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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Grotta nº2 na Livraria Solmar, às 19 horas


   
“É verdade que os Açores e a Irlanda são verdes, como está vestido de verde a mítica figura do duende irlandês no fim doo arco-íris, guardando o seu pote de ouro. Não há como contornar a biologia. Três partes de água para uma parte de terra e temos a profusão de cores com o verde a imperar. Mas há mais. O verde das ilhas, sim, mas os vários tons de azul do mar, aquela alternância de reflexos bicolores entre o cinzento e o azul do céu. O mar cerca-nos e o céu fecha-se. Resta-nos o verde, com um fundo de estúdio sobre o que podemos projectar o que quisermos.”
Pedro Santo Tirso in Grotta-Arquipélago de escritores nº1, 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

"Amarcord" o filme da vida de Zeca Medeiros

Amarcord será exibido dia 27 de Maio
no Teatro Micaelense
Este filme de Federico Fellini foi realizado em 1973 e retrata Itália dos anos 30, a vida na cidade de Rimini e de um adolescente daquela altura. Num misto de ficção e realidade, pois trata-se das recordações do realizador, Amarcord é um quadro pitoresco e fantasmagórico  pré-segunda Guerra Mundial e onde se anuncia já a presença de Il Duce
Federico Fellini convocou para este filme a sua galeria de personagens extravagantes, dando assim a conhecer os tempos da sua juventude e a sua visão da Itália daquele período, contando para isso com a música evocativa, plena de imagens, de Nino Rota. O realizador explicaria alguns anos mais tarde, numa conversa com Damian Pettigrew, as razões que o levaram a realizar tal filme: "O Amarcord é uma reflexão sobre a incapacidade de observarmos criticamente o nosso passado fascista, um passado que recusamos, mas do qual nunca nos poderíamos separar: o que faz parte do passado de cada um de nós forma inalteravelmente uma parte íntima de si próprio. Por isso o Amarcord é mais um exame do presente do que uma nostalgia. Na realidade, quando foi estreado o Satyricon, muitos viram o filme como um comentário sobre o Maio de 68. Creio que filmes como Casanova ou O Navio podem ser interpretados como reflexos de uma certa actualidade, como o jornal da noite. (...) Muitas vezes simplifiquei o sentido cabalístico da palavra amarcord, dizendo que é um termo romagnolo e que significa "Lembro-me". Mas não é bem verdade. Penso que a ideia original me ocorreu depois de ter lido qualquer coisa sobre o sueco defensor do aborto Hammercord, e que a sonoridade do seu nome o ponto de partida. Se se juntarem as palavras amare (amar), cuore (coração), ricordare (lembrar) e amaro (amargo) obtém-se Amarcord."

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Hoje, às 18h30, na Tipografia Micaelense

Fotografia de Carlos Olyveira 
       Os micro-contos estão prontos. A reunião está feita e o trabalho de tipografia está concluído. São sete micro-contos efectuados na Tipografia Micaelense sob a orientação gráfica de Júlia Garcia e o trabalho colaborativo de Eduardo Furtado e Dinis Botelho. Ao todo sete narrativas minúsculas que se lêem de jorro, entre o café e uma torrada, e que nem por isso deixam de provocar regalo e delícia nos olhos mais atentos perante a beleza de tal arrojo e empreendimento. Foi oficio prolongado e que explorou os tipos existentes naquele espaço tipográfico repleto de memórias e labores. Os autores destas pequenas histórias são: Nuno Marques da Silva, Blanca Martín Calero, Fernando Nunes, Laura Borges, Francisco Melo Bento, Eduardo Brito e João Pedro Porto. Mais logo, pela tardinha, há leituras e conversas para quem quiser aparecer. 

