Mostrar mensagens com a etiqueta Evocação: Cinema.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Evocação: Cinema.. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de setembro de 2025

sexta-feira, 17 de junho de 2022

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Associação Cultural Octopus: 40 anos


A Associação Cultural Octopus faz 40 anos de actividade. É com enorme orgulho que fiz parte desse movimento colectivo de organizar sessões de cinema todas as semanas numa pequena cidade costeira do litoral português. Lugar de aprendizagem colectiva da sétima arte, foi sempre um espaço de debate e de afirmação da expressão cinematográfica que se quer diversa e plural. Hoje as sessões continuam no Cineteatro Garrett já que a sala do Estúdio Santa Clara não existe mais. Este verão assisti entretanto a uma sessão de cinema ao ar livre, desta feita no jardim da casa de Manuel Lopes, um bibliotecário-cinéfilo recentemente desaparecido. Recordo, por isso, nesta data redonda a referência às palavras debutantes do grupo fundador da associação aquando do início do cineclube: "Fomentar o diálogo, a opinião crítica e a convivência, sensibilizar para a leitura da imagem cinematográfica, cultivar o cinema como arte e como forma de intervenção social e divulgar o cinema português são os objectivos que o Grupo Octopus pretende alcançar com a exibição regular de películas de autores nacionais, tão mal queridos dos habituais circuitos comerciais de exibição.”

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Ilha que nos Circunda

Fotografia de Carlos Olyviera 
A luz dos dias está agora maior e avistam-se os alvos garajaus em pleno voo, essas atrevidas e delicadas andorinhas do mar que retomam o lugar que lhes é devido no instável céu açoriano. E, agora que se tornou impossível permanecer dentro de casa, seria o tempo de apostar em sessões nocturnas de cinema italiano, com o actor napolitano Totó à cabeça, acreditando em noites de cinema ao ar livre, atordoados pela ausência de vento e a subida da humidade, mas com a companhia da argúcia e do humor das comédias e o brilho de uma época mágica e inventiva, onde tudo era possível. Como seria interessante todos ali concentrados a imaginar outros momentos, outros lugares, mesmo outras vidas e até mesmo a ligeireza de quem gostaríamos de ter conhecido e admirado de perto. Estes seriam os Verões de cinema que tardam em regressar às ilhas e hão-de, portanto, despontar a qualquer momento, contrariando assim estas preguiçosas cigarras que olvidam a alegria de outros tempos, tentando convencer-nos que todos adormecemos a horas certas e que nos confortamos e conformamos com festas e romarias iguais em todo o lado. Foram, sim, estas histórias que ouvimos na Lagoa da última semana, ainda com a memória de outro passado, não muito distante, a partir do ensejo de um homem bom e culto (Francisco d´Amaral Almeida) que projectou e edificou uma sala de cinema na sua ilha mas que durante o período da canícula tudo fazia para que as pessoas permanecessem ao ar livre desfrutando da noite e do luar, quando o clima assim o permitia, promovendo e divulgando a sétima arte,  as imagens em movimento, absorvendo as histórias, até que a vontade de dormir e descansar acontecesse…

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Homem da Máquina de Projectar

José Castelo por Carlos Olyveira
Feriado do Espírito Santo, cidade da Lagoa. O fim do dia aproxima-se a passos largos e a praça tem ainda gente nos cafés e na Casa do Povo. Há um movimento sereno, ainda que se julgue terem sido muitos aqueles que foram a banhos para os lados das piscinas e do mar. Na passagem por aquela rua, antes de chegarmos à praça, deparamo-nos com um barulho de acção, objectos em movimento, o constatar de vozes gravadas, uma animação produzida em estúdio. Entretanto, uma voz amigável saúda-nos e até parece que estamos a perturbar aquela calmaria que se sente a quem avista aquela curta escadaria. A pergunta impõe-se:“-Será uma sala de cinema?”. A resposta vem no sentido afirmativo bem como um convite para conhecer o seu interior e uma sala de projecção com uma máquina de 35mm e ainda uma pequena sala de apoio onde se vê o desenrolar da fita do tempo das bobines. É um senhor simpático, de porte baixo e sorriso aberto que nos acolhe, dá pelo nome de José Castelo, possuindo apelido de produtor e exibidor de cinema. Vive por aqui, lagoense, e é ele o projeccionista desta sessão numa sala com oitenta e quatro lugares. E vive disto? Nem pensar pois ser projeccionista é, sobretudo, o que está para além da sua serralharia e de outros trabalhos domésticos, o seu passatempo, portanto. O filme que se encontra a passar no écran dá pelo título de “Logan”, uma história de mutantes vivida no futuro não muito longínquo, com somente um único espectador a assistir e que, dado o pendor trágico da narrativa, soluça com o triste findar da história daquele herói caído em desgraça.
Ali ao lado a alegria do projeccionista mantém-se e é por enquanto uma felicidade que não podemos perder. Isto até parece o “Cinema Paraíso”, digo eu, e por isso até se pensa que terá começado assim, por mera curiosidade, nos idos anos 90 do século passado, já que José Castelo trabalhava na Sinaga, fábrica do álcool. Só depois de se ter reformado, ficou a ser ele o responsável pelo Cine Auditório da Lira, numa cidade que já teve sala de cinema e que ainda tem a funcionar o seu Cine Teatro Lagoense. Com as cadeiras do “Vitória”, antigo cinema de Ponta Delgada, as suas máquinas de projecção montadas sob o seu domínio técnico, continua a dar asas à sua paixão e entusiasmo.  É sim, com ele, que por aqui a sétima arte vive e, por tão pouco fogo de artifício, nos continua a fazer sonhar e acreditar.