segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Profetiza de Pedro Monteiro

Se és um 
és dois 
e isso dá três 
mais o quatro 
são dez 
o um e o zero
cinco é a união 
seis  e sete já passaram
oito é a ampulheta infinita 
o nove não é nada
o onze é mestre
e doze o devir 
a outra vez 

in Poezia Bruxa, Faro, 2024.

Um Poema de Eucanaã Ferraz

Enquanto descansa, dorme,
a mulher que amo, que me ama, 
algo neste exercício de ternura exata
e comum

cuidar, de quando em quando,
que as treliças da janela
amenizem a manhã em sua rudeza de adaga,
ainda que doméstica lâmina,

e, assim, em volta da mulher que amo, 
que me ama, vá o dia
como deve ser: o sol
necessário, um debrum. 

in Desassombro, Quasi Edições, Outubro de 2001.

Ontem, escrito numa parede da cidade

 Um veste cinta e samarra, o outro capa e batina.