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sábado, 25 de abril de 2026

Resistência de Jonathan Jakubowicz

      Em 1940, os nazis invadem uma casa de família, em Lyon, pertencente à  pequena judia Eslbeth e assassinam os seus pais mesmo à sua frente. Este é o mote inicial do filme que tem como função evocar a façanha heróica de Marcel Marceau - sim, o mimo - o facto de este ter salvo centenas de crianças judias durante o período da resistência na Segunda Guerra Mundial. O venezuelano Jonathan Jakubowicz serve-se do actor Jesse Eisenberg para contar a coragem e a criatividade do mimo, contando ainda com uma banda sonora de enorme qualidade e intensidade. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Lubo de Giorgio Diritti

Filme de Giorgio Diritti, 2024

     Lubo Moser (Franz Rogowski) é um errante tal como a sua família durante a segunda guerra mundial. Ele é um artista que anda de cidade em cidade a animar as populações. Este, muito embora pertença à etnia cigana ieniche, é integrado à força no exército suíço para proteger as fronteiras. Enquanto é integrado, recebe a notícia que a sua companheira foi morta enquanto protegia os seus descendentes menores ao mesmo tempo que estes eram assimilados no programa eugenista “Kinder der Landstrasse”. A partir daqui, Lubo torna-se um “contra mundum”, vivendo uma vida desesperada, lutando até ao fim pela sobrevivência e recuperação do afeto dos filhos. Uma ode aos sentimentos profundos e dignidade humana, com uma excelente banda sonora. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Parece que Estou a Mais de Denys Arcand

Poster: https://www.magazine-hd.com/

       O filme “Parece que Estou a Mais” do realizador canadiano, Denys Arcand, autor de “Declínio do Império Americano”, 1986, e “Invasões Bárbaras”, 2003, começa com a narração de um homem  idoso, que se encontra sozinho a viver num lar moderno e onde  o seu entusiasmo existencial vai declinando a cada dia que passa com a visita a cemitérios e a perda dos seus amigos mais próximos. Durante a sua estadia no lar, Jean Michel (Rémy Girard) dá de caras com Suzanne (Sophie Lorain), a administradora, com quem desenvolve uma relação delicodoce e  conflitual. Pelo meio, constata a chegada e a parada de manifestantes junto do jardim da instituição, passando a reivindicar a retirada de uma obra de arte ofensiva às primeiras nações. Denys Arcand serve-se do humor e da velhice para criticar implicitamente o politicamente correcto da sociedade canadiana e ainda para ridicularizar a polarização cultural em que estamos submersos. 
        O filme termina quando pressentimos na narração de Jean Michel uma nova coloração sentimental pois este descobre-se enamorado por Suzanne, ao mesmo tempo que esta se aproxima de uma filha desavinda e desaparecida. No fundo, a sensação de que “Parece que Estou a Mais” foi realizado para que possamos pensar naquilo que é essencial, melhor, uma reflexão pertinente de que ainda podemos recomeçar a viver mesmo que nos encontremos no Inverno das nossas vidas.

sábado, 21 de junho de 2025

Timoneiro: Um Postal Antibelicista!

         
Cartaz daqui: http://www.cinemadg.com
    Actualmente há bombas a cair e aviões nos ares do Médio Oriente, um desassossego que não cessa, no entanto há sempre quem pense que a vida bem poderia ser outra coisa. Outra coisa certamente muito melhor do que guerras, fome, desespero e caos. Já passaram, no entanto, dez anos da estreia de Timoneiro, um filme de Majid Esmaeli-Parsa, rodado no Irão em  2015. Filme visto na sala de cinema do Teatro Ribeiragrandense, esta adaptação cinematográfica de um original do escritor norte americano Philip Roth,  narra a história de uma criança de onze anos que, após o desaparecimento do pai, depara-se com a possibilidade de recuperar o navio famíliar para o aniversario paterno, onde à sua frente se encontra o Lago de Urmia enxuto. Não tarda nada e outras crianças seguirão os passos de Hassan e com a sua amizade erguerão aquele projecto em marcha.
       O realizador Majid Esmaeli-Parsa filma, portanto, o seu pequeno herói Hassan naquela paisagem árida, onde a ausência da água, a seiva da vida, condena o futuro de quem ali vive condenado ao fracasso. A esperança reside, pois, nas crianças, na aprendizagem escolar do quotidiano, são elas que nos dão a uma nova visão poética do mundo. A poesia surge aqui sob a forma de acções quotidianas comuns - a pintura do navio, a dança em conjunto, o conto das histórias, a beleza de uma paisagem em ruínas. 
        Timoneiro é um retrato duro, cruel, expressa na ansiedade de quem espera por algo que quer muito e de que vive dos seus pequenos detalhes, da música que aparece e desparece, daquele teatro de sombras e dos gestos e  feições que nos vão eternecendo. Mesmo com algumas fragilidades narrativas, Timoneiro é um belíssimo postal poético e propositivo de um novo mundo antibelicista.

domingo, 25 de maio de 2025

Em Nome da Terra de Dorota Kobiela & Hugh Welchman

           O desconhecimento completo  da origem e  género deste filme despertou ainda mais a curiosidade à medida que se viu a ação da película ser transformada em animação, por sinal, toda ela pintada à mão. Os autores do filme, Dorota Kobiela & Hugh Welchman,  já tinham realizado “A Paixão de Van Gogh”, 2017, utilizando a mesma técnica de animação e pintura a óleo. 
         A narrativa de “Em Nome da Terra”, 2023, acompanha a saga e a tragédia da jovem aldeã, Jagna (Kamila Urzedowska), sendo esta portadora de uma graciosidade singular, para além da sua vontade de autonomia e exaltação da liberdade em período de amarras e tradições. Esta animação pretende, por isso, ser um retrato de uma monótona aldeia polaca do século XIX, as suas hierarquias, os defeitos e virtudes de uma sociedade campestre no centro da Europa.