sexta-feira, 3 de abril de 2026

Verso de A Garota Não

 tenho saudades tuas

Provérbio

 Abril, ora chora, ora ri

A Voz de Hind Rajab: Alta Tensão

  Kauother Ben Hania, cineasta tunisina, realizou este filme em torno de uma gravação de setenta minutos de uma criança palestiniana que, após fuga e disparos sobre a sua família numa viatura, no norte de Gaza, apela à ajuda dos elementos do Crescente Vermelho Palestiniano, em Ramallah. Assistimos, assim, à possível reprodução dos momentos finais da sua existência e à tentativa da equipa de socorristas, via telefone, em mantê-la viva. 
   Um documento cinematográfico que vale pela pertinência de nos mostrar o horror e o absurdo da guerra num território massacrado por histórias de dor e sofrimento. A alta tensão, no entanto, por lá continua!

segunda-feira, 30 de março de 2026

Douta identidade na continuidade

 O olhar na esparsa nuvem de romeiros,
 cai na montra da frutaria,
vencedora de concursos,
expondo o burro e a sua fruta.
Olhar fixo, leio:
- "TÁ  AÍ, MAS AGE".
Age?
Age, mantém a identidade:
 - O elogio e apalpação da fruta.

Jorge Kol de Carvalho

sexta-feira, 20 de março de 2026

Sexta-feira de Rui Duarte Rodrigues

Novela policial
solo de jazz no gramofone
na vida
tudo assim lhe digo
 
porque é sexta-feira
e o meu aborrecimento
não tem mais cabimento
neste compartimento amontoado de livros
discos jornais roupas fumo
 
nevoeiro na cidade 
porque é sexta-feira
 
na vida
tudo assim lhe digo
e endereço-lhe este poema de forma muito especial

porque é sexta-feira
duche frio, leite, bolo
novela policial
e solo de jazz no gramofone
all the things you are
(Konitz/Mulligan)

in "Com Segredos e Silêncios", 1994.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Márcio Vilela: Previsão de Deriva

Previsão de Deriva no Arquipélago - CAC
https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/
     
            “Previsão de Deriva” é um projecto de Márcio Vilela, conta já com cinco anos desde a sua ação artística e científica encetada durante uma residência artística no Pico do Refúgio, em São Miguel, Açores. O resultado é um conjunto de imagens, filmes e objetos que nos mostram a sua demanda existencial junto daquela força da natureza. 
          O artista visual esteve à deriva 56 horas numa balsa salva-vidas a 7 milhas da costa, ainda que monitorizado pela marinha, pela Autoridade Marítima Nacional (AMN) e pelo Comando da Zona Marítima dos Açores -Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC).
          Desta feita, “Previsão de Deriva” incita à reflexão, um apelo à imaginação e ao mergulho existencial, pois tal como escreve José Maçãs de Carvalho no texto de apresentação: “Estar à deriva é estar entre a imprevisibilidade e a liberdade absoluta, num lugar fora. Fora de controlo e do conforto num teste à capacidade de enfrentar aquilo que nos é estranhamente familiar”. 
       Esta exposição, patente no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas até ao dia 14 de Junho, é uma proposta da Curadoria de Artes Visuais de Ponta Delgada 2026, Capital da Cultura. Atentemos, pois, às belíssimas imagens deste oceano atlântico e mar largo que temos pela frente.

domingo, 15 de março de 2026

24 Frames: O Adeus às Imagens

            Abbas Kiarostami despediu-se do cinema há dez anos e durante a sua existência foi também um apaixonado pela pintura. 
         Há muitos anos, no Curtas de Vila do Conde, foi um privilégio assistir a uma retropectiva dos seus filmes - " O Pão e a Rua", 1970 e "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", 1987 - e que dessa forma nos mantiveram atentos para o que viria a seguir: "O Saber da Cereja", Palma de Ouro em Cannes em 1997 ou o "Vento Levar-nos-á", de 1999, o pináculo na carreira de Abbas.
     O último documento cinematográfico de Kiarostami, "24 Frames", a película que nos foi dada a possibilidade de assistir na noite de ontem, foi exibida a título póstumo e mostra-nos o elevado gosto pela fotografia e pela pintura do realizado iraniano. A partir das suas próprias fotografias e da sua interpretação de um quadro de Bruegel, Kiarostami trabalha a animação das imagens a seu bel prazer, reflectindo sobre os elementos naturais, a humanidade, o tempo que passa, o antes e o depois de cada frame no trabalho de composição. No fundo, um exercício sobre as origens e o futuro do cinema.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Ante - Primavera de Gastão Cruz

Antes de Maio quando florirá 
na rápida viagem tropical
o roxo ramo do jacarandá 
há-de o poema dizer que não há sal

que para sempre salgue a terra Já
terá a Primavera virtual
nascido em folhas novas Haverá 
pássaros que regressam ao beiral

abandonado como nos dizia 
nos livros de leitura aprisionada
em tempos de incerta poesia 

Antes que a roxa flor cubra a entrada 
do verão sob a luz do meio-dia 
dá folhas o arbusto na estrada 

in "Os Poemas", Assírio&Alvim, 2009.

