We can be Heroes, just for one day
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Os Filhos da Madrugada: Joana Cabral
"Avenida da Liberdade" de Alexandre O´Neill
enquanto esperamos por uma outra
(ou pela outra) vida
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
sábado, 29 de janeiro de 2022
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
"Apparição" de Antero de Quental
Que já sinto estalar-me o coração!)
Recordarás com dor e compaixão
As ternas juras que te fiz a medo...
Então, da casta alcova no segredo
Da lamparina no trémulo clarão,
Ante ti surgirei, espectro vão
Lavra fugida ao sepulcral degredo
E tu, meu anjo ao ver-me, entre gemidos
E afflictos ais, estenderás os braços
Tentando segurar-te aos meus vestidos..
-Ouve! espera! - Mas eu, sem te escutar,
Fugirei, como um sonho, aos teus braços
E como fumo sumir-me-hei no ar!
in "Um Feixe de Pennas", Coimbra 1864.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
Os Filhos da Madrugada: Carmen Garcia
domingo, 23 de janeiro de 2022
"O Pranto de Maria Parda" no Teatro Micaelense
| A actriz Cirila Bossuet |
Regressamos, pois, novamente a esta peça e texto teatral quinhentista pela mão da encenação de Miguel Fragata e pela representação da actriz Cirila Bossuet. Este "Pranto de Maria Parda" evoca esse ano vicentino de cariz maléfico e devastador, permitindo encarnar a mágoa e desolação existente numa mulher alcoólica, das margens, pautada por uma assombração sanitária (pandemia), à semelhança do período que nos encontramos todos a viver. Maria Parda simbolizava, tal como nos dias de hoje, os excluídos e invisíveis que continuam emudecidos em determinadas franjas sociais.
Os espectadores que se sentaram no palco do Teatro Micaelense foram de imediato surpreendidos por aquele cubículo de cortinados brancos, num cenário com maquetes subtis e propensas às propostas de alteração e marcas do tempo histórico. A encenação socorreu-se também de imagens e sons da actualidade para acentuar a transformação social e arquitetónica que agora decorre. É que cinco séculos depois, a Lisboa da gentrificação e turistificação de 2021 quis dizer presente, pressentida e exponenciada nos temas ritmados e combativos de Capicua e de Chullage. O resto e, não foi pouco, coube ao poder vocal, energia representativa e beleza oratória de Cirila Bossuet. Qualquer amante da língua portuguesa contrariou a lei de Mafamede e celebrou embriagado o linguajar solto e delicioso desta Maria Parda que persiste em continuar viva! Bela peça!
Um Verso de Maira Baldaia
sábado, 22 de janeiro de 2022
Os Filhos da Madrugada: Tiago Rodrigues
in
“Os Filhos da Madrugada”, Anabela Mota Ribeiro, edição Temas e
Debates e Círculo de Leitores, Novembro de 2021.
"Habitação Temporária" de Paulo Ramalho
e alojar-me nos teus braços
Depois alugar o resto da noite às estrelas
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
PDL 2027: Notícias da Cultura Cara!
Quem de seguida lê o teor da notícia fica, pois, a pensar de imediato que a cultura é simplesmente uma despesa exagerada, uma soma avultada que se movimenta para empresas e seus funcionários, acréscimos do IVA e que os gastos devem ser tidos em conta pelos “consumidores/eleitores”, para que estes possam pensar na verba milionária que se gastou em todo este processo, duvidar dos salários dos promotores da candidatura e que temamos pela verba do erário público que pode ainda vir a ser gasta. O leitor fica assim atónito, quase boquiaberto e a entrar mosca, perante tal exagero financeiro deitado ao ar. E, convenhamos, se ainda fosse alguma coisa que desse para se mostrar ou cortar uma fita - um parque de diversões, um arranha céus, um aquário com espécies nunca vistas, um aldeamento turístico à beira-mar, sabe-se lá que mais!?
Por esse motivo fez-se saber que a Câmara de Ponta Delgada cessou, a um mês da apresentação da candidatura Azores 2027, o contrato com a equipa promotora da candidatura Azores 2027, Ponta Delgada Capital da Cultura. Durante este último ano fomos ouvindo, lendo e observando o levantamento e mapeamento das artes e da cultura existente no arquipélago. Agora, quando falta tão pouco tempo, os seus promotores serão substituídos na apresentação da candidatura por dez personalidades associadas ao projecto que poderão, assim, defender um projecto que, mesmo que se digam próximos, não o conhecem certamente por dentro. A dita notícia, convenhamos que a jornalista apenas ouviu uma das partes, omitindo assim os titulares desta candidatura, isto é, as pessoas que deram a cara por este, não dando assim a conhecer qualquer afirmação, comentário ou resposta da mesma equipa. Porquê? Não temos o direito de saber o que está por detrás da não renovação do contrato? Por que é que não deixaram a equipa apresentar o projecto no mês de Março e depois, sim, cessar funções? O que pensa a equipa da candidatura desta tomada de posição pública camarária?
Por fim, uma coisa é certa, após lermos o artigo do jornal, pouco ou nada ficamos a saber sobre o conteúdo desta mesma candidatura. É que só o dinheiro que foi e vai ser gasto é que interessa? E o que é um facto é que muito pouco ou nada ficamos a saber sobre a qualidade do trabalho efetuado por essa mesma equipa da candidatura ou até mesmo a avaliação dos conteúdos do projecto que irá ser apresentado e que fomos tendo uma ideia ao longo de todo este tempo todo. Sim, é verdade, todos ficamos a saber o que já sabíamos: a cultura custa muito dinheiro! E...a incultura?
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Os Filhos da Madrugada: Djaimilia Pereira de Almeida
"Nas três - raça, classe e género - há cambiantes e nuances extremamente complexas para quem possa ter sentido. Em relação à discriminação de classe. só me apercebi na universidade. Manifestou-se em formas de intimidação. Há um aspeto do meu temperamento que o condiciona o modo, como, ao longo do tempo, fui sentindo vários tipos de discriminação: viro a seta para mim. Numa situação em que seja recusada alguma coisa, pergunto: será que o problema está em mim? Será que não sei o suficiente? Será que não li o suficiente? Será que não sou suficientemente inteligente? Não acho que seja uma coisa boa, pelo contrário, é um mau sintoma. Em relação à discriminação racial, não imaginava logo que isso que estava em causa. Levei muito e muitos anos a reconfigurar esse passado. Todas estas formas de discriminação podem ser conduzidas a um termo: intimidação. Modos de intimidação que escondem na verdade outro tipo de preconceitos, intelectual, social."
in "Os Filhos da Madrugada", Anabela Mota Ribeiro, Temas e Debates, Novembro de 2021.