quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Da Estranheza
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Dos Direitos
terça-feira, 25 de novembro de 2025
59 de Manuel Zerbone
Nem já os campos me alegram, essas crianças eternas, que despem cada Inverno o manto suavíssimo das suas ilusões, para novamente se enfeitarem com ele nas suas Primaveras que se sucedem; nem o mar com os seus suspiros de ternura, nem com os seus rugidos de cólera, nem com a sua vastidão imensa, por cima da qual o meu espírito paira e se agita às vezes, como a pena caída da asa de uma pomba, pode vogar em baldões, à tona de uma niágara que se despenha em cascatas de espuma.
Quando assim anda enlutado o nosso espírito, a ponto que nem mesmo a música, esse bálsamo consolador de todas as amarguras, pode fazer-lhe bem, em tudo vemos um motivo tristeza, e os nossos corações abrem-se facilmente para receber e compreender as mágoas daqueles que nos parecem ainda mais infelizes que nós."
sábado, 2 de julho de 2022
Da Luz
Luís Rodrigues, in "Pescar em terra que o mar não quis", Açoriano Oriental, 27 de Junho de 2022.
domingo, 14 de junho de 2020
"Trutas" de Rodrigo Alves Guerra Júnior
Estou a ver já os gastrónomos antegozarem com estalos de língua aquele peixe de fino paladar, que chegou a dar o ser ao muito conhecido adágio:« Não se apanham trutas as bragas enxutas» A cena passa-se onde quiserem; no Cairo, no Egipto, em Malta, no Pico, em Nesquim, em***-aqui peço licença para pôr as entrelinhas convencionais, à laia dos romances antigos: os cavaleiros embuçados entraram na freguesia de ***
E de facto numa bela manhã de Julho, entraram três sujeitos de carruagem na freguesia de ***Deixo muito de propósito estas três entrelinhas à investigação dos homens de ciência; uma equação a resolver.
O que lhes afianço é que os os três entraram pela freguesia dentro ao trote manhoso de três mulas, que o chicote do cocheiro não conseguia de maneira nenhuma despertar."
terça-feira, 19 de maio de 2020
José Cutileiro (1934-2020)
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Da Neura
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
A Quatro Mãos
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Diário
É necessário silêncio ou um ruído base fixo que não se excite minimamente com as constantes excitações do mundo(…)”
Gonçalo M. Tavares in Jornal de Letras, 19 de Dezembro de 2017
domingo, 14 de maio de 2017
Do Poeta Misterioso
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Clara Ferreira Alves, in Revista do Expresso, 6 de Maio de 2017
Trespassados
segunda-feira, 8 de maio de 2017
A Periferia da Periférica
domingo, 5 de junho de 2016
Do Populismo
quarta-feira, 9 de março de 2016
Roubo de Arte
sábado, 11 de maio de 2013
Balada para Angra
![]() |
| Fotografia de Tiago Rodrigues |
terça-feira, 23 de abril de 2013
Abril, depois de amanhã
quarta-feira, 20 de março de 2013
Três Sacrilégios no Peter
1.“Senor,
is this Horta, is this Peter Island?” Não percebe nada de mar e veio
aqui dar à costa, este inglesinho que, de certeza certa, fugiu à escola para
brincar aos barquinhos. “And Faial Island, if you don´t
mind”, digo eu. Não
sossegou e acredito bem porquê: estou na catedral dos iatistas e pediu a Mr. Peter
Azevedo uma coca-cola com muito gelo. Estava cometido o primeiro sacrilégio.
2.Sentado a uma bela e ossuda
mesa de castanho roseira, ia deixando que o fresco gin me aquecesse a garganta “Lembras-te, José” – perguntava já meio
tonto ao José que sou eu – “do Peter
velho aqui ao lado com o velho Peter todo branquinho naquela cabeça a preparar
gins porreirinhos às escondidas para ninguém saber o truque? Lembras-te, José, da
tua primeira vez? Foi uma, foram duas, foram três e à quarta, pifaste! Tão
novinho e pifaste José!.. Pifei, José!” – respondo eu ao José que sou eu. Um puto em idade colegial e em
férias pascais, entornar de uma só vez quatro torneiradas de gin-tónico, é cá
um pifo e tantas. Sonhar com o que foi bom no passado, também é um sacrilégio.
Este é o segundo da crónica.
3.Decididamente, não gosto dos
“Cruzeiros”. Dói-me na alma olhar ali para a acrobática “Espalamaca” e vê-la na
bancada, como menina trapezista de circo arrumada na prateleira. Sentado no
muro em frente ao “Peter” e olhando defronte o Pico, falta-me as “lanchas” e os
mestres e os marinheiros e os cestos de duas asas chegarem carregados de
ameixas vermelhas e de homens e mulheres de chapéu-abeiro. E falta-me também
aquelas testas tisnadas de mar do pessoal das “lanchas”. Nesta nostalgia, o
terceiro sortilégio agora é meu: É pecado estar de costas seja para que altar
for. É que eu já não sei se hei-de olhar para o Pico, ou vê-lo reflectido numa
vigia do “Peter-Café Sport”.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Anarquistas
Miguel M. é meu amigo por
natureza e é anarquista por profissão. Por mais brilharetes que as chefias
possam fazer, com ele nunca lucram nada. Se, por exemplo, chove, ele treme por
um bronzeador que o ponha sãozinho que um pêro e maduro como uma amora. Está
céu aberto e ei-lo a barafustar que as culturas vão ao ar, que os pássaros não
encontram charco onde molhem o bico, que os peixinhos vermelhos do tanque estão
aqui a afogar-se no lodo. Anarquista é o que ele diz ser. Por mim, chamo-lhe
espírito de contradição nas horas boas e varrido-de-todo quando vou ficando sem
paciência para o aturar. É claro que ele vai-se safando com desculpas de mau
pagador e cita parábolas e tiradas filosóficas que, no fim, acabam em nada. Mas
vai falando, o que não já não é nada mau. O que é mau é quando ele se arma em
defensor de causa alheia e atira para cá fora umas tantas bacoradas que vê-se
logo que não joga com os trunfos todos.
Pois é.
Aqui há anos andava Miguel M. de
manga arregaçada e língua em riste, desbaratando tudo e todos os que entendiam
que a agricultura dos Açores ou levava uma reviravolta ou os curraizinhos de
duas ou três vacas não chegariam para pagar o leite que o vitelinho – nené ia chupar nas primeiras duas semanas de vida.
“Uns comunas é o que eles são !” afogava-se o Miguel , no seu constante alarido
contra o emparcelamento de terrenos que
então se preconizava.“Uns grandessíssimos e alternadíssimos comunas, estes
gajos!”.
Hoje, Miguel M. já não fala
assim. Usa gravata, faz a barba e joga mais rasteiro. Hoje Miguel M. é um
fanático pela CEE, já vai ao futebol chamar filho-de-puta ao árbitro e entende, muito diplomaticamente, que o
tal “emparcelamento de terrenos” há anos
recomendado, é um maná que vem dos céus, é a chuva que vem saciar a terra
árida, é o sol que vem dourar os trigais.
Lírico, anarquista, maluco e
azarento, este Miguel. Os agricultores que nunca vão às pescas, paradoxalmente
querem ensinar-lhe com quantos paus se faz uma canoa. Logo agora…