Ontem, escrito numa parede da cidade

 A primeira vez que ouvi morna chorei

quarta-feira, 11 de março de 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

Testemunha Poliglota


Português: Testemunha 
Castelhano: Testigo
Italiano: Testimonia 
Francês: Temoin 
Alemão: Zugge 
Inglês: Witness 
Polacoświadek
Sueco: Bevittna
Eslovaco: Svedok

IAC: Edição de Meu Poema é Isto

Meu Poema é Isto
de Rui Duarte Rodrigues
14 de Março, 18h30
Galeria do IAC


 

sábado, 7 de março de 2026

Poemas Pré-Primaveris de Naná da Ribeira

 Fole e Folia 

À mesma hora o mesmo dia
Afazer rotina calculada 
Foi-se o fole vaga folia 
Prender à casa arrastar o corpo
Nada se alcança mínimo esforço 
Desfeito lance transcendência 
Respiro firme quase asfixia 
O sossego não redime só magoa
Em magna alegria por ferver 

Soro e Sopro

Sobrevive no eterno presente 
O alimento de vida mastigado
Anémonas cavadas e flores do mar 
Curso de memórias trituradas 
Nativos extasiados entorpecidos 
Aquecem o balão bem lá no ar 
Neste sopro que viaja mais lento que 
a luz

sexta-feira, 6 de março de 2026

Acende de Thurston Moore

Chego acreditando na tua luz 
O doce receptor na tua mente
Aumenta-o completamente 
Ouvir-te a chegar e a salvar o dia
É sonoro e claro o teu sinal, querida
Acende-o e tira-nos daqui 
Aumenta-o, estamos no vermelho
Traz-nos de volta à livre divindade 
Acende o teu feixe de televisão 
Liga-te à noite do anjo 
Liga-te à noite do anjo 
Acende o sonho da rádio 
Acende a tua luz divina

in »Rock N Roll Consciência« - Letras, Tipografia Micaelense, Tradução de Sara Coutinho, Ponta Delgada, Açores, 100 exemplares.

terça-feira, 3 de março de 2026

Não nos livramos da Guerra!

La Razon: diário de Madrid.
Tiragem: 41 mil exemplares.
 

Sal e Pele de Naná da Ribeira

Previsível reunião de sal e pele

Avançou no estio  à beira-mar

Guardadas distâncias só vontades

Bocas gretadas no calor a degustar

Céu lavado com árvores na amurada

Vaivém aflito de ondas a quebrar

Face e inquietude que tudo absorve

No ribombar da espuma interminável

Postal da Exposição no CAC

    O que Permanece: Memória do Edifício
                 ARQUIPÉLAGO
      Centro de Artes Contemporâneas 
            Fevereiro- Dezembro, 2026

segunda-feira, 2 de março de 2026

Afonso Dorido: Catarse no Colégio!

        Estamos em 2026, Ponta Delgada é a Capital Nacional da Cultura e a Igreja do Colégio é o palco escolhido para o músico Afonso Dorido, Homem em Catarse, apresentar o seu trabalho que já leva uma década de projectos musicais.
       O concerto deste músico, nascido e criado em Barcelos e a viver actualmente em Braga, abriu com “Paredes em Flor”, do álbum "Catarse Natural", lançado em 2024. A viagem sonora prosseguiu com  “Mergulho no Cávado”, “Depois do Vendaval”, tocado pela primeira vez ao vivo, “O Tempo Vem Atrás de Nós”, tema de complexa execução técnica e propulsão sonora, onde este explora diferentes territórios da guitarra e da própria voz. Desta feita, voz e guitarra iam, assim, povoando de forma discreta e etérea a Igreja do Colégio, sempre em crescendo seguido de uma trilogia de canções a tocar nos assuntos da actualidade - “Gueto da Paz”, “Padrão dos Encobrimentos” ou “Hipoteca”, sendo esta última um hino ao terrível problema da habitação que perpassa a sociedade contemporânea. O espectáculo fechou com “Guarda”, um tributo à cidade da Beira Alta, que mais parecia um lamento sincero e amargo sobre esse interior invisível e esquecido dos poderes públicos, tendo tido, por isso, aplausos de pé de toda a plateia açoriana. 
        Num momento em que a tendência é para a fruição dos objectos culturais em espaços domésticos, eis que nos próximos meses do ano o convite é para nos reunirmos nos espaços culturais da cidade, sejam eles onde forem, sendo este concerto um tónico e 
agradável prenúncio de tudo o que ainda pode estar a caminho.  

