quinta-feira, 7 de maio de 2026

Idanha-a-Nova: Foi há 20 anos!

         "Vão-se todos embora, ficamos nós", ouvi tantas vezes da boca daquelas pessoas que habitavam aquele território, com um sorriso duro, franco e aberto. Ali era o interior profundo, lugar de nuvens carregadas, cor de farda, na paisagem duradoura do Inverno, ainda a serenidade e a melancolia na ausência de palavras durante a Primavera. Eram, no entanto, planícies e searas que se erguiam roliças na lonjura e secura do verão, compondo este meu retrato de uma permanência duas décadas depois. Nunca mais lá voltei. Avancei, sem pestanejar perante a força do granito, somente a saudade e a promessa de um retorno.
      Ali ficava também Monsanto, Medelim, Ladoeiro, Rosmaninhal ou Penha Garcia, que visitava pelo seu sossego, panorama e silêncio, naquela minha vontade de tornar excessivo aquele momento, permitir-me à força da contemplação e ao brilho das suas imagens. A memória, agora, chega por via da revista Adufe, vasculhando algumas passagens e capas, escritos de nomes de árvores, pássaros, os adufes guardados, ou textos em cadernos antigos, parágrafos soltos que emergem à superfície, ansiosos por inquietar. 
         Duas décadas depois, apetecia tanto lá voltar!