domingo, 2 de abril de 2017

Pontes: Gramáticas da Criação em Ponta Delgada

Fotografia de Carlos Olyveira
Durante cinco dias da passada semana e, sempre ao fim da tarde, cumpriu-se o “Pontes – Gramáticas da Criação”. Duas dezenas de convidados estiveram na cidade de Ponta Delgada a partilhar ofícios e conhecimento, a conversar sobre os seus temas e assuntos de eleição, acolhidos que foram em lugares como os da Galeria Arco 8, Sinaga, Tascá e Igreja da Mãe de Deus.
Uma vez por ano, no dealbar da Primavera, os dias e a vida poderiam muito bem ser assim: reflectir em conjunto sobre aquilo que se faz, produz, constrói, isto é, falar sobre os caminhos das artes e da cultura e, porque não, o solidificar de várias cumplicidades e demais projectos criativos em que se encontram envolvidos. E como foi interessante e deveras entusiasmante, poder conhecer as visões de Nova Iorque de Jorge Monjardino e Paulo Abreu, a artesania editorial da Hélastre, de Saguenail e de Regina Guimarães, a descoberta e pesquisa dos sons de Raquel Castro, as curtas viandantes de André Laranjinha e Eduardo Brito, as ideias e as palavras representadas de Lígia Soares e Miguel Castro Caldas ou ainda a música atlântica de Medeiros/Lucas. A acrescentar, tal como uma cereja em cima de um bolo, algo que o João da Ponte também gostaria de ter participado - a edição dos “Cadernos de Poesia da Tascá”, com o design de Júlia Garcia, a organização de Diana Diegues e Rita Freire e com poemas de Blanca Calero, Bruno Soares, Eduardo Brito, Fernando Martinho Guimarães, Fernando Nunes, João Malaquias, Leonardo, Miguel Teixeira de Andrade, Regina Guimarães, Urbano Bettencourt, ainda as colagens de Paula Mota e João Amado.
         Após cinco fins de tarde intensos, curiosos e estimulantes, simples será de concluir que o “Pontes-Gramáticas da Criação" se traduziu num encontro realmente prolífico e auspicioso: entre ideias, filmes e canções, vozes e outros sons, publicações e poemas, ligaram-se cumplicidades, ergueram-se novas pontes. Sempre sob o signo de João da Ponte (que saudades!).
Retomemos agora, com delicadeza e toda a humildade do mundo, as agruras e as canseiras do quotidiano (ou lá o que é) pois a arte e a cultura apenas servem para dizer que estamos vivos e…atentos! Um bem haja à organização do “Pontes”!

sábado, 3 de dezembro de 2016

domingo, 31 de julho de 2016

Walk and Talk: Falar e Andar até à Sétima Edição!

Imagem do sítio do Walk and Talk
Ponta Delgada viveu e vibrou durante duas semanas com o festival de arte urbana, o Walk and Talk. Ontem, no espaço da galeria, foram apresentadas as diferentes residências artísticas que tiveram lugar na Ilha de São Miguel, culminando no espaço exterior com um intenso e atmosférico concerto dos Peixe Avião e a animação visual dos VJ Suave. Uma hora antes, o designer Miguel Flor abraçava os organizadores e artistas, referindo a importância da consolidação deste festival, dado este saber acolher e integrar, mobilizar artistas e artesãos numa demanda conjunta, preocupando-se assim em trazer a população para a sua programação, alicerçando cumplicidades. Certo é que pouco mais há a dizer de um festival que junta designers, tipógrafos, artistas plásticos, marceneiros, artesãos de vime ou escama de peixe. Este festival tem, pois, um discurso, sabe criar futuro, exige pensamento crítico e por isso irá continuar a crescer já na sétima edição. Recorde-se que, ao longo destes quinze dias, houve muita música, artes visuais e performativas, não esquecendo, portanto, os "3rd Method" que agitaram e encantaram o público mais curioso e interessado num concerto libertador. Ainda Carolina Rocha que com “Bruto” deixou duas plateias, em dias diferentes, intrigadas e perplexas sobre o que esta performer/dançarina anda a imaginar, pensar, sendo muito bem “sonorizada” e secundada por Tiago Franco, No cinema, houve tempo para assistir a um filme sobre uma dinastia familiar de arquitectos alemã. Um documentário que mais parecia um poema sobre o amor e dedicação à arte de projectar, a sua vibração e passagem de testemunho. Desta feita, e até ao final do dia de hoje, formos espectadores ou participantes de exposições, performances, filmes, animação, intervenções públicas, teatro e ilustração. Venha o próximo que este foi bom e tão cedo não iremos esquecer!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Walk and Talk: até ao fim do mês de Julho!

Walk and Talk 2016
Ponta Delgada é uma pequena cidade no meio do Atlântico e o WalK and Talk é um festival de arte urbana que apela à participação dos artistas e mobilização das populações para a sua programação, exige pensamento crítico, estimula as associações, conta com voluntariado e promove a formação dos membros e dos agentes culturais no terreno, etc.
Se esquecermos a letargia existente e a inveja que nos é tão cara, estamos perante um momento de cosmopolitismo e liberdade criativa. Desta feita, e até ao fim do mês de Julho, seremos espectadores ocasionais de bens culturais: exposições, performances, filmes, animação, intervenções públicas, teatro e ilustração. É tempo de andar e falar…sobre os caminhos da arte!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Jorge Kol na Galeria Miolo

exposição de fotografia "Uma Mancheia de Circunstâncias de Independência",  de Jorge Kol de Carvalho, abre hoje ao público, quinta-feira, pelas 18 horas, na Galeria/Editora Miolo, na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel. Trata-se de um conjunto fotografias que tem como referência uma parte recente da História dos Açores, mais concretamente os movimentos autonomistas e independentistas que se lhe seguiram, essencialmente no pós-25 de Abril de 1974. As fotografias, todas elas com a presença de um busto de um homem com a mão ao alto, sob o signo do discurso de independência, mostram essa imagem espalhada por vários lugares: paredes de casas, edifícios oficiais, casas particulares, muros brancos, materiais públicos, etc. O fotógrafo interroga de forma apelativa e estética o discurso revolucionário contido na imagem principal bem como os códigos citadinos associados associados à sua representação. Jorge Kol apresenta-nos uma crítica mordaz e irónica e, por isso, dialoga muito bem e de forma bastante inteligente, com os lugares de todos os dias, evidenciando um campo aberto de perspectivas e sentidos para nos re(vermos) e pensar (mos). A ver e visitar até dia 3 de Junho.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Fazendo 106