Provérbio

Em Março, tanto durmo quanto faço 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Em Escuta...

Catarse Natural, 2024
Homem em Catarse 
 

Querida Bicicleta, não te chamarei velocípede

Samuel Becket
Fotografia: Gisèle Freund
          Assim, levantei-me, ajustei as muletas e fui para a estrada, onde encontrei a minha bicicleta (olha, disso é que eu não estava mesmo à espera!) no mesmo sítio onde tinha sido obrigado a deixá-la. Isso permitiu-me comprovar que, embora estivesse todo estropiado, nessa altura ainda  sentia um certo prazer em andar de bicicleta. Era assim que eu fazia: prendia as muletas, uma de cada lado, à barra superior do quadro; enganchava  o pé da perna rígida (não me lembro de qual era, porque agora estou inválido das duas) na saliência do eixo da roda da frente e pedalava com a outra. Era uma bicicleta acatène, de roda livre, se é que isso existe. Querida bicicleta, não te chamarei de velocípede, estavas pintada de verde, como tantas outras bicicletas do teu género, nem sei porquê. Lembro-me muito bem dela. Terei todo o gosto em descrevê-la. Tinha um pequeno corne ou trompa em vez da campainha que agora está na moda. Accionar uma buzina destas era para mim um verdadeiro prazer, quase uma volúpia.

Samuel Beckett, in De Bicicleta, Antologia de Textos, Relógio D´Água, 2012.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ladrões de Bicicletas

  Quanto à repressão dos furtos das bicicletas e quanto à vigilância, isto é, quanto à polícia, ouçam o seguinte: esta manhã, antes de ir à Porta Portese, passei pela Piazza del Monte. Apesar de saber que, ao domingo, a praia está completamente vazia de ladrões, quis confirmá-lo pessoalmente. Efectivamente, a praça estava vazia. Apenas se via, hirto a um canto, um melancólico polícia municipal fardado. Estava com um pé apoiado no degrau de uma porta de entrada. Parecia um bêbado matinal. À janela, uma rapariga, uma rameira, conversava com ele; utilizando, com as mãos, o alfabeto figurado dos surdo-mudos e dos presos. Tive vontade de troçar dele e aproximei-me para lhe perguntar, sem mais nem menos, o seguinte: 
«Bom, onde param, esta manhã, os ladrões?»

Aforismo de Karmelo C. Iribaren

    Preciso de uns sapatos novos urgentemente, os que tenho levam-me sempre aos mesmo sítios
Tradução livre

Verso de Zeca Veloso

 A manhã já se aproxima

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O que permanece: memória do edifício.

Centro de Artes Contemporâneas
Ribeira Grande

Fevereiro - Dezembro, 2026
         Quem assiste a esta exposição no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, para lá do itinerário expositivo que nos é dado por Miguel Leal, depara-se com um programa de televisão da RTP, gravado em 1978, intitulado “Tabaqueiros e Tabaqueiras”, realizado pelo Centro Português de Cinema. É mais um documento histórico de grande relevância gravado neste território em torno dos labores agrícolas aqui efectuados. Desta feita, tratou de documentar os contextos laborais de jovens, rapazes e raparigas, que contribuíram para a existência da indústria tabaqueira na Ilha de São Miguel, mais concretamente na zona da Ribeira Grande.
       “Eduarda Moniz Pereira, 16 anos de idade, moro na Rua da Praia, nº36. Trabalho aqui, estou nos primeiros dias, não sei quanto ganho, porque estou aqui há três dias. Enfio tabaco, quando acabar de enfiar tabaco, vou-me sentar”, afirma uma das raparigas intervenientes no vídeo numa pausa do seu trabalho. Quase meio século depois, descobre-se agora que a senhora Eduarda é técnica auxiliar educativa numa escola da Ribeira Grande e que desconhecia a sua presença nesta memória evocativa de tão renomado edifício, em exibição na sua entrada até ao final do ano de 2026.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Arte Poética III de Inês Lourenço

O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
alguns métodos de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras 
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam 
pela carpintaria dos versos. 


in Um Quarto com Cidades ao Fundo (poesia reunida.1980-2000), Quasi Edições. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Verso de Paolo Conte

