segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Dos Alfarrabistas

         "Como cliente de alfarrabistas e livros usados, interessam-me, contudo as marcas do leitor comum. Se um livro tem um autógrafo do autor, interrogo-me em que circunstância o terá o leitor recolhido; se num livro de poemas há um verso sublinhado, releio-o atentamente para lhe tentar discernir a importância - e espanto-me com os pontos de exclamação, questiono os de interrogação, demoro-me a compreender a sinalética variada, os asteriscos, as reticências, os parêntesis curvos e recto. 
    As livrarias alfarrabistas são os pulmões culturais da cidade por onde respiram os escritores, mas também os seus leitores."

Fátima Vieira in "As livrarias alfarrabistas são os pulmões culturais da cidade", Público, 11 de Setembro de 2023.

A Natureza da Ausência*

Viagem à Volta do Meu Quarto, 1990
Joaquim Bravo 
Galeria do Centro Municipal de Cultural- Ponta Delgada*
Obras da Colecção de Arte Contemporânea
Fundação Altice

Ontem, escrito numa parede da cidade

 Tens que vir vestido à cebola

sábado, 9 de setembro de 2023

Verso dos Go-Betweens

And how I miss your quiet heart, quiet heart. 

À memória de Stéphane Hessel

       Foi por esta altura, há mais de trinta anos, no Festival de Cinema da Figueira da Foz e, através do filme, "Der Diplomat", de Antje Starost e Hans Helmut Grotjahn, que conheci a figura de Stéphane Hessel. 
       Quem foi Stéphane Hessel? Nascido na Alemanha, em 1917, naturalizou-se francês em 1937, tornando-se embaixador e diplomata ao longo da sua existência, pertencendo à resistência francesa e foi agente do Bureau Central et Renseignements et d´Action, os serviços de inteligência francesa. Acabei, por isso, de encontrar um livro da Planeta Editora de uma entrevista de Stéphane Hessel por Gilles Vanderpooten. Trata-se dum libelo propositivo sobre o futuro das sociedades em que vivemos, uma reflexão viva sobre os direitos humanos e o estado do mundo. À altura, 2011, não tinha havido uma pandemia nem existia uma guerra às portas da Europa, mas vale a pena pensarmos com alguém que esteve sempre na defesa da dignidade e liberdades humanas. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Dormir Vestido de João Luís Barreto Guimarães

Despede-te 
todos os dias de cada coisa 
que amas ( a vida é um veneno que
 só se toma 
uma vez). Descansa os olhos no mundo
(a dor 
assinala o centro)
há uma flecha em viagem com o nome 
de cada um. É como 
apanhar boleia no guarda-chuva de alguém
(deves pagar a viagem exigindo 
segurá-lo). Ou 
como dormir vestido (estar sempre 
pronto a partir ) levando 
em ti o
que aprendeste na universidade 
do interior.

in Aberto Todos os Dias, Quetzal Editores, Janeiro de 2023.

A Natureza da Ausência*

Sem título, 1997-98
António Palolo
Galeria do Centro Municipal da Cultura - Ponta Delgada*
Obras da Colecção de Arte Contemporânea
Fundação Altice
 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

ASB

 


O Provérbio

 Chuvas verdadeiras, em Setembro as primeiras
                                                                                                                    in Borda D´Água, edição 2023.

Elis&Tom de Rodrigo Oliveira

     
Capa do Disco Elis&Tom
Institituto António Carlos Jobim 
Numa destas noites estivais, ainda que com frescor nocturno, foi possível assistir numa sessão de cinema ao ar livre, no espaço Solar, em Vila do Conde, ao documentário oriundo do Brasil, "Elis & Tom” de Rodrigo Oliveira.”. O autor do documentário  decidiu ir ao encontro da criação desse disco fundamental da música popular brasileira. Este abre com a canção “Águas de Março” do compositor da Tijuca, nascido no Rio de Janeiro, que com a genialidade da voz de Elis, transformaria este encontro num diamante ainda hoje celebrado. 
      “Elis&Tom”, de Rodrigo Oliveira, trata-se de um documentário fundamental para perceber essa ligação criada para este disco de dois dos maiores astros musicais do Brasil. Esse elo musical ainda hoje lembrado, recordado, em que a perfeição espreitou o sublime e tudo convergiu para que esta fusão fosse possível. Na verdade, um documento poderoso, enérgico, pressentido pela filmagem em super 8 daquele ambiente em estúdio e da atmosfera pesada inicial, sendo exemplarmente combinado com os depoimentos de amigos e participantes, mantendo sempre aquela fluência e envolvência da língua portuguesa, aqui expressa pelos irmãos brasileiros, símbolo de uma cultura que nos orgulha e dignifica.

A Natureza da Ausência*

Erros 44 (Mecânico), 1995
Eduardo Batarda 
Galeria do Centro Municipal da Cultura - Ponta Delgada*
Obras da Coleção de Arte Contemporânea
Fundação Altice 

 

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Setembro

         Vindimar. Ceifar arroz. Colher amêndoa. Estercar as terras semear no Minguante. No Crescente continuar a semear centeio e cevada. Nos pomares, aquando da última apanha da fruta, dar início à poda e limpeza das árvores. Enxertar (em fenda) cerejeiras, macieiras e pereiras e curar a calda. Na Horta semear, ao ar livre e local definitivo, agrião, cenoura, chicória, feijão, nabo, rabanete, repolho, salsa, em canteiro, acelga, alface, alho-porro, cebola e tomate. Plantar com as primeiras chuvas, os morangueiros, regando até pegarem. Colher feijões e cebolas maiores para semente. No Jardim ir preparando composto e semear amores-perfeitos, begónias, cravos, gipsófilas, margaridas, malmequeres, miosótis, papoilas e as de florescimento primaveril. Plantar bolbos de jacintos, tulipas e narcisos.

in Borda D´Água, Editorial Minerva, Lisboa

Verso dos Purple Mountains

 All my happiness is gone