Caminhava lentamente
como quem pede licença ao mundo
para o nomear. Óculos pousados na face
(um gato
guardado no bolso) tive-o
algumas tardes regressado do Li-Jin
de onde trazia take-way
(e haikai)
para jantar. Escolhia a minha mesa para
um rápido café e
eu ficava absorto (nem dava pela minha falta)
ouvindo-o sobre o real (o seu
real
imaginado). O relógio dava as horas
(de rigueur ia tirando)
chamavam artéria à rua onde a tarde nos juntava
na verdade era uma veia se
o trânsito era
todo para cá. Não o fui ver ao hospital. Talvez
o quisesse ter para sempre
nesta alegria. Às vezes sei ser
tão cobarde.
como quem pede licença ao mundo
para o nomear. Óculos pousados na face
(um gato
guardado no bolso) tive-o
algumas tardes regressado do Li-Jin
de onde trazia take-way
(e haikai)
para jantar. Escolhia a minha mesa para
um rápido café e
eu ficava absorto (nem dava pela minha falta)
ouvindo-o sobre o real (o seu
real
imaginado). O relógio dava as horas
(de rigueur ia tirando)
chamavam artéria à rua onde a tarde nos juntava
na verdade era uma veia se
o trânsito era
todo para cá. Não o fui ver ao hospital. Talvez
o quisesse ter para sempre
nesta alegria. Às vezes sei ser
tão cobarde.
João Luís Barreto Guimarães, in Movimento, Quetzal, 2023