 Chissà chissà la nave passerà

Lubo de Giorgio Diritti

Filme de Giorgio Diritti, 2024

     Lubo Moser (Franz Rogowski) é um errante tal como a sua família durante a segunda guerra mundial. Ele é um artista que anda de cidade em cidade a animar as populações. Este, muito embora pertença à etnia cigana ieniche, é integrado à força no exército suíço para proteger as fronteiras. Enquanto é integrado, recebe a notícia que a sua companheira foi morta enquanto protegia os seus descendentes menores ao mesmo tempo que estes eram assimilados no programa eugenista “Kinder der Landstrasse”. A partir daqui, Lubo torna-se um “contra mundum”, vivendo uma vida desesperada, lutando até ao fim pela sobrevivência e recuperação do afeto dos filhos. Uma ode aos sentimentos profundos e dignidade humana, com uma excelente banda sonora. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Das Relações

    Nos supermercados não temos de falar com ninguém, na net não temos de relacionar com outras pessoas...É perigoso para a democracia e para a saúde mental.

David Byrne, Expresso Revista, 12 de Fevereiro de 2026.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Verso dos Orquestrada

Enfio-me nas ruas atiro os olhos ao chão

Vem Lobo!

      "Não é o rio que transborda, são as casas que foram sendo construídas no leito da cheia, não é o mar que se mostra bravio, são as pessoas que insistem em construir onde isso nunca deve ser feito. Não é a mata que arde, são as povoações que deixaram de estar cercadas por hortas e arvoredo mais resistentes, mas algo distantes. Enfim, gritar "Vem Lobo" não parece ser suficiente e voltar a estudar Geografia devia ser mais que obrigatório. "

Francisco Maduro Dias, in Açoriano Oriental, dia 16 de Fevereiro de 2026. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A Incrível História do Carteiro Cheval

Imagem daqui: https://www.cinemacity.pt/
Filme de Nils Tavernier, 2018
  Será que a dedicação, o amor, a obsessão, as causaus maiores da razão de existir? 
    Nils Tavernier fez um filme sobre um personagem extremamente contido que emprega nos gestos e no trabalho diário o valor dos seus afectos, ainda que sob a forma naïf, como modo de transmissão e herança. Jacques Gamblin tem aqui o papel do Carteiro Cheval, figura estoica, que vive com uma mulher Philomène, Laetitia Casta, de uma  beleza cada vez mais surpreendente, sendo eles elementos de uma história apoiada num personagem com existência real e que nos prende até ao fim. Trata-se, assim, de um curioso documento cinematográfico  sobre as possibilidades infindáveis do amor. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Stéphane Hessel: Empenhai-vos!

      A descoberta de Stéphane Hessel  foi há mais de trinta anos, no Festival de Cinema da Figueira da Foz, por culpa do documentário, "Der Diplomat", de Antje Starost e Hans Helmut Grotjahn. Deviam ser umas cinco ou seis pessoas no interior da sala, alguns cineclubistas e outros curiosos. À altura, fiquei fascinado pela sua figura moral, pela sua presença e carisma, uma assombração de um diplomata franco e genuíno.
        Stéphane Hessel nasceu na Alemanha, em 1917, emigrou para França com apenas  cinco anos e naturalizou-se francês em 1937, tornando-se embaixador e diplomata ao longo da vida, tendo pertencido à resistência francesa durante a Segunda Guerra e onde desempenhou as funções de agente do Bureau Central et Renseignements et  d´Action, os serviços de inteligência francesa.
      Regressemos, pois, ao livro “Empenhai-vos”, da Planeta Editora, que consiste numa entrevista de Gilles Vanderpooten a Stéphane Hessel  e, em que este a determinada altura afirma:  “Aqui a palavra “consciência ética” deve tornar-nos sensíveis ao facto de que o que fazemos hoje tem repercussões para os que vierem a seguir. É bom que que reflitctamos e que façamos os possíveis para que as gerações seguintes  possam prosseguir a felicidade das suas existências.”
       Trata-se dum anseio propositivo sobre o futuro das sociedades em que vivemos, uma cogitação viva sobre os direitos humanos face à condição actual do mundo. Já passaram quinze anos sobre esta edição, o livro foi editado em 2011, muito antes de uma pandemia e de uma guerra às portas da Europa e outra dentro dela, mas vale a pena pensarmos com alguém que se manifestou sempre e colocou o  seu empenho na defesa da dignidade e liberdades humanas.

Pequeños Grandes Momentos

Viajar en tren

con la vista

en el paisage

 

 deseando

no llegar todavia

a tu lugar de destino

 

para que la felicidad

no empiece

a terminarse… 

Karmelo C. Iribaren

Pensar

    Pensar de pernas para o ar é uma grande maneira de pensar com toda a gente a pensar como toda a gente ninguém pensava nada diferente.

