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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

100 Anos de Ingmar Bergman: A Entrevista Ambicionada

Ingmar Bergman, Sven Nykvist, Erland Josephson e Liv Ullmann
«Irascível e impaciente, concordou, no entanto, em começar a nossa conversa (talvez a primeira ou única com um jornalista português) por aludir às suas funções e ambições como director da primeira cena nacional da Suécia. “Não quero ser dogmático. Não entrei aqui para reformar tudo. Sou um artista, não sou nenhuma vassoura. O que é bom deve manter-se. Recebi este cargo como se recebe um fato novo. A forma aparecerá com o tempo.” …. Na realidade, as de início muito criticadas medidas audaciosas então lançadas por Ingmar Bergman cedo começaram a surtir efeito e a recolher o aplauso geral. Ele chamou a grande maioria dos atores, encenadores, dramaturgos e diretores teatrais suecos, incluindo os intérpretes dos seus filmes, garantindo-lhes boas condições profissionais e financeiras. Libertou-os de exclusividades absurdas, dando-lhes plena autorização para aplicar o seu talento na valorização da arte e no benefício do público em todas as oportunidades possíveis. No Real Teatro Dramático ou noutros palcos, na capital ou na província, no cinema ou na televisão. Realizou teatro para crianças e estudantes em salas alugadas. Levou fragmentos do Dramaten vários pontos do país. Incluiu um reportório infinito, com as obras mais atuais e discutidas em qualquer ponto do mundo. Criou teatro a preços de cinema.
“O mais importante é a difusão do teatro e o direito do público de apreciar o melhor” – “Satisfeito com os resultados?” – perguntei. Resposta: “Nunca poderei estar contente desde que haja uma cadeira vazia num espetáculo.”.
(…). Sempre foi evidente que para Bergman a arte era um sacerdócio. Na sua opinião um artista só devia desempenhar figuras pelas quais se apaixonasse. Contrariamente ao normal, não forçava os atores a adaptarem-se sacrificadamente às personagens das suas obras. Ao criar histórias, modelava-as desde o princípio às características genuínas, mentalidade e temperamento dos artistas com quem contava. Detestava mudar de intérpretes nos seus filmes. Uma grande parte dos seus atores trabalhava com ele ininterruptamente há mais de vinte anos. “Quando trabalho num filme ou numa peça, todas as personagens se metem de tal forma na minha cabeça, que eu próprio chego a submergir nelas” – confessou.»
César Faustino in E, Revista do Expresso, 1 de Dezembro de 2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

John Wayne nos Açores

         "Estávamos em junho de 1963 quando, fora do ecrã, apareceu inesperadamente alguém que não era cowboy de Stagecoach, o homem da cavalaria de She Wore a Yellow Rainbow, o caçador de Hatari!, o irlandês de Quiet Man, ou o homem da marinha de Wings of Eagles. A não ser que se considere John Wayne uma personagem de Marion Morrison, o seu nome à nascença, foi ele, que no sábado teria feito 111 anos, quem saiu do seu iate, o Wild Goose (Ganso Selvagem), e caminhou por Ponta Delgada."

Mariana Pereira, in Jornal Diário de Notícias, 28 de Maio de 2018

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Filme D´Outono: Match Point de Woody Allen

Chris: Acredito que em tudo na vida, é preciso sorte.
Chloe: Não acredito na sorte. Acredito no esforço e no trabalho.
Chris:  Oh, o esforço é necessário mas penso que as pessoas têm medo de reconhecer o quão importante é a sorte. Quero dizer, os cientistas dão cada vez mais crédito à ideia de que a nossa existência é produto do acaso. Nenhum propósito, nenhum desígnio.

Woody Allen in Match Point (Crime sem Castigo) Tradução: Luís Rodrigues

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Jacques-Yves Cousteau: A Odisseia que nos Espera!

Ilustração de Pedro Valim
   Jacques-Yves Cousteu faleceu a 25 de Junho de 1997, aos 87 anos. Fará agora vinte anos após o seu desaparecimento. Foi o maior oceanógrafo e um "fanático" da conservação dos oceanos. Foi oficial da marinha francesa, realizou centenas de documentários para a televisão, tornou-se globalmente conhecido pelos seus trabalhos e investigações a bordo do Calypso e deixou uma legião de fãs e admiradores. Falta hoje gente como o Cousteau para mostrar o que se passa no fundo dos oceanos. Esses fundos dos mares carregados de lixo marinho e onde há mesmo ilhas de plástico. Andou pelos Açores e disse coisas como esta: "O mar é o esgoto universal". O Calypso esteve nas ilhas açorianas a estudar a corrente do golfo e tudo o que se relacionava com a preservação das espécies e conservação dos oceanos. Este grande divulgador e explorador dos oceanos tem um filme nas salas de cinema que narra a sua vida e exemplo para que assim possamos ver e reflectir: "A Odisseia", de Jerôme Salle.  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

50 anos de "Persona" de Ingmar Bergman

 "Persona"
Filme de 
Ingmar Bergman(1966)
         Ingmar Bergman realizou “Persona”, em 1966. Em português ficaria conhecido por “Máscara”, nome bem elucidativo de um argumento que se vai revelando por camadas, que se vai descobrindo à medida que se desenrola o fio desta trama psicológica. Liv Ullmann é “Alma”e Bibi Andersson é "Elisabeth Vogler". A actriz encontra-se em silêncio profundo, facto originado a meio da sua actuação na peça “Elektra”, de Sófocles, acontecimento que a leva a isolar-se dos outros, em profunda apatia e solidão. A enfermeira vai lentamente tornar-se cúmplice da actriz, expondo-se, também ela à fragilidade e à força do inconsciente. Ingmar Bergman contou, à semelhança de muitos dos seus outros filmes, com a mestria da fotografia de Sven Nykvist. Cinquenta anos depois, “Persona” permanece como um marco fundamental da carreira do realizador sueco.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ettore Scolla

      O cinema mais belo do mundo perdeu mais um dos seus grandes:Ettore Scolla. Recordarei sempre o inacreditável e audível riso provocado pelo seu “Feios, Porcos e Maus”, tal como a alegria de saber que o cinema pode falar da vida e das pessoas que vivem ao nosso lado, as pessoas que vivem connosco.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

José Fonseca e Costa (1933-2015)

      À semelhança de Fernando Lopes, José Fonseca e Costa foi dos cineastas portugueses da sua geração que agregou um grande número de amantes e entusiastas à volta dos seus filmes. Recorde-se assim o poético “O Recado” (1972), o hilariante “Kilas, o Mau da Fita” ou o fraterno “Cinco Dias, Cinco Noites”. E onde é que se pode hoje vê-los?