (AMN) e pelo Comando da Zona Marítima dos Açores -Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC).
Desta feita, “Previsão de Deriva” incita à reflexão, um apelo à imaginação e ao mergulho existencial, pois tal como escreve José Maçãs de Carvalho no texto de apresentação: “Estar à deriva é estar entre a imprevisibilidade e a liberdade absoluta, num lugar fora. Fora de controlo e do conforto num teste à capacidade de enfrentar aquilo que nos é estranhamente familiar”.
terça-feira, 17 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
24 Frames: O Adeus às Imagens
Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.
sábado, 14 de março de 2026
Teresa Pereira: Fitas do Devir
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| Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas Sábado, dia 14, 16 horas. Daqui: https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ |
sexta-feira, 13 de março de 2026
Ante - Primavera de Gastão Cruz
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá
há-de o poema dizer que não há sal
que para sempre salgue a terra Já
terá a Primavera virtual
nascido em folhas novas Haverá
pássaros que regressam ao beiral
abandonado como nos dizia
nos livros de leitura aprisionada
em tempos de incerta poesia
Antes que a roxa flor cubra a entrada
do verão sob a luz do meio-dia
dá folhas o arbusto na estrada
quarta-feira, 11 de março de 2026
terça-feira, 10 de março de 2026
Testemunha Poliglota
segunda-feira, 9 de março de 2026
domingo, 8 de março de 2026
sábado, 7 de março de 2026
Poemas Pré-Primaveris de Naná da Ribeira
Fole e Folia
Afazer rotina calculada
Foi-se o fole vaga folia
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço
Desfeito lance transcendência
Respiro firme quase asfixia
Em magna alegria por ferver
Soro e Sopro
Anémonas cavadas e flores do mar
Curso de memórias trituradas
Nativos extasiados entorpecidos
Aquecem o balão bem lá no ar
Neste sopro que viaja mais lento que
a luz
sexta-feira, 6 de março de 2026
Acende de Thurston Moore
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade
Acende o teu feixe de televisão
Liga-te à noite do anjo
Liga-te à noite do anjo
Acende o sonho da rádio
Acende a tua luz divina
quinta-feira, 5 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Sal e Pele de Naná da Ribeira
Previsível reunião de sal e pele
Avançou no estio à beira-mar
Guardadas distâncias só
vontades
Bocas gretadas no calor
a degustar
Céu lavado com árvores na amurada
Vaivém aflito de ondas a quebrar
Face e inquietude que
tudo absorve
No ribombar da espuma
interminável
Postal da Exposição no CAC
ARQUIPÉLAGO
segunda-feira, 2 de março de 2026
Afonso Dorido: Catarse no Colégio!
O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana.
Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Querida Bicicleta, não te chamarei velocípede
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| Samuel Becket Fotografia: Gisèle Freund |
Samuel Beckett, in De Bicicleta, Antologia de Textos, Relógio D´Água, 2012.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Ladrões de Bicicletas
«Bom, onde param, esta manhã, os ladrões?»
Aforismo de Karmelo C. Iribaren
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
O que permanece: memória do edifício.
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| Centro de Artes Contemporâneas Ribeira Grande Fevereiro - Dezembro, 2026 |
“Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Arte Poética III de Inês Lourenço
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Lubo de Giorgio Diritti
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| Filme de Giorgio Diritti, 2024 |
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Das Relações
Nos supermercados não temos de falar com ninguém, na net não temos de relacionar com outras pessoas...É perigoso para a democracia e para a saúde mental.
David Byrne, Expresso Revista, 12 de Fevereiro de 2026.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Da Estranheza
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Vem Lobo!
"Não é o rio que transborda, são as casas que foram sendo construídas no leito da cheia, não é o mar que se mostra bravio, são as pessoas que insistem em construir onde isso nunca deve ser feito. Não é a mata que arde, são as povoações que deixaram de estar cercadas por hortas e arvoredo mais resistentes, mas algo distantes. Enfim, gritar "Vem Lobo" não parece ser suficiente e voltar a estudar Geografia devia ser mais que obrigatório. "
sábado, 14 de fevereiro de 2026
A Incrível História do Carteiro Cheval
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| Imagem daqui: https://www.cinemacity.pt/ Filme de Nils Tavernier, 2018 |
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Stéphane Hessel: Empenhai-vos!
Trata-se dum anseio propositivo sobre o futuro das sociedades em que vivemos, uma cogitação viva sobre os direitos humanos face à condição actual do mundo. Já passaram quinze anos sobre esta edição, o livro foi editado em 2011, muito antes de uma pandemia e de uma guerra às portas da Europa e outra dentro dela, mas vale a pena pensarmos com alguém que se manifestou sempre e colocou o seu empenho na defesa da dignidade e liberdades humanas.
Pequeños Grandes Momentos
Viajar en tren
con la vista
en el paisage
deseando
no llegar todavia
a tu lugar de destino
para que la felicidad
no empiece
a terminarse…
Karmelo C. Iribaren
Pensar
Pensar de pernas para o ar é uma grande maneira de pensar com toda a gente a pensar como toda a gente ninguém pensava nada diferente.