Manuel António Pina 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Parece que Estou a Mais de Denys Arcand

Poster: https://www.magazine-hd.com/

       O filme “Parece que Estou a Mais” do realizador canadiano, Denys Arcand, autor de “Declínio do Império Americano”, 1986, e “Invasões Bárbaras”, 2003, começa com a narração de um homem  idoso, que se encontra sozinho a viver num lar moderno e onde  o seu entusiasmo existencial vai declinando a cada dia que passa com a visita a cemitérios e a perda dos seus amigos mais próximos. Durante a sua estadia no lar, Jean Michel (Rémy Girard) dá de caras com Suzanne (Sophie Lorain), a administradora, com quem desenvolve uma relação delicodoce e  conflitual. Pelo meio, constata a chegada e a parada de manifestantes junto do jardim da instituição, passando a reivindicar a retirada de uma obra de arte ofensiva às primeiras nações. Denys Arcand serve-se do humor e da velhice para criticar implicitamente o politicamente correcto da sociedade canadiana e ainda para ridicularizar a polarização cultural em que estamos submersos. 
        O filme termina quando pressentimos na narração de Jean Michel uma nova coloração sentimental pois este descobre-se enamorado por Suzanne, ao mesmo tempo que esta se aproxima de uma filha desavinda e desaparecida. No fundo, a sensação de que “Parece que Estou a Mais” foi realizado para que possamos pensar naquilo que é essencial, melhor, uma reflexão pertinente de que ainda podemos recomeçar a viver mesmo que nos encontremos no Inverno das nossas vidas.

Melancolia

     Palavra normalmente associada ao campo da medicina, identificado um estado de sofrimento indefinido. No Renascimento, ganha uma acepção nova. Marsílio Ficino (seguindo Aristóteles) associa melancolia à criação artística e à reflexão filosófica. O termo passa então  a ser utilizado para caracterizar parte da produção artística da segunda metade do século XV. Designa o sentimento de perda, que se traduz em sombras na pintura e no pessimismo existencial na criação poética. Daí resulta uma frequente associação entre o sentimento amoroso e a melancolia sob ascendência de Saturno, deus sombrio que devorou os próprios filhos. De acordo com esse pressuposto, Camões pode ser considerado um poeta melancólico. A sua obra é assinada pela privação e pelo constraste entre um tempo de felicidade (embora ilusório) e um tempo de degradação emocional, em que prevalece a ideia de impossibilidade humana de conhecer e agir. Embora a dimensão melancólica possa aplicar-se a "Os Lusíadas" (tanto no plano pessoal como no plano colectivo), é na lírica que ela se torna mais intensa. A este propósito são particularmene ilustrativas as canções IX e X. Palavras como «mágoa», «dor», «ferida», «tormento» representam o equivalente da melancolia e surgem todas em posição central no mundo camoniano e na história de vida que ele transmite.

in "Lírica de Camões - Antologia", Expresso, 30 de Janeiro de 2026.

Provérbio

 Em Fevereiro, chuva, em Agosto, uva.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Jan Johansson: Da Tradição à Pipi das Meias Altas

       Num fim de tarde destas últimas festas natalícias passadas no continente português, época propensa à revisitação dos lares e demais reuniões afectivas, dou de caras com um jovem músico, filho de velhos amigos de juventude, constatando que este vive agora na Suécia, residindo e trabalhando neste país escandinavo há já algum tempo, tendo, inclusive, constituído prole com cônjuge originária. Enquanto ele preparava os acordes de guitarra para se juntar a outros músicos, assinalo de raspão o nome do músico sueco Jan Johansson, mostrando algum conhecimento sobre o mesmo. Eis, então, que ele solta as primeiras notas de “Visa Från Utanmyra”, tema tradicional na versão de tão aclamado e malogrado pianista, vítima de acidente de aviação quando tinha apenas 37 anos idade, perto de Sollentuna, aquando de uma reunião com outros músicos no percurso da viagem a um concerto em Jönköping. Subitamente, um conjunto de memórias assaltam-me, impondo-se naquele instante um ambiente melancólico e nostálgico.