      Saiu a edição nº106 do boletim cultural FAZENDO(https://issuu.com/fazendofazendo), mais uma vez em formato online e versão impressa. Ao todo são quinhentos exemplares impressos na Tipografia Telégrafo, na cidade da Horta, Ilha do Faial. Em oito anos de publicação, já lá vão 106 números distribuídos e espalhados pelas mesas e lares das ilhas açorianas. Nos últimos tempos chega com sucesso (e de forma aérea e voluntária!) a cinco ilhas: Faial, Pico, Terceira, São Miguel e Santa Maria. É, desde o primeiro número, livre, gratuito, independente e comunitário. É a experiência participada, informativa, livre e autónoma mais bem sucedida nos tempos mais recentes em todo o arquipélago açoriano. A direcção deste boletim cultural é pertença do Tomás Melo e da Aurora Ribeiro. E todos os anos a revista altera o seu grafismo, renova a constituição dos seus conteúdos, não incluindo qualquer forma de publicidade comercial. Não há memória de nada assim ousada e tão longeva, essencialmente com estas particularidades na história das revistas/jornais nos Açores. Curioso também é o facto de não estar sob a alçada de qualquer instituição governamental ou poder político. 
A edição de Maio do FAZENDO traz consigo a capa do fotógrafo Jorge Barros que continua a fotografar as ilhas e os açorianos de forma sensível e irrepreensível. Caso mesmo para dizer: “Baleias de Barbas e Baleeiros de Bigode”. Há, portanto, no seu interior muitos artigos para ler e fruir nesta Primavera com muito pólen no ar e muitas águas vivas a chegar. Boas leituras! Eis a edição online:https://issuu.com/fazendofazendo/docs/106_zen_impress__o/1

quarta-feira, 27 de abril de 2016

É hoje na GZDB!

"Terra do Corpo"é apresentado às 22 horas!
“Num corpo sem janela há um quarto vazio
E nele o ar circula de fio a pavio
Num corpo há um quarto vazio

Num quarto sem janela há um corpo vazio
e esse está à espera que lhe puxem o fio
Num quarto há um corpo vazio

Cuidado com o Corpo vazio
Cuidado com o Corpo vazio”


in “Corpo Vazio”- Medeiros Lucas (participação de Selma Uamusse), letra de João Pedro Porto.

sábado, 16 de abril de 2016

“Periférica – Brainstorming Art”: A Centralidade de Cem Soldos!

          A Anda &Fala-Associação Cultural, em articulação com o Walk&Talk e com o apoio da EFA-European Festival Association, promoveu, no passado dia 14 de Abril, o seminário “Periférica – Brainstorming Art”, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Durante o dia foram oito as intervenções à volta das relações entre centro e periferia, incidindo a discussão sobre a emergência de um novo mapa geocultural e a criação artística contemporânea nos Açores. Parabéns, portanto, à organização por ter dado a conhecer o trabalho de Luís Ferreira, do Festival Bons Sons. Um exemplo extraordinário de como a partir de um festival de música se envolve uma pequena comunidade, dessacraliza a cultura, e faz com que esta seja alavanca e motor de desenvolvimento económico e humano!

sábado, 9 de janeiro de 2016

As Charlas na Galeria Arco 8

       "O texto incide essencialmente sobre uma entrevistadora, por sinal, bastante curiosa, que numa pose bastante reverente, pomposa e, até enfatuada, quer saber tudo a propósito deste cientista social que dá pelo nome de Doutor Mara. Um personagem meia louca e lunática que adora viver em cidades marítimas e campestres, dividindo assim a sua vida entre o isolamento –  hábitos de anacoreta e o seu gabinete citadino onde se dedica a estudos antropológicos de longo alcance. Este texto que se quer, tanto dramático como cómico, tem como ideia base contrariar aquela ideia muito presente de que os seres humanos têm sempre muitas ideias e factos significativos  para dizer ou contar, reforçados e ampliados pelos meios de comunicação social e redes sociais, isto é, o “hipermediatismo” dominante. Servimo-nos por isso deste Doutor Mara, habitual frequentador de tugúrios inimagináveis, que vão desde os jardins públicos, discotecas, tascas e afins, e que, aproveitando-se do seu estatuto de figura pública sem mácula, para dialogar e dissertar com o público sobre este mundo em que vivemos, não muitas vezes muito mal frequentado. Os actores Tiago Vouga e a Aurora Ribeiro estrear-se-ão em Ponta Delgada com os capítulos Ginecomagia, Tarantoterapia e Enomátria que terão palco na Galeria Arco 8, no dia 15 de Janeiro, sexta-feira, pelas 23 horas." 

(o autor do texto As Charlas Quotidianas do Doutor Mara)