sábado, 7 de fevereiro de 2026

Parece que Estou a Mais de Denys Arcand

Poster: https://www.magazine-hd.com/

       O filme “Parece que Estou a Mais” do realizador canadiano, Denys Arcand, autor de “Declínio do Império Americano”, 1986, e “Invasões Bárbaras”, 2003, começa com a narração de um homem  idoso, que se encontra sozinho a viver num lar moderno e onde  o seu entusiasmo existencial vai declinando a cada dia que passa com a visita a cemitérios e a perda dos seus amigos mais próximos. Durante a sua estadia no lar, Jean Michel (Rémy Girard) dá de caras com Suzanne (Sophie Lorain), a administradora, com quem desenvolve uma relação delicodoce e  conflitual. Pelo meio, constata a chegada e a parada de manifestantes junto do jardim da instituição, passando a reivindicar a retirada de uma obra de arte ofensiva às primeiras nações. Denys Arcand serve-se do humor e da velhice para criticar implicitamente o politicamente correcto da sociedade canadiana e ainda para ridicularizar a polarização cultural em estamos submersos. 
        O filme termina quando pressentimos na narração de Jean Michel uma nova coloração sentimental pois este descobre-se enamorado por Suzanne, ao mesmo tempo que esta se aproxima de uma filha desavinda e desaparecida. No fundo, a sensação de que “Parece que Estou a Mais” foi realizado para que possamos pensar naquilo que é essencial, melhor, uma reflexão pertinente de que ainda podemos recomeçar a viver mesmo que nos encontremos no Inverno da nossa vida.

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