     Recue-se, assim, a 2009, aquando de uma visita estival a Vrå, na região de Halland, Suécia, ao reencontro de um navegador solitário, primeiro “cliente” da marina da minha cidade natal – D.S. Numa dessas noites brancas e, sem ter apercebido da relevância do momento, este presenteou o serão com a audição do álbum “Jazz på Svenska”, conjunto de músicas tradicionais daquele país tocadas ao piano e contrabaixo em jazz modal. Só muito tempo depois, se dá o conhecimento que este é o disco sueco mais difundido e vendido até aos nossos dias. Entretanto, outra descoberta, Jan Johansson realizou também a música para o filme “Pippi Långstrump (“Pipi das Meias Altas”), com letras da autora e criadora da personagem, Astrid Lindgren. Tudo normal até aqui, e, por isso, apenas referir que  “Pipi das Meias Altas” é, certamente, uma das recordações cinematográficas mais intensas e bem-dispostas das matinés de cinema daqueles verões à beira-mar carregados de nortada.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Desenho Guia de Sara Chang Yan

Em Quietude, a Sentir o Espaço
Curadoria: João Mourão
Desenho do livro: Júlia Garcia
Edição: Arquipélago, CAC.
 

Do Poder

       Só há uma maneira de lutar contra o poder: é sobreviver-lhe.
Francois de Voltaire (1694 -1778) Citações Famosas, Miriam Martins, Notícias Editorial, 2005.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Mapa Vulcânico

in Vulcões, 2025
Araucária Edições: https://araucaria.pt/




 

Guarda Rios

É tão difícil guardar um rio
quando ele corre 
dentro de nós

Jorge Sousa Braga, in O Poeta Nu, Assírio&Alvim, 2002.

O Céu, a Terra, o Vento Sossegado...

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
onde co vento a água se meneia,
que não pode ser mais que nomeado. 

Luís Vaz de Camões, in Lírica de Camões - Antologia, Expresso, Janeiro de 2026.

Do Prazer

   "O maior prazer que alguém pode sentir é o de causar prazer aos seus amigos."
François Voltaire (1694 -1778) in Citações Famosas, Miriam Martins, Notícias Editorial, 2005.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Postal para W.H

Autor: isla.art.açores

         Aquele postal encontrado no chão de uma rua central na principal cidade insular, era o mote para nova lembrança dos filmes vistos durante a parte da manhã deste sábado invernal. Este estava ainda com o papel de embrulho e a fita-cola a cobri-lo, algumas pequenas gotas de água tinham caído sobre a cobertura, mas não foram suficientes para o danificar. Ainda aguardei algum tempo naquela rua ventosa, mas não apareceu ninguém a quem pudesse restituí-lo. Por esse motivo, alguém, provavelmente, não escreveu para quem devia naquele fim de tarde carregado de nuvens e céu cinzento, ao contrário da imagem do postal. 
     Foram muitos filmes, cerca de três dezenas, quase todos eles ligados a estas paisagens reconhecíveis. Dez minutos era o limite proposto com gente ligada ao cinema oriunda de todo o mundo e que aqui aportou durante nove a dez dias. As propostas iam sendo vistas pela audiência que enchia a sala. No final de cada filme, o velho cineasta alemão comentava, elogiava, apontava críticas e caminhos. O seu inglês era fluente, o discurso eloquente, firme e escorreito, a ironia expressiva. Uma honra podê-lo ouvir falar de cinema no Teatro Ribeiragrandense, mesmo que tenha dito que os cagarros se encontrem extintos. Um verdadeiro acontecimento que, desconfio, pouca gente da ilha se deu conta. Era ainda muito jovem quando vi o "Fitzcarraldo" pela primeira vez naquela sala do Casino da Figueira da Foz, no seu mítico festival. Não foi preciso que ninguém me dissesse nada para pressentir a beleza e grandeza da obra de Werner Herzog, e que venceu o prémio de melhor realização em Cannes, em 1982. O filme dá conta da loucura de Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) ao edificar uma ópera em plena selva amazónica e que para isso transportou um barco a vapor por um monte, atravessando a selva para materializar esse sonho. É a paixão por Enrico Caruso que leva o protagonista a lançar-se naquela empreitada, transformando aquelas filmagens numa aventura carregada de desafios e intensidade.
       Algumas décadas depois, escrevo este “postal” para um cineasta de 83 anos, ao qual nunca cheguei pensar ter esta oportunidade de ouvi-lo falar sobre filmes de jovens cineastas, o facto de pressentir a sua cinefilia, imaginar os modos e visões do seu cinema e ainda presenciar a sua radicalidade. Agradecido, pois que fique bem claro. E, tal, como nos postais, “até um dia destes, um abraço!”

sábado, 24 de janeiro de 2026

Na Língua da Maré

Crónicas de mar de de mareantes
Hélder Luís (Fotografia)
Abel Coentrão (Texto) 
Mútua dos Pescadores, 2022/2023

