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| A Rapariga da Mala de Valerio Zurlini Daqui: wikimedia Commons |
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terça-feira, 30 de setembro de 2025
sexta-feira, 17 de junho de 2022
segunda-feira, 2 de maio de 2022
segunda-feira, 6 de julho de 2020
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Associação Cultural Octopus: 40 anos
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quarta-feira, 14 de junho de 2017
A Ilha que nos Circunda
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| Fotografia de Carlos Olyviera |
A luz dos dias está agora maior e
avistam-se os alvos garajaus em pleno voo, essas atrevidas e delicadas andorinhas do mar que retomam o lugar que lhes é devido no instável céu açoriano. E, agora que se tornou impossível permanecer dentro de casa,
seria o tempo de apostar em sessões nocturnas de cinema italiano, com o actor
napolitano Totó à cabeça, acreditando em noites de cinema ao ar livre, atordoados
pela ausência de vento e a subida da humidade, mas com a companhia da argúcia e
do humor das comédias e o brilho de uma época mágica e inventiva, onde tudo era possível.
Como seria interessante todos ali concentrados a imaginar outros momentos, outros
lugares, mesmo outras vidas e até mesmo a ligeireza de quem gostaríamos de ter
conhecido e admirado de perto. Estes seriam os Verões de cinema que tardam em regressar às ilhas e hão-de, portanto,
despontar a qualquer momento, contrariando assim estas preguiçosas cigarras que olvidam a alegria de outros tempos, tentando
convencer-nos que todos adormecemos a horas certas e que nos confortamos e conformamos com festas e romarias iguais em todo o lado. Foram,
sim, estas histórias que ouvimos na Lagoa da última semana, ainda com a memória de
outro passado, não muito distante, a partir do ensejo de um homem bom e culto (Francisco d´Amaral Almeida) que projectou e edificou uma sala de cinema na sua ilha mas que durante o período da canícula tudo fazia para que as pessoas permanecessem
ao ar livre desfrutando da noite e do luar, quando o clima assim o permitia, promovendo e divulgando a sétima arte, as imagens em movimento, absorvendo as histórias, até que a vontade de dormir e descansar acontecesse…
terça-feira, 6 de junho de 2017
O Homem da Máquina de Projectar
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| José Castelo por Carlos Olyveira |
Feriado
do Espírito Santo, cidade da Lagoa. O fim do dia aproxima-se a passos largos e
a praça tem ainda gente nos cafés e na Casa do Povo. Há um movimento sereno,
ainda que se julgue terem sido muitos aqueles que foram a banhos para os
lados das piscinas e do mar. Na passagem por aquela rua, antes de chegarmos à praça, deparamo-nos com um
barulho de acção, objectos em movimento, o constatar de vozes gravadas,
uma animação produzida em estúdio. Entretanto, uma voz amigável saúda-nos e até
parece que estamos a perturbar aquela calmaria que se sente a quem avista
aquela curta escadaria. A pergunta impõe-se:“-Será uma sala de cinema?”. A resposta
vem no sentido afirmativo bem como um convite para conhecer o seu interior e
uma sala de projecção com uma máquina de 35mm e ainda uma pequena sala de apoio onde se vê
o desenrolar da fita do tempo das bobines. É um senhor simpático, de porte baixo e sorriso aberto que nos acolhe, dá pelo nome de José Castelo, possuindo apelido de produtor e exibidor de cinema. Vive por aqui, lagoense, e é ele o
projeccionista desta sessão numa sala com oitenta e quatro lugares. E vive
disto? Nem pensar pois ser projeccionista é, sobretudo, o que está para além da
sua serralharia e de outros trabalhos domésticos, o seu passatempo, portanto. O filme que se encontra a passar
no écran dá pelo título de “Logan”, uma história de mutantes vivida no futuro não muito longínquo,
com somente um único espectador a assistir e que, dado o pendor trágico da narrativa,
soluça com o triste findar da história daquele herói caído em desgraça.
Ali
ao lado a alegria do projeccionista mantém-se e é por enquanto uma felicidade que
não podemos perder. Isto até parece o “Cinema Paraíso”, digo eu, e por isso até
se pensa que terá começado assim, por mera curiosidade, nos idos anos 90 do século
passado, já que José Castelo trabalhava na Sinaga, fábrica do álcool. Só
depois de se ter reformado, ficou a ser ele o responsável pelo Cine Auditório
da Lira, numa cidade que já teve sala de cinema e que ainda tem a funcionar o seu Cine Teatro Lagoense. Com as cadeiras
do “Vitória”, antigo cinema de Ponta Delgada, as suas máquinas de projecção montadas sob
o seu domínio técnico, continua a dar asas à sua paixão e entusiasmo. É sim, com ele,
que por aqui a sétima arte vive e, por tão pouco fogo de artifício, nos continua a fazer sonhar e acreditar.
domingo, 23 de outubro de 2016
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