Manuel António Pina
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Parece que Estou a Mais de Denys Arcand
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| Poster: https://www.magazine-hd.com/ |
O filme termina quando pressentimos na narração de Jean Michel uma nova coloração sentimental pois este descobre-se enamorado por Suzanne, ao mesmo tempo que esta se aproxima de uma filha desavinda e desaparecida. No fundo, a sensação de que “Parece que Estou a Mais” foi realizado para que possamos pensar naquilo que é essencial, melhor, uma reflexão pertinente de que ainda podemos recomeçar a viver mesmo que nos encontremos no Inverno das nossas vidas.
Melancolia
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Jan Johansson: Da Tradição à Pipi das Meias Altas
Num fim de tarde destas últimas festas
natalícias passadas no continente português, época propensa à revisitação dos
lares e demais reuniões afectivas, dou de caras com um jovem músico, filho de
velhos amigos de juventude, constatando que este vive agora na Suécia,
residindo e trabalhando neste país escandinavo há já algum tempo, tendo, inclusive, constituído prole com cônjuge originária. Enquanto ele preparava os acordes de
guitarra para se juntar a outros músicos, assinalo de raspão o nome do músico
sueco Jan Johansson, mostrando algum conhecimento sobre o mesmo. Eis,
então, que ele solta as primeiras notas de “Visa Från Utanmyra”, tema
tradicional na versão de tão aclamado e malogrado pianista, vítima de acidente
de aviação quando tinha apenas 37 anos idade, perto de Sollentuna, aquando de
uma reunião com outros músicos no percurso da viagem a um concerto em
Jönköping. Subitamente, um conjunto de memórias assaltam-me, impondo-se naquele
instante um ambiente melancólico e nostálgico.
Recue-se, assim, a 2009, aquando de uma visita estival a Vrå, na região de Halland, Suécia, ao reencontro de um navegador solitário, primeiro “cliente” da marina da minha cidade natal – D.S. Numa dessas noites brancas e, sem ter apercebido da relevância do momento, este presenteou o serão com a audição do álbum “Jazz på Svenska”, conjunto de músicas tradicionais daquele país tocadas ao piano e contrabaixo em jazz modal. Só muito tempo depois, se dá o conhecimento que este é o disco sueco mais difundido e vendido até aos nossos dias. Entretanto, outra descoberta, Jan Johansson realizou também a música para o filme “Pippi Långstrump (“Pipi das Meias Altas”), com letras da autora e criadora da personagem, Astrid Lindgren. Tudo normal até aqui, e, por isso, apenas referir que “Pipi das Meias Altas” é, certamente, uma das recordações cinematográficas mais intensas e bem-dispostas das matinés de cinema daqueles verões à beira-mar carregados de nortada.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Da Felicidade
sábado, 31 de janeiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Desenho Guia de Sara Chang Yan
Do Poder
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Guarda Rios
dentro de nós
O Céu, a Terra, o Vento Sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...
O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
que não pode ser mais que nomeado.
Do Prazer
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Postal para W.H
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| Autor: isla.art.açores |
Foram muitos filmes, cerca de três dezenas, quase todos eles ligados a estas paisagens reconhecíveis. Dez minutos era o limite proposto com gente ligada ao cinema oriunda de todo o mundo e que aqui aportou durante nove a dez dias. As propostas iam sendo vistas pela audiência que enchia a sala. No final de cada filme, o velho cineasta alemão comentava, elogiava, apontava críticas e caminhos. O seu inglês era fluente, o discurso eloquente, firme e escorreito, a ironia expressiva. Uma honra podê-lo ouvir falar de cinema no Teatro Ribeiragrandense, mesmo que tenha dito que os cagarros se encontrem extintos. Um verdadeiro acontecimento que, desconfio, pouca gente da ilha se deu conta. Era ainda muito jovem quando vi o "Fitzcarraldo" pela primeira vez naquela sala do Casino da Figueira da Foz, no seu mítico festival. Não foi preciso que ninguém me dissesse nada para pressentir a beleza e grandeza da obra de Werner Herzog, e que venceu o prémio de melhor realização em Cannes, em 1982. O filme dá conta da loucura de Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) ao edificar uma ópera em plena selva amazónica e que para isso transportou um barco a vapor por um monte, atravessando a selva para materializar esse sonho. É a paixão por Enrico Caruso que leva o protagonista a lançar-se naquela empreitada, transformando aquelas filmagens numa aventura carregada de desafios e intensidade.
Algumas décadas depois, escrevo este “postal” para um cineasta de 83 anos, ao qual nunca cheguei pensar ter esta oportunidade de ouvi-lo falar sobre filmes de jovens cineastas, o facto de pressentir a sua cinefilia, imaginar os modos e visões do seu cinema e ainda presenciar a sua radicalidade. Agradecido, pois que fique bem claro. E, tal, como nos postais, “até um dia destes, um abraço!”
sábado, 24 de janeiro de 2026
Na Língua da Maré
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| Crónicas de mar de de mareantes Hélder Luís (Fotografia) Abel Coentrão (Texto) Mútua dos Pescadores, 2022/2023 |
Vale
a pena perceber a dimensão este projecto ambicioso que percorre a vida das colectividades
piscatórias do norte até ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira. Com texto de Abel Coentrão e fotografia de Hélder Luís é muito raro encontrarmos um trabalho tão alargado e diversificado e ainda tão bem documentado nas suas imagens.