Vale a pena perceber a dimensão este projecto ambicioso que percorre a vida das colectividades piscatórias do norte até ao Algarve, sem esquecer os Açores e a Madeira. Com texto de Abel Coentrão e fotografia de Hélder Luís é muito raro encontrarmos um trabalho tão alargado e diversificado e ainda tão bem documentado nas suas imagens.  
   "Na Língua da Maré – Crónicas de Mar e de Mareantes” é uma longa viagem em torno dos conhecimentos marítimos ancestrais e que evoca o 80.º aniversário da Mútua dos Pescadores, financiadora do projecto. 
      Esta obra, editada em 2022, pretende ainda alargar todos os campos possíveis onde a cultura do mar se tem expandindo nos anos mais recentes, com referências óbvias à ciência, investigação, inovação e turismo. Um trabalho e leitura dignas! 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Vozes de K. P. Kaváfis

Vozes amadas e ideais 
daqueles que morreram, ou daqueles que 
para nós se perderam como os mortos.

Por vezes falam-nos em sonhos,
por vezes ouve-as o pensamento.

E em seu som regressam por um instante 
ecos da primeira poesia da nossa vida - 
qual música distante, apagando-se na noite.
(1904)

in Aquele Belo Rapaz - Poesia Completa, Assírio & Alvim, Novembro de 2025.

Verso dos Capitão Fausto

 É sempre possível continuar a fingir 

Sobre Gente Feliz com Lágrimas

       Não me importo nada de ser o autor de Gente Feliz com Lágrimas, sobretudo agora que o reli. Não voltarei a dizer que não é o meu livro preferido. É um marco no meu percurso que me deixa orgulhoso. É a história da minha vida como ilhéu e açoriano, a história dos que, durante o salazarismo, recusaram o fechamento e saíram em busca do seu mundo. 

João de Melo, entrevista a Luís Ricardo Duarte, Ípsilon, 5 de Dezembro de 2025.

Em Escuta

    Will  Butler lançou “Policy” em 2015, o primeiro álbum de originais. Will, quase sempre apresentado por ser o irmão mais novo do vocalista dos Arcade Fire, Win Butler, é dado a improvisações e outras liberdades criativas, sendo também conhecido por tocar guitarra, baixo, percussão. Seis anos depois deste disco, deixaria os Arcade Fire em 2021, para se dedicar a vários projectos, tendo editado o seu terceiro disco de originais, “Sister Squares”, em 2023. Deste primaveril e debutante “Policy”, ficam no ouvido canções como “Take My Side”, uma rockalhada irónica e divertida, “Anna”, tema de fácil e alegre trauteio, a balada sentimental “Finish What I Started” ou a sentimental "Sing To Me". Este disco é música pop de valor acrescentado e  vale bem uma audição repetida e partilhada. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Eu Cantarei de Amor Tão Docemente

Eu cantarei de amor tão docemente
por uns termos em si tão concertados,
que dous mil acidentes namorados 
faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente 
pintando mil segredos delicados, 
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente
 

Camões in Lírica Camões - Antologia, Expresso, dia 19 de Dezembro de 2026.

Sobre a Origem do Universo

    Um dos problemas complexos que poderia elucidar-nos sobre a razão pelo qual o mundo existe em primeiro lugar é precisamente o problema da origem do universo, e até do tempo que de uma forma ou outra levará certamente a uma concepção do universo totalmente diferente daquele que temos presentemente.
     O universo parece não querer que desvendemos esses mistérios e até hoje os nossos instrumentos não foram capazes de detetar sinais dessa origem e caso tenhamos recebido alguma informação ainda não fomos capazes de a entender. No mundo actual, um dos grandes fenómenos emergentes é o da origem da vida: como foram criadas as primeiras moléculas complexas e como é que dessas moléculas nasceram organismos inteligentes?

Jácome Armas, in Açoriano Oriental, entrevista de Rui Jorge Cabral, dia 18 de Dezembro de 2026.

Verso dos Divine Comedy

 I saw a man this morning

domingo, 18 de janeiro de 2026

Ocasional Alvejar de Jorge Kol

Ocasional alvejar
Ont´ agora era Natal,
e flanêur para o Sal
sol, mar e vendaval,
máquina no bornal.
Rastreia o areal,
a habitação social,
fixa Mara residência ou residencial?
Interroga-o o mural:
- Não é Alojamento Local!
Nem Residência Amaral!
Então, o que será afinal?
Doutor Mara negócio estival?

Jorge Kol, em época vinte e tal, de eleição presidencial, no ano de dois mil e tal.

