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terça-feira, 21 de novembro de 2023

Pelo Livro, Sempre!

         “Ao chegarmos ao fim do ano de 2023, continuamos a constatar que nos Açores grande parte da população não lê, e, simultaneamente, verificamos que, por insuficiência pedagógica, com a introdução da digitalização dos manuais escolares, ou devido à acção de diversos tipos de captação e entretenimento, o livro esse alicerce maior da nossa cultura e da liberdade, corre sérios riscos de subalternização, ou pior, de ser olhado como objecto cultural ultrapassado e supérfluo.
            Conhecedor e consciente desta situação, entendo como dramático, a falta de sensibilidade e o total desinvestimento nesta área por parte dos decisores políticos. Continuamos a constatar que grande parte dos açorianos nunca usufruíram do prazer da leitura, nunca tocaram, ou folhearam um livro novo que se dispõe a ser lido e a retribuir generosamente o fascínio ao seu leitor.
          Para a sua concretização, torna-se fundamental criar hábitos de leitura. Quer fazendo chegar o livro a todos os lugares onde residem os seus potencias leitores, quer desenvolvendo múltiplos processos de sedução que valorizam sempre o livro com uma misteriosa riqueza espiritual partilhável, positiva em todas as suas vertentes.”

 in Manifesto pela Leitura, José Carlos Frias, Correio dos Açores, 29 de Ouaubro de 2023.

Da Memória

         "Por que razão somos capazes de rememorar acontecimentos da nossa vida pessoal que remontam à infância, enquanto factos com semanas de existência se apresentam completamente obscuros?"

Ana Cristina Leonardo, Ípsilon, 13 de Outubro de 2023.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Do Amor

          "Precisamos de cooperação para sobreviver, mas a cooperação é realmente difícil. Por isso, a evolução teve de inventar algo para nos subornar. E isso foi o amor."

Anna Machin, in Ípsilon, 14 de Abril de 2023.

terça-feira, 21 de junho de 2022

Sobre a Falta

     "Uma coisa fique clara: o espanto liga-se ao desejo, não às necessidades. Caímos frequentemente na tentação de pensar que necessidades e desejos talvez não sejam argumentos diferentes, já que refletem a mesma experiência: a da falta. Porém, entre ambos, como explicou Jacques Lacan, existe uma diferencça insuperável: é que "o desejo não tem objecto". A posse de um objecto satisfaz uma necessidade, mas o desejo é de outra ordem. O sujeito sabe o que deseja, mas não sabe o que deseja. O desejo é a forma de existência de um sujeito que é em si mesmo falta. Emerge em nós como percepção profunda de que somos lacuna (ou, na precisa definição de Lacan, de que somos um "aparato lacunar"). Por isso, mais do que oferecer-nos uma flecha, o desejo destapa em nós uma ferida. É uma força que atua por esvaziamento. O desejo desarma-nos primeiro para que possa acontecer o espanto."

José Tolentino Mendonça, in Revista do Expresso, 17 de Junho 2022.