sábado, 30 de maio de 2026
CCRG: A Prodigiosa Transformação da Classe Operária em Estrangeiros
Tiago Rodrigues no Micaelense
quarta-feira, 27 de maio de 2026
segunda-feira, 25 de maio de 2026
De Pequenos Troféus...
"Ela gozou de toda uma infância em proximidade íntima com o mar. Com ele aprendeu a resistência, a nostalgia da lonjura a alcançar. Nadava com braçadas desenvoltas que suprimiam a distância entre ela e o pai. Frequentemente se desafiavam, quer em distâncias longas, quer em curtas, conforme se tratasse de um exercício de tenacidade ou rapidez. Ela ganhava-lhe aos pontos neste e naquele debatia-se inutilmente, ficando para trás. Em caso de vitória, eivava-a uma excitação viva que a deixava prostrada na areia, incompleta e insegura quanto àquele terror. Em casa, ele batia-lhe e ela revelava-lhe a impotência da rapidez. Ao mesmo tempo, amedrontava-se com o demónio da vitória. Inútil vencer e, sabê-lo, era instituir-se por dentro das coisas revirando-as do avesso, surpreendendo-lhes a vacuidade."
Ana Paula Inácio in Putas - Novo Conto Português e Brasileiro, Quasi Edições, 2003
domingo, 24 de maio de 2026
Banzo: Trágica Nostalgia!
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| Banzo na RTP2 |
sábado, 23 de maio de 2026
O Boémio de Petr Vaclav
Do Ecoponto Azul
João Mendes Coelho, in Açoriano Oriental, dia 23 de Maio de 2026.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Aos Biógrafos de Miguel Manso
sem ir a Budapeste
há que escrever Chico Buarque
sem ir ao Chico Buarque
quinta-feira, 21 de maio de 2026
A Chegada de Baloiço à Caixa do Correio
Um objeto literário desta natureza só estará completo quando cada leitor/observador decidir abraçá-lo e contar o que consumou de experienciar…nem que seja apenas pelo toque ou contacto e, mesmo assim, expressá-lo por via da fotografia.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Postal para Gdansk
uma saída para omissa Primavera
nenhum aviso legado ou transmissão
quedou a dúvida a sombra hesitação
permanece a tocha flamejante
escasseiam folhas flores frutos
jacarandás coloridos
as mãos sedentas de alento
à distante viajante
Carlos Santos, in "Abrolhos", Sálvia Editora, 2026
terça-feira, 19 de maio de 2026
Escola: Henri Matisse Sobre a Mesa
A escola é um local onde a criatividade, por vezes, ocorre. Jorra. Nem só de rotinas, horários e programas é composto um ano letivo. Por vezes, é factual e, quanto menos se espera, a criação pode surtir no mais rígido dos contextos, dar lugar à invenção e a beleza pode acontecer, soltando-se a imaginação que, como todos sabemos, não tem fim.
A constatação é real: há alguns alunos que secretamente desenham durante o decorrer das aulas! Há também estudantes que fora do espaço escolar cantam, escrevem poesia, compõe música e fazem pequenos filmes ou animações. A dificuldade é encontrar o momento/sítio certo onde possamos juntar, enquadrar a sua forma de exprimir, admitir essa possibilidade de que possam um dia viver do gesto de traçar, criar, imaginar o seu próprio destino. Há, sem dúvida, uma necessidade por colmatar, a abertura de uma área específica para que a expressão artística possa suceder, vivenciar e partilhar.
Entretanto, a aula tinha, assim, terminado e o retrato de Henri Matisse, desenho feito durante a aula, foi pousado, deixado em cima da mesa, oferecido por quem o desenhou àquele professor. E logo o desenho de Henri Matisse, o pintor que afiançava que os artistas deviam possuir um eterno olhar infantil, a curiosidade e inocência de uma criança, como se tudo na vida pudesse ser visto e apreciado como se fosse sempre pela primeira vez.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Maio
domingo, 17 de maio de 2026
Da Liberdade
João Mendes Coelho, in Maria Fora-da-Caixa, Açoriano Oriental, 16 de Maio de 2026.
sábado, 16 de maio de 2026
Diamantes: Juntas, Venceremos!
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Hiperpolítica: e é só inquietação?
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| Capa do Ípsilon, dia 15 de Maio de 2026 |
quinta-feira, 14 de maio de 2026
Turismo: Até onde vai o Acelerador?
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| Fotografia: Tânia Santos |
Ao mesmo tempo que, passado todos estes vários indicadores de velocidade, há quem olhe pelo vídeo do retrovisor e assista ao espectáculo das reacções. Revoltam-se as pedras e seixos, abandonam-se objetos físicos e as ruínas instalam-se. Urge encontrar significado para o edificado abandonado. Será ainda possível? Imóveis que hodiernamente passam a inutilizados, relegados para segundo plano, desprezados. Desfeitos do seu ímpeto inicial ou traço original, aguardam restauro ou nova funcionalidade. Nessa volúpia ou promessa de dias vindouros, abandona-se o gesto primevo, surgem ao nosso olhar com um lastro irreparável na paisagem e resquícios do que poderia ter sido.
