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| Catarina e a Beleza de Matar Fascistas Teatro Micaelense - 30 e 31 de Maio Fotografia: Carlos Fernandes |
Não
é expectável ver uma sala de espectáculos tão repleta para ver
teatro, devem ter sido cerca de mil e quinhentas pessoas as que viram a peça de
teatro “Catarina, a Beleza de Matar Fascistas”, de Tiago Rodrigues, neste
último fim de semana no Teatro Micaelense. Inserida na programação de PDL26, a
peça trazia consigo um volume conhecido de representações e consideráveis
recomendações apelativas da crítica e (também) da polémica nos lugares por onde
passou.
A
peça é um exercício direto sobre a liberdade de pensamento, nada ali é excluído de
ser pensado, inclusive o acto de matar e é, por isso, uma reflexão sobre a
democracia e os limites da tolerância face aos que a pretendem subverter. No
entanto, não deixa de ser um trabalho teatral de grande exigência, um gesto
inteiro de combate a quem pretende ferir a democracia no seu âmago. Há, de
facto, muitas tensões a ser resolvidas ao longo destes cento e cinquenta
minutos. Sim, é verdade, que o cenário é irrepreensível, o texto tem momentos
de grande respiração e profundidade – aquela narração pontuada pelo actor (Marco
Mendonça) com os headphones e a sua
música é marcada por um ritmo cadenciado e silabado de excelsa beleza - e, por fim, não se pode deixar de pensar nos
momentos finais, protagonizados pelo actor Romeu Costa, porventura, exagerados
para o efeito produzido. Há que reconhecer o incómodo face ao que estava a ser
dito ainda que se discorde do barulho permanente face aos doze minutos daquele discurso político. É verdade: ninguém é obrigado a ouvir aquele discurso, mas convenhamos
que se trata de um texto de pendor propagandístico e repetitivo nas suas
nuances de populismo, com o intuito de acicatar os espíritos democráticos. Teatro, portanto. Até quando?
Em
suma, é bem provável que este momento teatral perdure no tempo, sobretudo aquela clareza em que nos apercebemos que tolerar a intolerância
pode ser fatal para quem pretende defender uma
democracia indefesa, isto é, de quem procura protegê-la dos que estão sempre a encontrar brechas para a
corroer por dentro.

