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sábado, 24 de janeiro de 2015

Um Postal de Miriam Manaia

            Caro Doutor, como tem passado este sol de Inverno  com temperaturas amenas e agradáveis?
       Nem imagina o quanto amei saber que se encontra de novo a viver junto de um vulcão adormecido. Passou tanto tempo desde o nosso último encontro e sei que nunca mais transmiti nada da minha parte, típico desta minha personalidade errante, bruxuleante e ondulante. Durante os últimos meses viajei sem cessar, corri mundo, fartei-me de viajar até cansar. Regresso agora de uma viagem ao sudoeste asiático onde, pela primeira vez, nadei com crocodilos, e, talvez por isso, tenha tido necessidade de lhe escrever com esta brevidade. É um impulso estranho nadar com animais de grande porte, rodeá-los sem que estes nos mordam ou apanhem, sempre com esta sensação imanente de "toca e foge". É preciso muito treino, evidentemente.
      Soube, por voz amiga, que o agora (Professor) Doutor tem tido contactos recentes com o mui amigo Janeiro Alves. Que bom seria ter a vossa companhia no recém-renovado Solar dos Manaias.
      Até breve na caixa dos correios,
                                                            com imensas saudades suas

Miriam Manaia

terça-feira, 11 de março de 2014

Postal de Miriam Manaia da Capital

          Como vai o senhor doutor?
       Aqui vai um postal da Costa do Castelo onde aluguei um pequeno apartamento para absorver a luz da cidade. Ultimamente tenho passado as noites às claras já que me tenho dedicado a rever documentários de Cris Marker e de Patrício Gúzman. Desta forma, acabo por não sair o que me traz alguma paz de espírito mas que torna o desassossego artístico e criativo cada vez maior. O que fazer?
        Soube, entretanto, que o Doutor tinha sido deslocalizado - na magnífica expressão e adjectivação desse momento pelo seu amigo de longa data, Janeiro Alves. E, talvez por isso ou não, decidi prolongar a minha estadia na cidade das sete colinas. Caso o Doutor Mara passe pela capital não se esqueça de visitar esta sua amiga que não esquece os dias de farândola noctívaga e darandina cultural – vivida e fruída em PDL – tendo por pousio o solar dos meus familiares mais próximos, os insuportáveis mas sempre fraternos, manos Manaia.

Sempre sua amiga,

Miriam Manaia