O que sobra, então, desse acelerador que asseverava ser democrático e dourado? Ambos, passado e futuro, não se encontraram nessa restituição, não há recuo possível, só nuvens que se dissipam no ar. Sobejam, portanto, ruínas, o descarado desleixe, numa arquitectura de escombros e destroços. Ninguém já devolverá a paisagem em frações, nem guardaremos a emoção que resta dessa visão desoladora. Apenas o desgosto, também ele acelerado, condizendo com o tempo!
O turismo é hoje (apenas!) presente e futuro, a galinha dos ovos de ouro, maná, não quer saber do passado. Monocultura dourada, super estimulada, promovida até à exaustão. Ouvimos todos os dias falar desse futuro carregado de milhões de euros em investimentos em hotéis, empreendimentos ou bungalows à beira mar, promessas de centenas de empregos no turismo e aumento aos magotes no número de casas disponíveis para o alojamento local. Nenhum travão se afigura, obstáculo que seja. O choque já não se dá porque o futuro venceu, impõe-se, tal é a pífia ultrapassagem rumo ao abismo.
Acredite-se, assim, que desacelerar é preciso ou, então, seremos apenas resíduos, fragmentos, estilhaços, dessa aceleração!
quarta-feira, 13 de maio de 2026
FUSO INSULAR: Até domingo no CAC!
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| Hoje, quarta-feira, no CAC 14h00-17h00 na Blackbox Entrada Livre |
terça-feira, 12 de maio de 2026
segunda-feira, 11 de maio de 2026
A partir de Amanhã no Arquipélago - CAC
domingo, 10 de maio de 2026
Os Vinis de Maio que Abril nos faz Tocar
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| Fotografia: Tânia Santos |
Crescemos, portanto, com a ideia de que a revolução do 25 de Abril foi um acontecimento militar realizado lá para os lados de Lisboa, isto é, lá bem longe ou então em terras do Ultramar. Crescer no litoral teve a vantagem do Verão ser ocupado por idas à praia e passeios à beira-mar. A adolescência iniciava-nos também nas audições de músicas revolucionárias ou a ousadia na realização de programas musicais com o aparecimento dos rádios piratas, um pouco mais tarde, as rádios locais. Daí vir de imediato à memoria, pois claro, aquele radialista e a sua obsessão pelos objetos musicais em forma de vinil. Este possuía mais discos do que todos nós juntos. Sabia poupar, dizia-nos, e tinha também rasgo e sentido de oportunidade. Disse-nos que chegou a esvaziar discotecas em liquidação total. Relembre-se, pois, o seu fascínio pela chegada dos CD´s e da gravação digital bem como o desfazer de forma rápida e, algo precipitada, da sua enorme e diversificada colecção de vinis. Alguns de nós, devemos-lhe, por isso, a aquisição de um momento para o outro, a preços módicos, dos discos do José Mário Branco, José Afonso, Luís Cília, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Né Ladeiras, entre tantos outros.
sábado, 9 de maio de 2026
Rua Manuel António Pina
como quem pede licença ao mundo
para o nomear. Óculos pousados na face
(um gato
guardado no bolso) tive-o
algumas tardes regressado do Li-Jin
de onde trazia take-way
(e haikai)
para jantar. Escolhia a minha mesa para
um rápido café e
eu ficava absorto (nem dava pela minha falta)
ouvindo-o sobre o real (o seu
real
imaginado). O relógio dava as horas
(de rigueur ia tirando)
chamavam artéria à rua onde a tarde nos juntava
na verdade era uma veia se
o trânsito era
todo para cá. Não o fui ver ao hospital. Talvez
o quisesse ter para sempre
nesta alegria. Às vezes sei ser
tão cobarde.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Idanha-a-Nova: Foi há 20 anos!
Ali ficavam também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos coligidos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Avenida Marginal: Domingo de Santo
Aprende-se com o avô a chorar antecipadamente a possibilidade da última vez neste lugar de circunstância - bem se recordam as lajes de pedra dessa escadaria da igreja de São José, pai do dito e residência alternada por que o Santos e alberga por uma das noites de festa, a única do ano para ele. Chorava sempre Rolando pela oportunidade de se pronunciar em contradição silenciosa postura que mantinha ao efectivo justificativo de ali estarem juntos para lembrar que, com mais ou menos rigor previsionista, aquela seria a sua última crepuscular vez do lado dos que jogam na selecção dos vivos.
Fumo de João Habitualmente
perco o rumo
Olhas-me:
fico cego
Prendes-me:
sou algema
Ardes-me:
já sou fumo
in Poemas em Peças, Quase Dito#3, Fevereiro de 2014.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Maio: Retrospectiva do Fuso Insular
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| Dias 12 a17 de Maio de 2026 Blackbox Arquipélago - CAC Aqui:https://arquipelagocentrodeartes.azores.gov.pt/ pt/programacao/fuso-insular-5/ |










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