quarta-feira, 17 de junho de 2026

monólogo com Sophia.4 de Tiago Araújo

 as pedras que quebram
em gritos 
as gargantas de cristal
e as sombras, tristes, que camuflamos nas cores
desse ténue arco-íris - a esperança 
de ressurgir neste lugar
de grutas escavadas por dedos de metal 
onde se escondem os nossos olhos, dolorosos, 
que emprestam claridade às escarpas de pedra

pedras preciosas que embrulhamos 
em sarapilheiras 
lágrimas que o sal embacia
e que juramos ser a maresia que se condensa.


in diapositivos, a ilusão do movimento,  Quasi Edições, 2001.