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terça-feira, 25 de junho de 2019

Da Reescrita

«Quando comecei a escrever nos jornais em 1975, tinha 19 anos, entregava um texto e era tudo traçado, lido por duas ou três pessoas. o (Fernando) Assis Pacheco e outros, que diziam, “Isto não dá”. Era tudo reescrito. Olhava e dizia: “Não escrevi esta merda.” Mas era tão bom.  Percebíamos que não sabíamos escrever. Eu ainda não sabia. Esse processo de rejeição é muito bom. Assim é que se aprende a escrever. Hoje ninguém é pago, publicam tudo. Escreve-se uma coisa e sai logo, no blogue ou noutro sítio qualquer. Ninguém tem tempo para rever, para mandar reescrever, para dizer: “Isto tem de ser reescrito.” No Jornal de Letras era assim: “Isto não está capaz, tens de reescrever.”»
       
Entrevista de Bárbara Reis a Miguel Esteves Cardoso, a propósito do livro – “No Passado e no Futuro Estamos Todos Mortos”, Porto Editora, 2019.

terça-feira, 29 de maio de 2018

A Crise da Intelectualidade

-O que pensa que levou a que, hoje, e ao contrário do que acontecia há umas décadas, a massa crítica que se havia formado tenha deixado a cultura tornar-se outra das modalidade do consumo?
-Há múltiplos factores. Primeiro, há uma decadência da influência dos intelectuais na Europa. É fácil perceber que, hoje, um cozinheiro é mais importante do que um poeta ou um filósofo. Só isso já é absolutamente incrível. Lembro-me do Sartre ter visitado Coimbra, no pós-25 de Abril, e de como aquilo foi um acontecimento que nos deixou electrizados. Hoje, se o Sartre viesse cá (alguém dessa craveira), não tinha qualquer impacto. E é por aí que se explica a crise da intelectualidade.

Entrevista a Vasco Santos, editor da Fenda, ao jornal I

terça-feira, 23 de julho de 2013

Vittorio Gassman

Vittorio Gassman enquanto Bruno Cortina em Il Sorpasso (1962)
Gassman: Acredito no amor, é uma das forças que sustentam o mundo e o fazem mover: o amor pelos filhos, pelos pais, pelos amigos e pelas mulheres que realmente marcaram a tua vida.

Scalfari: Tal como o acabas de descrever é um sentimento cósmico, mas eu pedia-te uma definição mais concreta, uma relação de casal homem-mulher como aquela que vivenciaste
Gassman: Sempre desejei ter uma relação serena, uma coisa nada fácil, porque exige que uma pessoa se supere de alguma forma a si própria e se ponha no lugar do outro, o aceite e compreenda. Por sinal, agora, ainda que ao fim de trinta anos, tenho essa relação de paridade, discutimos com frequência, mas isto não faz mais do que alicerçar a nossa relação e torná-la mais sólida.


Tradução livre, in Revista El Pais Semanal, 1 de Setembro de 1996

domingo, 21 de julho de 2013

Belarmino vs Linda Martini

-Após a banda sonora do Manuel Jorge Veloso, do poema do Alexandre O’Neill (Belarmino - Amigos Pensados”) e deste vosso tema, é caso para dizer que nunca um filme em Portugal gerou tanto entusiasmo e fulgor criativo. Qual é a vossa opinião sobre o filme enquanto expressão de um certo espelho lusitano?

-André: O filme é ainda hoje uma referência e à época foi uma pedrada no charco do cinema português. Está ali num limbo entre a ficção e o documentário que me agrada muito. É sem dúvida um espelho da época. Dá para ver toda a gente a olhar para o chão metido dentro das suas vidas e dos seus casacos. O Belarmino acaba por contrastar no meio daquilo tudo com aquele ar gingão e aquela pose de malandro.

Entrevista dos Linda Martini ao Boletim Cultural Fazendo nº 48(https://issuu.com/fazendofazendo) (29 de Outubro a 11 de Novembro de 2010).