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sábado, 10 de janeiro de 2026

Da dor

   Em todas as vidas há dor. É um elemento precioso para que possamos dar valor ao que temos na vida. E é também um bom assunto para escrever. 

Pedro Almodovar, Ípsilon, Novembro de 2023

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

terça-feira, 29 de novembro de 2022

sábado, 10 de abril de 2021

Da Vida

    "Nascemos, crescemos e morremos sozinhos. O amor e a amizade dão-nos a ilusão do contrário."                                                                                                

          Orson Welles

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Dos Casais

         "Há muitos casais que se destroem na filmografia de Bergman, é mesmo se calhar o tema mais presente em toda a sua obra, o desamor que sucede sempre à paixão, a amargura que a devoção deixa no peito, tema que dura mesmo até ao fim, a esse “Saraband” terminal com que, cinematograficamente, o realizador se despediu de nós em 2013. Mas nenhum tem a turbulência essencial que “Mónica…”ressuma, como um suor amargo na refrega das febres, materializando nesse plano último em que Harriet Andersson olha para a câmara, olha para nós, a interpelar as nossas convicções e juízos. Quando a vida é madrasta, por quem nos tomamos para nos pormos a fazer julgamentos?"
Jorge Leitão Ramos, in E, Revista do Expresso, 1 de Dezembro de 2018

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

domingo, 9 de dezembro de 2018

Hálito Azul, de Rodrigo Areias, estreou no Porto/Post/Doc

“O outro é uma estreia — Hálito Azul, a mais recente aventura de Rodrigo Areias, aqui explorando a povoação açoriana de Ribeira Quente inspirado por Raul Brandão. A fragilidade do filme de Pestana vem do olhar a nu sobre uma década da sua vida; a de Hálito Azul vem da indefinição do projecto, na sua essência um documentário sobre a Ribeira Quente com “interferências” narrativas, mais conseguido na vertente documental do quotidiano insular, menos convincente nas incrustações encenadas.”
Jorge Mourinha, in Público 18 de Novembro de 2018

“Um dos filmes mais aguardados é português e o PortoPostDoc conseguiu a sua antestreia mundial. É Hálito Azul, de Rodrigo Areias, a partir de Raúl Brandão. Trata-se de um dos pontas-de-lança da competição internacional. Um grande feito do festival, sobretudo porque se trata de mais um belo triunfo do cineasta de Guimarães, aqui a viajar para Ribeira Quente, nos Açores, e a documentar com uma beleza matreira o dia-a-dia da população piscatória. Uma câmara que olha para os homens, as mulheres e as crianças com uma dignidade serena. Depois, há também um trabalho de apropriação das palavras de Brandão que não cai em clichés baratos de "poesia ilustrada"

Rui Pedro Tendinha, in Diário de Notícias, 23 de Novembro de 2018

“Hálito Azul traz elementos fantásticos que fazem parte do imaginário e do vocabulário dos pescadores, assim como apresenta elementos de ficção e de documental ao misturar situações de observação com a criação de momentos ensaiados, e nos revela, como parte da trama (trama no sentido mais próximo de costura e tecido, e mais distante da noção de sequência planejada) estes encontros entre os habitantes locais para ler as falas do roteiro. Enfim, muitas coisas podem ser ditas sobre este lindo filme, extremamente delicado e lírico, mas deixo isso pra outro artigo exclusivo a ele.”
Raquel Gandra,in Ambrosia, 24 de Novembro de 2018

“Hálito Azul é isso mesmo, um desvio ao encontro da comunidade da Ribeira Quente, em São Miguel, nos Açores, em um período crucial para o tradicionalismo de uma das suas atividades principais – a pesca. Através desse impulso, a aventura não brava os setes mares mas segue ao encontro de uma população que não esconde os seus vínculos com o Oceano, todo o seu quotidiano e atividades gira envolto desta imensidão.”
Hugo Gomes, in C7nema, 1 de Dezembro de 2018

