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segunda-feira, 25 de maio de 2026
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
Misericórdia de Lídia Jorge
Misericórdia retrata o diário do último ano de vida de uma mulher idosa num lar, de seu nome "Hotel Paraíso". Lídia Jorge escreve sobre esta mulher sem grande mobilidade física e os detalhes das existências em redor. A escritora tece, assim, um testemunho sobre a velhice e a experiência humana de quem já só pode contemplar o mundo a partir de uma morada inventada, pois tal como diz a narradora: "Exílio. Não há mais nada que seja só meu, nem o meu corpo, nem o meu espírito."
domingo, 26 de janeiro de 2020
sábado, 20 de julho de 2013
Curiosidade
“A cura para o tédio é
a curiosidade. Não há cura para a curiosidade.”
Dorothy Parker (1893-1967)
quarta-feira, 17 de julho de 2013
A carência
“Aprendi muito cedo
que se está nesta busca permanente do que não se tem”
Dulce Maria Cardoso
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Ofício de Viver
domingo, 7 de julho de 2013
O primeiro voo no céu dos Açores
"Tempos houve
em que a fábrica da Sé mantinha cónegos, arcediagos, chantres, arciprestes e
beneficiados, vendo-se o vasto caldeirado totalmente ocupado pelo Cabido, a dar
luzimento aos esplendorosos cerimoniais litúrgicos.
A completar
tão faustoso conjunto de dignidades eclesiásticas, havia ainda os meninos do
coro, rapazes que envergando largas saias encarnadas e brancas sobrepelizes,
cantavam no coro e ajudavam à missa.
Conta-nos o
Pe. Jerónimo Emiliano de Andrade, na sua Topografia da Ilha Terceira, um
interessante episódio passado no século IX, tendo como protagonista um dos
aludidos meninos, que embora de compleição franzina, se destacava entre os
demais, a criar situações contraditórias com a compostura requerida e imposta
pelos preceitos religiosos.
Foi assim que, encontrando-se a
Sé entre obras, com andaime armado até ao cimo das torres, o menino depois de
cometer mais umas das suas traquinices, fugiu perseguido por um operário,
atingindo os andaimes cimeiros.
E
como nesse dia soprasse rijo o “carpinteiro”, a causar estragos de monta – carpinteiro que levaria alguém a
dizer, com muita piada, ser a exportação de ciclones uma das maiores riquezas
dos Açores – arrastou o menino de pouca carne e leve ossatura, enfunado nas
largas saias.
Um clamor de terror terá
perpassado por quantos assistiram a tão horripilante vôo.
Mas volvido
pouco tempo dissipavam-se as mais tenebrosas conjecturas com o aparecimento do
imprevidente e forçado argonauta, ileso no telhado do Convento da Esperança.
Mais uma vez
ficaria comprovado o velho ditado: “Ao menino e ao borracho, põe Deus a mão por
baixo…”
in o
“Filósofos da Rua”, de Augusto
Gomes, pág.140, editado por Jaime Cruz, a impressão ficou concluída nas
Sanjoaninas de 1984, com uma tiragem de 1500 exemplares.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Mercado do Duque por Augusto Gomes
![]() |
| Augusto Gomes |
"Mercado Duque de Bragança, que a
nossa gente chama simplesmente de Praça, antiga cerca do Convento da Esperança,
possui três entradas, a saber: pela Rua da Sé, prolongamento da rua de Jesus;
pela rua da Esperança, junto do Teatro Angrense e ao norte pela rua do Rego,
tornando-se assim facilmente praticável o seu acesso aos utentes vindos de
todos os lados da cidade.
Antigamente, tal como hoje, era
este mercado fechado, com a diferença que no lugar das actuais portas existiam
cinco imponentes pórticos encimados pelas armas da cidade, existindo junto dos
pórticos fronteiros à rua da Esperança, um chafariz.
O centro do recinto era
ornamentado por frondosas árvores, podendo-se ver, amarrados aos troncos,
vários cães de fila (cruzamento do pastor alemão com o bulldog inglês), de cujo
pormenor anatómico, iria originar a alcunha picaresca de “rabos tortos”, com que ficariam conhecidos os terceirenses.
Com a extinção do mercado do
peixe (casa do peixe), situado junto à Prainha, passou a efectuar-se a venda
deste produto na parte oeste deste mercado.
Presentemente, além da carne, do
peixe, dos produtos hortícolas e frutíferos, existem barracas que vendem pão,
leite e mercearias, vestuário, e utilidades domésticas."
n o “Filósofos da Rua” de Augusto Gomes, pág.138, editado por Jaime Cruz, a impressão fica
concluída nas Sanjoaninas de 1984, com uma tiragem de 1500 exemplares.
sábado, 22 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
"As Ilhas Desconhecidas" com fotografia.
O livro de Raul Brandão é um monumento, uma ode amorosa ao arquipélago
açoriano e não só. Jorge Barros, fotógrafo, aproveitou-se do que está lá
escrito para fotografar, com técnica e espanto, as ilhas que o escritor "pintou". Com a máquina fotográfica feita verbo, olhar e conhecimento de um profundo viajante. A descrição que Raul Brandão faz das ilhas
açorianas assusta, impressiona e ilustra como ninguém o deslumbramento destas
ilhas atlânticas. Um livro que deixou lastro, divagação e utopia. Hoje, pelas 18 horas, no Palácio dos Capitães Generais, a
fotografia e a palavra, lado a lado, para ler, ver e sentir.
domingo, 5 de maio de 2013
Maio
| Fotografia de Tânia Santos |
“Ninguém discute a acção moralizadora das flores e das coisas simples,
humildes e ao mesmo tempo grandes da natureza – as águas correntes, a luz, as
montanhas. A vida sabe-nos melhor quando podemos abrir as janelas, ainda que
sejam de um cubículo – para o ar livre e a natureza magnífica; o pão nosso de cada dia tem outro gosto, ainda que seja de rala, se o comermos em frente de um
molho viscoso, fresco, todo pulado de orvalho, de margaridas, de açucenas, de
lilases. Tudo o que é belo torna-nos grandes e simples.”
Raul Brandão, Maio, in Brasil-Portugal, Lisboa, 16 de Maio de 1901,
pp.125-126. Tb in Vimaranense, Guimarães, 5 de Maio de 1917.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Vive a Vida
"Vive a vida. Vive a vida nas ruas e no silêncio da tua
biblioteca. Vive a vida com os outros, pois são eles as únicas pistas que tens
para conhecer-te.Vive a vida nesses bairros pobres criados para a droga e para
o conflito ou nos finos palácios dos ricos.
Vive a vida com as suas alegrias incompreensíveis, com as
suas decepções (quase sempre excessivas) e com a sua vertigem.
Vive a vida nas madrugadas infelizes ou em manhãs gloriosas,
a cavalo por cidades em ruínas ou por selvas contaminadas ou ainda pelos
chamados lugares paradisíacos sem olhar para trás.Vive a vida."
Luis Alberto Cuenca
sexta-feira, 5 de abril de 2013
A Pedra ainda espera dar flor de Raul Brandão
"Um dia, o rei D.Luís, encontrando na costa uma das nossas características embarcações, falou a um dos da companha:
-Vocês são portugueses?
-Não, senhor - respondeu o mais loquaz -, somos poveiros.
É certo. Ser poveiro, entre nós, é casta à parte. Pior do que isso: humilde casta...quase estrangeira. Ninguém pensa em socorrê-los."
In o Imparcial, 12 de Março de 1910, «Primeiras Impressões», p.1. Não assinado.
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