Soma de K.P.Kaváfis

 Se feliz sou, ou infeliz, não examino.
Uma alegria porém guardo sempre no espírito - 
que da grande soma (essa soma deles, que eu detesto)
composta por tantos números, não faço parte; não sou eu
uma unidade entre as demais. Não me calculam
no valor total. Essa alegria me basta. 

(1897)

in "Aquele Belo Rapaz - Poesia Completa", Assìrio&Alvim, Novembro de 2025.

Em Escuta...

Rainy Sunday Afternoon, 2025 
The Divine Comedy

     “Rainy Sunday Afternoon" foi lançado no final do verão passado e que, doze álbuns depois, trata-se do regresso aos estúdios de gravação desta banda irlandesa. O vocalista Neil Hanon já leva trinta anos no activo e continua a demonstrar a sua vitalidade em canções como “The Man Who Turned Into A  Chair”, “Achiles”, “Rainy Sunday Afternoon”, sendo a favorita - ‘The Heart is a Lonely Hunter’. Um disco de belíssimas canções para escutar numa tarde chuvosa de domingo.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Da Democracia

     Cada vez que aceitamos líderes que falam por si dizendo ser em nome do "povo" estamos a abdicar da nossa participação e a normalizar a concentração de poder. Não é retórica: é assim que se esvaziam democracias.

Catarina Valadão, in Açoriano Oriental, dia 17 de Dezembro de 2026.

Verso dos Nada

 Cos´è  la vita se machi tu

Jardim de Inverno

Um rumor de mar ao perto
e a breve agitação das rosas

-não aguardes outro sinal do vento
este serão sempre jardins da morte.

Caminhas entre palavras, inscrições
como nuvens baixas a teus pés. Os nomes 
mais leves do que as datas 
ardem ainda no lume que os sustenta,
uma lâmina abre os pulsos da infância, a mão
da criança noutra mão sobre portas há muito fechadas.

Agora, a Traurmasch de Mahler 
daria o fundo musical se a estridência dos metais 
não acordasse a quietação dos rostos 
captados no instante que em que a câmara os deixou
abstractos para sempre 
expostos à comoção alheia.

Deixa-os assim ao peso da chuva 
quando já não lhes resta um óbolo que redima a solidão
e os próprios vivos se interrogam sobre o desamparo
que será o deles no tempo de enfrentarem o silêncio 
a sua desolação irreparável.
(Janeiro de 2021)

Urbano Bettencourt,
in "Antes que o Mar se Retire", Companhia das Ilhas, 2023.

Origem de Janeiro

       É o mês que os romanos consagraram ao deus Jano. Dividade antiquíssima, de origem ignota, tem-se como filho de Apolo e Creusa, provavelmente oriundo de Atenas. (...) Etimologicamente, Ianus significava «passagem», («Janela» tem origem em januellla, dimintivo de janua, «porta de entrada, acesso»).

Orlando Neves, in Dicionário do nome das coisas e outros epónimos, Notícias Editorial.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Baloiço nas Caixas do Correio

          Entrar nos correios com cartas, envelopes, selos, e logo espantamos quem nos vê carregados daqueles papéis de outros tempos, embrulhos e encomendas de quem ainda não renunciou ou cansou de surpreender na caixa do correio. Esse foi, certamente, o mundo em que crescemos, um verdadeiro e distinto universo de caligrafias, moradas ou ainda pessoas que nos batiam à porta a confirmar endereços ou, simplesmente, a lembrança daquele Inverno da juventude em que bateram à porta para entregar o “Psycho Candy”, dos The Jesus And Mary Chain, numa caixa de papelão com os dizeres - contém disco!
Fotografia: Ester Gutzovà
      Hoje, tudo isto nos parece ultapassado, anacrónico, tal como se escrever postais ou cartas fosse do tempo da invenção do papiro ou ainda da tipografia de Gutenberg. Há, inclusive, países a cancelar o envio de cartas por falta de destinatários, enquanto estas notícias se dão como se de um mundo novo emergisse e nos trouxesse alguma paz ou sossego. Nada disso irá acontecer, acreditem.
      A deslocação é, pois, ao edifício dos correios para enviar um conjunto de “Baloiços” a todos aqueles que aqui não habitam e que não puderam estar na apresentação desse pequeno livro de poesia no Festival Bom Colesterol. Foram muitos? Alguns. Será que os livros ainda chegarão este mês? Aguardemos de forma esperançosa que sim.
       Na verdade, continuemos a escrever postais, cartas, façamos encomendas e partilhemos coisas de que nos orgulhamos e gostamos. Temos todas e mais algumas razões para continuarmos a fazê-lo e que poderíamos fazê-lo ainda mais de forma vasta e muito mais profunda. É que é sempre tão surpreendente abrir a caixa dos correios. Basta vontade!