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

100 anos de Ingmar Bergman


          
          "Há muitos casais que se destroem na filmografia de Bergman, é mesmo se calhar o tema mais presente em toda a sua obra, o desamor que sucede sempre à paixão, a amargura que a devoção deixa no peito, tema que dura mesmo até ao fim, a esse “Saraband” terminal com que, cinematograficamente, o realizador se despediu de nós em 2013. Mas nenhum tem a turbulência essencial que “Mónica…” ressuma, como um suor amargo na refrega das febres, materializando nesse plano último em que Harriet Andersson olha para a câmara, olha para nós, a interpelar as nossas convicções e juízos. Quando a vida é madrasta, por quem nos tomamos para nos pormos a fazer julgamentos?"

Jorge Leitão Ramos, in E, Revista do Expresso, 1 de Dezembro de 2018 (imagem wikipédia)

sábado, 31 de março de 2018

Do Cinema Português

           
         "Não há dúvida que no cinema português dos anos 2000, alojado no coração da sua vitalidade produtiva e em alguns dos seus sucessos internacionais, vislumbramos os riscos de uma academismo daquilo que foi anteriormente, praticado por cineastas  muito conscientes do valor das exigências formais herdadas, hábeis no seu artesanato, e assim, portadores de um saber incontestável, também ele herdado. 
          No entanto, como o mostra o filme de Pedro Pinho A Fábrica do Nada, concluído na Primavera de 2017 e apoiado na inspiração e trabalho colectivo dos seus amigos da produtora TerraTreme, estas qualidades adquiridas (exigência formal, habilidade e saber de artesãos) podem ser convocadas por uma sinceridade criadora perante o risco de academismo, de modo a indicarem então a via de uma contra-tendência."


Jacques Lemière in  O Cinema Português em Écran Panorâmico, revista Electra, Março 2018.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Melhor Juventude de Marco Tullio Giordana

“Eu devia ter percebido mas não percebi nada. Talvez não seja verdade e eu tenha até percebido mas foi como aconteceu com a Giulia. Eu podia tê-la impedido. Em frente da porta. Ela virou-se e ainda olhou para mim. Eu fechei a porta e apaguei tudo. Agora, nada resta. As escadas da sua casa, a serradura no chão, os livros no chão, a porteira…Eu devia tê-los impedido. Amava-os aos dois mas não fui capaz de aprisioná-los nesse amor. Era a minha ideia de liberdade em que cada um tem o direito de viver da forma como lhe apetece.”

in “A Melhor Juventude” de Marco Tuglio Giordana

sábado, 25 de novembro de 2017

Do Contexto

       "É verdade que uma pessoa se habitue ao conforto de um hotel, de um voo, etc. Quando nos habituamos a que alguém tome conta de nós, tornamo-nos um pouco mais ignorantes. Mas pensei sobretudo no modo como representamos os pobres no cinema, que é muito sentimental e não é forçosamente verdade: os pobres são mais solidários uns com os outros, etc. Não quis retratar os pobres de modo sentimental, nem criticar as classes altas. Acho apenas que todos nos comportamos de acordo com a posição que temos na sociedade, ao longo de uma hirerarquia económica. Pensamos em nós próprios como indivíduos livres independentemente do contexto em que vivemos mas a verdade que estamos completamente dependentes desse contexto." 
Ruben Östlund, in Ípsilon, 24 de Novembro de 2017

domingo, 29 de outubro de 2017

O Outro Lado da Esperança

          "Posso viver sem o cinema, mas não posso viver sem árvores. Não consigo viver sem um beija-flor numa árvore. Enquanto houver um pássaro continua a haver esperança."
Aki Kaurismäki in Ìplson, Jornal Público, dia 27 de Outubro de 2017

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Do Cinema

Desenho de Liv Ullmann
(Daniel Seabra Lopes)
          
