É confrangedora a
ausência de ritmo e da música intrínsecas a toda a boa poesia. Na maioria dos
poemas, os versos sucedem-se por justaposição ou assemblage de frases e
citações, sendo cada vez mais difícil encontrar poemas com uma arquitectura
interna derivada do sentir profundo de os escrever. Claro que esta opinião
poderá ser rebatida pelos hipotéticos leitores deslumbrados com poetas
recentes.
in Urzes de Manuel Hermínio Monteiro, Livros Independente, 2004.