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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Conservamos os Veleiros Sem Cuidar do Pano das Velas

             
Desenho de Petar Šćulac 
              


                  E se as formigas voassem, os garajaus falassem e as cagarras fossem infiéis? Seríamos felizes ao entardecer? E se as baleias mastigassem? Sobre uma companhia teatral abate-se uma tragédia: o texto a encenar não está concluído. Um produtor ansioso quer muito pô-lo em cena muito em breve. Um encenador conhecido é aguardado e convidado para montar a peça numa ilha. O autor do texto encontra-se encerrado no seu quarto e bloqueado sem acesso ao mundo. Os actores vão recebendo instruções para ensaiar tal como ténues orientações do texto. Entretanto, enquanto aguardam, vão falando sobre o tempo lá fora, a pesca do bacalhau, o período da Guerra Fria e o fim da história. Este é um projecto que, partindo do drama da incompletude da peça, dramatiza e problematiza uma reflexão em torno do acaso no processo de criação, mas também da reflexão quotidiano, da história e dos contornos políticos. É um projecto que resultará de um trabalho de parceria com os actores voltando a reunir a equipa de Sala de Embarque que irá construir, improvisar e recriar de novo um texto irrepetível.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Cenário

Fotografia Carlos Olyveira


Substantivo masculino

1. Conjunto das vistas e acessórios que ocupam o palco ou o local de uma representação teatral, televisiva ou cinematográfica ou de um espectáculo semelhante.
2. Plano de uma peça, de um romance.
3. Documento escrito que descreve cena por cena o que será rodado em cinema ou televisão.

-in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Porto São Bento

      Porto São Bento é o desejo de teatro na verdadeira acepção da palavra, a sua mais carnal vontade, o seu rito colectivo de afirmar a voz e o corpo no palco, a realidade crua e sem fingimentos, a polis em palco. Cá fora há uma nova cidade que pulsa, regurgita e se agita, apesar da crise, mal-grado o medo, muito para lá da economia, do desemprego e da depressão. Eis-nos dentro do Teatro Carlos Alberto para ver Porto São Bento e ver que o trânsito existencial é plural, reflexo da coralidade, da polifonia, muito embora cada um fale na primeira pessoa, é-nos permitido viajar até ao interior do Porto com história e com estórias de gente com carne e osso e que julgam (des)esperar nas estações de metro. No fundo, pessoas como nós que nascem, crescem e morrem na cidade do rio douro, da foz, da francesinha e do granito. Daí a topografia não ficar circunscrita às estações de metro, mas sim a tudo aquilo que se inscreve no corpo de cada um e na cidade, convocando para isso o outro e o desejo de teatro, sendo que estamos na presença de actores profissionais e não profissionais. É que ao contrário das estações de metro o teatro pode ser também isto: encontro, partilha e reflexão.