            "Os filmes, a fuga da realidade, o mundo dos sonhos; experiência e pessoas que, segundo eu acreditava, iriam tornar-se parte do meu quotidiano, no futuro. Tragédias tão grandes que o nó continuava na garganta, muitas horas depois. Maravilhas imensas a ponto de meus pés tocarem o solo, quando eu voltava para casa.
        Milagre em  Milão, Luzes da Ribalta. Vi esses filmes dez ou vinte vezes, com o mesmo encantamento. Heróis e Heroínas. Criaturas que representavam o Bem ou o Mal. Quase nunca comuns e tediosas, como as pessoas que eu conhecia em Trondheim.
         E o amor.
     Ansiava por experimentá-lo, tal como o via na tela: abraçar um homem com camisa branca e um alvo sorriso, que me olhasse de cima, ternamente, e sussurrasse palavras sussurradas pelo Herói à Heroína.
       Escutar violinos, quando ele me beijasse.
     Ah, se eu pudesse crescer um pouco mais depressa. Eu lançava um olhar ansioso para os meus seios inexistentes." 

in Mutações, Liv Ullmann, edições Nova Nórdica, 1984.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Mulher de Muitas Caras

Do sítio: www.garboForever.com
"Um velho preconceito condiciona, muitas vezes, o olhar dos espectadores de cinema sobre os filmes mais “antigos”. Por acção de uma cultura televisiva que tende a produzir ironia sobre qualquer manifestação artística a que não seja possível colar o rótulo de “actualidade”, tudo o que no remeta para épocas mais ou menos distantes é encarado como pitoresco, anedótico e, no limite, irrelevante.
O trabalho dos atores, por exemplo. De facto, não é verdade que o cinema mudo tenha sido habitado apenas por actores peritos em esgares mais ou menos histriónicos. Em primeiro lugar, a evolução da comédia até à eclosão do som, em finais da década de 1920, está longe de ser coisa banal ou desprezível; depois, os atores transfigurando desde os primeiros filmes que “reproduziram” a cena teatral até aos que, a pouco e pouco, souberam diversificar as escalas das imagens e enriquecer específico da montagem.
Nesse contexto, Greta Garbo (1905-1990) é um prodígio de versatilidade, subtileza e intensidade dramática. E não apenas porque passou, incólume, do mudo para o sonoro. Também porque toda a sua evolução revela um labor alicerçado na certeza d que a câmara de filmar, longe de ser um mero objecto de registo, é uma “coisa” que refaz as coordenadas do espaço e tempo, obrigando o actor/actriz a uma sofisticada arte corporal."


João Lopes, in “Açoriano Oriental” 13 de Julho de 2017

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Down By Law : 30 anos.

"Vencidos pela Lei" filme de Jim Jarmush
Podia parecer uma homenagem aos Irmãos Marx, podia, mas não é, anda lá perto. Antes deste filme, já se tinha avistado no cineclube Octopus o filme “Para além do Paraíso”, a recordação duma pequena audiência extasiada e uma outra contida na afirmação do entusiasmo. Para lá do John Lurie, Tom Waits e Roberto Begnini havia também a estranheza, a escuridão, a música e a melancolia. Ninguém ficou indiferente ao ambiente sujo e negro de uma América por descobrir. Jarmusch só ele sabia como ironizar com a natureza humana em “Down By Law” e apercebemo-nos que não há injustiça sem humor, ainda que nos doa. A raiva e a incompreensão podem e devem ser contidas, diz-nos, dado que há sempre uma escapadela ou outras formas "imaginárias" de contornar a lei e a iniquidade de tratamento. Um filme para rever se a chuva voltar. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Filme d´Estio

"Que Coisas São as Nuvens?"
Nineto Davoli: Que coisas são aquelas?
Totò: São nuvens!
Nineto Davoli: Que coisas são as nuvens?
Totò: Ah…
Nineto Davoli: Quanto são belas...o quanto são belas…
Totò: A Inefável beleza da criação!



Pier Paolo Pasolini, in "Che Cosa Sono le Nuvole?", 1967.