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segunda-feira, 20 de maio de 2024

A Loucura de Hölderlin

       
        "A filosofia nasce no momento em que alguns homens se dão conta de já não poderem sentir-se parte de um povo, de que um povo como esse ao qual os poetas criam poder dirigir-se não existe ou se tornou qualquer coisa de estranho ou hostil. A filosofia é, antes de mais, esse exílio de um homem entre os homens, esse ser estrangeiro na cidade em que acontece ao filósofo viver e na qual, no entanto, continua a morar, apostrofando obstinadamente um povo ausente. A figura de Sócrates traz a expressão este paradoxo da condição filosófica tornou-se tão estranho ao seu povo que este o condena à morte; mas ao aceitar a condenação, ele adere ainda ao seu povo, como aquele que ele expulsou irrevogavelmente de si."

Giorgio Agambem in a Loucura de Si, Crónica de  uma Vida Habitante (1806-1843), Edições 70, Trad. Miguel Serras Pereira.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

A Filosofia: O que é?

        “Naturalmente, a vida põe-nos problemas. Os problemas estorvam a nossa vida. São obstáculos com que nos deparamos. Têm de ser resolvidos ou removidos de qualquer modo. Os gregos chamam «aporias» aos problemas com que temos de lidar, sejam elas de índole quotidiana, sejam eles altamente especializados. Uma aporia é uma dificuldade que cria uma situação difícil que nos deixa em apuros. Pode ser sentida com um carácter de maior ou menor urgência que inste à sua resolução. A filosofia naturalmente existente na nossa vida lida com toda a espécie de aporias e problemas com que nos deparamos. É a ignorância que cria força de pressão para a resolução dos problemas particulares que temos de resolver. Os problemas que se nos põe são de toda a espécie, origem e proveniência.

         Ao surgirem, são dinâmicos. Temos de resolvê-los. É o que acontece com as avarias elétricas em casa, os problemas com a canalização, o barulho, a ligação à Internet, os problemas de índole pessoal, de natureza política e social. Quanto à gravidade com que  nos surgem e a urgência da sua resolução, a própria avaliação pode variar. Chamamos os técnicos para os resolver ou tentamos nós próprios resolver esses problemas. É assim também que o médico faz o diagnóstico para identificar, a partir dos sintomas, a causa de uma doença ou manda fazer análises de rotina, porque as doenças podem esconder-se e não se revelar. O mesmo se passa com as situações de conflito. Nem sempre se declaram logo. As situações polémicas ou de combate trazem o estratego para fazer o diagnóstico e avaliar a situação. Quem avalia a natureza da ocasião oferecida? Como aproveitar a oportunidade para passar de uma situação prejudicial para uma situação vantajosa? Como evitar uma desvantagem? Quando atacar e bater em retirada? Quanto tempo se pode resistir e quando se deve desistir? O mesmo se passa com a nossa afetividade e com o modo como nos comportamos emocional e afetivamente com os outros, aos quais estamos ligados afectiva e profissionalmente. A nossa relação com amigos e família, com as pessoas que amamos e que são protagonistas nas nossas vidas, traz consigo um conjunto de problemas que se nos põe. Obrigam-nos a ter conversas sérias, a resolver crises que a vida cria de forma espontânea e primária. Percebemos o sofrimento que causam certas atitudes e palavras ditas, e também que fazemos sofrer os outros com as nossas atitudes, palavras, actos e omissões. Mas pode ser também a tentativa de resolver coisas simples como o que vai ser o jantar, qual o caminho mais rápido a tomar em determinada direcção, como escapar ao trânsito, etc. Há sempre um diagnóstico da situação que irrompe e temos de resolver porque é um obstáculo, um estorvo, interrompe o curso normal da vida.”

in “O Que é a Filosofia?”, António Castro Caeiro, Edições Tinta da China

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Do Valor

   O maior bem que podemos fazer aos outros é levá-los a descobrir a sua própria riqueza.

 Louis Lavelle

domingo, 19 de setembro de 2021

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Da Raridade

"Todas as coisas dignas de atenção são tão difíceis quanto raras."
                                                                                                                Espinosa