"Na Língua da Maré – Crónicas de Mar e de Mareantes” é uma longa viagem em
torno dos conhecimentos marítimos ancestrais e que evoca o 80.º aniversário da
Mútua dos Pescadores, financiadora do projecto.
Esta obra, editada em 2022,
pretende ainda alargar todos os campos possíveis onde a cultura do mar se tem expandindo nos anos mais recentes, com referências
óbvias à ciência, investigação, inovação e turismo. Um trabalho e leitura dignas!
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Vozes de K. P. Kaváfis
daqueles que morreram, ou daqueles que
para nós se perderam como os mortos.
Por vezes falam-nos em sonhos,
por vezes ouve-as o pensamento.
E em seu som regressam por um instante
ecos da primeira poesia da nossa vida -
qual música distante, apagando-se na noite.
Sobre Gente Feliz com Lágrimas
Não me importo nada de ser o autor de Gente Feliz com Lágrimas, sobretudo agora que o reli. Não voltarei a dizer que não é o meu livro preferido. É um marco no meu percurso que me deixa orgulhoso. É a história da minha vida como ilhéu e açoriano, a história dos que, durante o salazarismo, recusaram o fechamento e saíram em busca do seu mundo.
João de Melo, entrevista a Luís Ricardo Duarte, Ípsilon, 5 de Dezembro de 2025.
Em Escuta
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Eu Cantarei de Amor Tão Docemente
por uns termos em si tão concertados,
que dous mil acidentes namorados
faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente
pintando mil segredos delicados,
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente
Sobre a Origem do Universo
domingo, 18 de janeiro de 2026
Ocasional Alvejar de Jorge Kol
Ont´ agora era Natal,
e flanêur para o Sal
sol, mar e vendaval,
máquina no bornal.
Rastreia o areal,
a habitação social,
fixa Mara residência ou residencial?
Interroga-o o mural:
- Não é Alojamento Local!
Nem Residência Amaral!
Então, o que será afinal?
Doutor Mara negócio estival?
Jorge Kol, em época vinte e tal, de eleição presidencial, no ano de dois mil e tal.
Soma de K.P.Kaváfis
Uma alegria porém guardo sempre no espírito -
que da grande soma (essa soma deles, que eu detesto)
composta por tantos números, não faço parte; não sou eu
uma unidade entre as demais. Não me calculam
no valor total. Essa alegria me basta.
(1897)
in "Aquele Belo Rapaz - Poesia Completa", Assìrio&Alvim, Novembro de 2025.
Em Escuta...
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| Rainy Sunday Afternoon, 2025 The Divine Comedy |
“Rainy
Sunday Afternoon" foi lançado no final do verão passado e que, doze álbuns
depois, trata-se do regresso aos estúdios de gravação desta banda irlandesa. O
vocalista Neil Hanon já leva trinta anos no activo e continua a demonstrar a
sua vitalidade em canções como “The Man Who Turned Into A Chair”, “Achiles”, “Rainy Sunday Afternoon”,
sendo a favorita - ‘The Heart is a Lonely Hunter’. Um disco de belíssimas
canções para escutar numa tarde chuvosa de domingo.
sábado, 17 de janeiro de 2026
Da Democracia
Catarina Valadão, in Açoriano Oriental, dia 17 de Dezembro de 2026.
Jardim de Inverno
Origem de Janeiro
É o mês que os romanos consagraram ao deus Jano. Dividade antiquíssima, de origem ignota, tem-se como filho de Apolo e Creusa, provavelmente oriundo de Atenas. (...) Etimologicamente, Ianus significava «passagem», («Janela» tem origem em januellla, dimintivo de janua, «porta de entrada, acesso»).
Orlando Neves, in Dicionário do nome das coisas e outros epónimos, Notícias Editorial.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Baloiço nas Caixas do Correio
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| Fotografia: Ester Gutzovà |
A deslocação é, pois, ao edifício dos correios para enviar um conjunto de “Baloiços” a todos aqueles que aqui não habitam e que não puderam estar na apresentação desse pequeno livro de poesia no Festival Bom Colesterol. Foram muitos? Alguns. Será que os livros ainda chegarão este mês? Aguardemos de forma esperançosa que sim.
Na verdade, continuemos a escrever postais, cartas, façamos encomendas e partilhemos coisas de que nos orgulhamos e gostamos. Temos todas e mais algumas razões para continuarmos a fazê-lo e que poderíamos fazê-lo ainda mais de forma vasta e muito mais profunda. É que é sempre tão surpreendente abrir a caixa dos correios. Basta vontade!

































