segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Belonging Raquel André no Espaço Rubro

Fotografia de Albino Pinho
       Aliu Baio, baterista e professor, esteve numa sessão de música improvisada no bar Outro Lado, a meio da semana. Quem o viu ficou, evidentemente, com água na boca para o concerto prometido dias depois. E foi, num final de tarde abafado, aprazível para qualquer tipo de banhos, que Aliu Baio, alter ego artístico de Nick Aliu Sane Baio, subiu ao palco do espaço Rubro, mum concerto inserido na PDL26. 
           O baterista, sozinho em palco, tinha um vídeo projectado por trás de si da autoria de Raquel André e Bernardo Almeida sobre o signo do lugar de pertença. Este sentimento de pertença percorria duas vias possíveis - os testes de ADN e as memórias e narrativas associadas às experiências individuais. 
      São cem minutos bem ritmados, delicadamente refletidos e perfomáticos, que perdurarão durante muito tempo na memória de quem teve a sorte e a felicidade de poder assistir.

Burning Summer: Ecos Arquipelágicos!

         Ainda Agosto ia no adro e logo começaram a aparecer os primeiros ecos do Burning Summer Festival, em Porto Formoso, São Miguel, sobretudo com o cinema na praia. Na edição deste ano, a organização privilegiou o documentário “Orlando Pantera”, de Catarina Alves Costa, dedicado ao afamado músico cabo-verdiano desaparecido prematuramente.  Quanto às sessões musicais, previstas para os dias 28 e 29, o programa foi eclético como sempre, no entanto a sustentabilidade é o factor diferenciador de um festival que aposta no envolvimento com a natureza e exploração de distintas sonoridades e de concertos junto dessa força que é o mar.
           No primeiro dia, sexta-feira, foi para ouvir Lura, Paulo Flores e Tabanka Djaz e, no segundo dia, sábado, foi a vez de Capitão Fausto, Zé Ibarra e os Throes + The Shine. Pelo meio, como forma de promover a contenda bailante, tanto no início, meio e fim, há musica oferecida pelos Dj´s de serviço: Mesquita & Laura, Zelecta, Quaresma, Pedro Tenreiro, Adrian Sherwood, DJs Improváveis ou Portuga. Note-se, assim, que, doze anos depois, este festival, que se realiza na Praia dos Moinhos, continua a dar um destaque especial à música africana, especialmente de Cabo Verde, lugar de proximidade arquipelágica, curioso viveiro de músicos e de canções bonitas, sentimentos de partilha e interessantes cumplicidades, dado que por aqui já passaram: Tcheka, Mário Lúcio, Princezito, Ferro Gaita, Mayra Andrade, Fogo Fogo, Elida Almeida e Lura, isto é, funaná, coladeira e morna, os esteios rítmicos e sonoros do arquipélago cabo-verdiano. É que Cabo Verde bem merece, depois da atenção mediática à selecção presente no mundial de futebol deste ano e também agora que vimos partir Bino Branco, o tocador de ferrinho e voz dos supremos Ferro Gaita.
       Por último, há também muita rapaziada a desfrutar de propostas paralelas à música e a o cinema tais como o projeto pedagógico intitulado – “Detetives Marinhos, Conhece os peixes que Comemos”, com os biólogos Luís Rodrigues (Lotaçor), Carla Dâmaso (OMA) e Inês Martins (OKEANOS). Uma proposta de aproximação de crianças e jovens do universo marinho e que é um primor de descobertas que vai do território aos ouvidos, passa pelos olhos até chegar à barriga!