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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

À Memória de Otto Dix

         
      Já passaram cem anos da Gripe Espanhola - ocorrida entre 1918-1920 - onde sucumbiram cerca de cinco milhões de pessoas logo após a Primeira Guerra Mundial, com  quatro anos de duração, mais concretamente entre os dias  28 de julho de 1914 até 11 de novembro de 1918. Uma guerra que marcava a primeira metade da década do século XX, travada por duas grandes forças opositoras organizadas em duas alianças: os Aliados ( Reino Unido, França e Rússia) e os Impérios Centrais (Alemanha e Áustria e Hungria). A mobilização atingiu os sessenta milhões de europeus e morreram mais de nove milhões de soldados. Um desastre como se pode calcular! A primeira década de vinte fechou, assim, com uma mortandade assinalável. 
    Um desses soldados mobilizados deu pelo nome de Wilhelm Heinrich Otto Dix, nascido em Untemhaus, na Alemanha, e que veio mais tarde a tornar-se uma das figuras de proa do expressionismo alemão e onde seria imediatamente censurado com a ascensão do nazismo ao poder. Conhecedor dos horrores da Primeira Guerra Mundial, tornar-se-ia conhecido pela suas postura anti-belicista, materializada  na sua obra “A Guerra”, funcionando o seu trabalho visual, ainda hoje, como reflexo e símbolo de qualquer luta contra a irracionalidade e bestialidade da guerra.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Tereza Arriaga: "Os Meninos do Vidro da Marinha Grande"

"Os Meninos do Vidro"
        Há três anos, exactamente por esta altura, o avião da SATA que me trouxe das Flores  de volta à Ilha Terceira tinha o nome de Manuel de Arriaga, o primeiro presidente da República. Uma semana antes tinha tido a notícia do falecimento da sua neta: Tereza Arriaga. Acasos. Coincidências. Durante a minha estadia nas Ilhas do Pico, Terceira e Faial dei a ver, com a ajuda do Boletim Cultural Fazendo (https://issuu.com/fazendofazendo/docs/fazendo_42_onlinee da Tereza, evidentemente, os slides de viagem deste casal de artistas plásticos fez ao arquipélago dos Açores, no início dos anos 70 do século passado. Um périplo insular em que estes fizeram novecentos slides, percorrendo as várias ilhas de carro e de barco. "Olha, ali está o Jorge!", diria ela numa sessão nocturna com a projecção nas paredes da Igreja de São Francisco, na cidade da Horta. Uma vida cheia, portanto, só concluída aos 98 anos. Tereza Arriaga foi professora de Artes Visuais mais de três  décadas no ensino secundário, sendo das poucas mulheres do seu tempo formada em Belas Artes. Ao seu lado teve como companheiro de vida, o pintor Jorge de Oliveira. Inicialmente, decorria o ano de 1944, começou por desenhar os meninos que trabalhavam o vidro nas fábricas da Marinha Grande. Aqui fica uma imagem desse registo.