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terça-feira, 2 de abril de 2019

Teatro Medional: O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão

Actor Miguel Seabra do Teatro Meridional

A presença da peça “O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão” na sala do Teatro Micaelense, na noite de 23 de Março, figurará, certamente, como um momento singular e marcante no ano teatral a decorrer por estas bandas açorianas. Com encenação e interpretação de Miguel Seabra, música de Rui Rebelo, o texto pertença do escritor/dramaturgo Eric-Emannuel Schmidt trata-se de um libelo no que toca à amizade e à tolerância entre duas pessoas. O monólogo retrata bem a diferença de culturas, religiões e os caminhos trilhados ao longo da vida, no fundo, a humanidade. A narrativa evoca a Paris dos anos 60, as aventuras de um jovem judeu e um merceeiro na rua bleu, que afinal não é azul. A fala do actor começa pela afirmação do pequeno judeu: “Quando fiz onze anos parti o mealheiro”, sendo que é a partir daqui que este será presença assídua na loja do velho merceeiro árabe e que, após múltiplas peripécias existenciais e dores de  crescimento, se tornará também ele próprio herdeiro e transmissor do seu legado. 
Numa peça que prima pela simplicidade de meios em palco, apenas um actor, este vai explicitando as vicissitudes e os diálogos ocorridos entre os dois personagens, acompanhado pela presença dum músico e de um cenário escuro e surpreendente que vai mudando, com várias invocações de luas, marés, livros bíblicos, entre tantas outras coisas. E a vida continua, parece ser o lema deste monólogo repleto de pormenores deliciosos no que toca à compreensão/incompreensão entre os seres humanos ou o significado profundo de quem verdadeiramente nos influencia e nos toca para nos tornarmos naquilo que somos na idade adulta. Uma interpretação rica e profunda, uma entrega irrepreensível do actor fundador de uma companhia - o Teatro Meridional - que visitou São Miguel pela primeira vez em 27 anos de existência teatral. 

domingo, 22 de outubro de 2017

"Moçambique", da Mala Voadora no Teatro Micaelense

         
         
          A peça deu início com todos os actores em palco e onde um deles começa logo por dizer que nasceu em Moçambique. Esse actor é Jorge Andrade, o autor e encenador. Este veio para Portugal com apenas 4 anos, regressando agora a Moçambique para construir uma autobiografia como se tivesse passado lá a maior parte do tempo da sua vida. Enquanto narra a sua história pessoal mistura elementos biográficos com factos da vida moçambicana, sempre com o intuito de tornar credível o enredo. No final daquelas duas dinâmicas horas, o espectador é surpreendido com um tipo de teatro próximo do documental, onde a ficção interferiu no rumo dos acontecimentos e daquilo que se pretendia contar. Será isto a obsessão por um final feliz? 
     Assistiu-se, assim, a um caleidoscópio “concentrado” de cores e gestos, intenso, com quadros bem ritmados, cenários e figurinos irrepreensíveis e que tocou, não só os que conheceram ou não, a História recente de um país chamado Moçambique.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O Adeus da Cornucópia



           Em Novembro de 2005, pude assistir à  Companhia de Teatro da Cornucópia no Teatro Municipal de Faro. À altura, foi grande o espanto ver uma peça da Cornucópia fora de Lisboa bem como da descoberta de um autor, António José da Silva, com a peça “Esopaida ou a Vida de Esopo”, numa comédia exigente, bem elaborada e difícil e que instigava momentos de riso e até mesmo gargalhadas. Ao mesmo tempo que assistíamos em palco a um actor no máximo da técnica vocal e interpretativa: Luís Miguel Cintra. A Cornucópia sabe-se, entretanto, que irá fechar portas muito em breve, isto é, dar por concluída a sua actividade. Desculpem, será que podem repetir?

terça-feira, 1 de novembro de 2016

3 x Teatro na Galeria Arco 8

"Charlas Quotidianas do Doutor Mara"
Cartaz de Aurora Ribeiro
"Sala de Embarque"
Cartaz de Júlia Garcia
"Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?"
Cartaz de Miguel Carvalho

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Sala de Embarque: Evocar Albert Camus!

Fotografia Carlos Olyveira
Uma peça pede sempre os seus actores, a sua história e o seu público!  Agora que Sala de Embarque cumpriu o seu desígnio das três apresentações previstas, conviria evocar Camus e o seu optimismo, ainda que moderado. As três apresentações de Sala de Embarque não poderiam ter corrido melhor, no entanto, convém não exagerar nos festejos e foguetes. É claro que precisaríamos de um palco à altura das 180 pessoas que nessas três noites estiveram presentes na Galeria Arco 8, é certo que necessitaríamos de aprimorar ainda mais as marcações de pé e todos pudessem ver as expressões e movimentos dos actores, é provável que o texto poderia ser encurtado ainda mais…enfim, há sempre uma nódoa, por mais pequena que seja, que se poderá apontar. De qualquer modo, quando a poeira assentar, deveríamos confessar que aquilo que mais nos interessa nesta ideia de “Sala de Embarque” é o “processo”. Sim, todo o processo de elaboração, construção e montagem de uma ideia teatral. Essa estirada desmedida que é necessária até termos chegarmos ao dia da estreia na Galeria Arco 8, que começa com a escolha do título e escrita do texto, os seus ensaios diários e sistemáticos, passando pela concepção do cartaz e postal, até à montagem do cenário e venda dos bilhetes. Voltando, assim, a Albert Camus para partilhar a sua visão da vida e do mundo que tanto apaixona e entusiasma. Essa concepção presente no seu livro “O Mito de Sísifo” que afirma que apesar de a vida não ter qualquer intento, existe, no entanto, uma possibilidade de lhe atribuir sentido, isto é, a de procurar satisfação no processo (quando a pedra é transportada até ao cume) e não no objectivo final (quando a pedra cai e rebola de novo e é necessário transportá-la de novo até ao cume). Quando é que é a próxima viagem?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

domingo, 4 de setembro de 2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sala de Embarque: Ensaios

Espaço da Galeria Arco 8
A peça teatral Sala de Embarque já tem datas marcadas: 29, 30 de Setembro e 1 de Outubro. Sempre às 21h30, na Galeria Arco 8. Três dias de apresentação consecutivas após três meses de trabalho colectivo. O cenário ganhou ontem nova coloração, com a chegada dos bancos em madeira que são a "mola" principal da acção. Agradecemos o apoio, a delicadeza e o empenho. Trabalharemos com intensidade para fazer jus dessa cedência, apoio à produção. Assim o faremos.
           Hoje temos novamente a presença do Carlos Olyveira. Entra novamente em cena este fotógrafo, um conhecedor da urbe e do seu pulsar, pois é um narrador incansável dos dias que se repetem. Ultimamente tem sido com ele que gostamos de espreitar o quotidiano trânsito da ilha em viagem, tornando-nos cúmplices da sua paisagem e do movimento citadino. Enquanto isso acontece, a Júlia Garcia prepara minuciosamente o desenho gráfico (os cartazes e os postais), aguardando o tempo preciso para apelarmos às técnicas antigas da Tipografia Micaelense e ali usarmos a valência do passado para servir o tempo presente. E, por aqui, continuaremos...a ensaiar!

sábado, 20 de agosto de 2016

Sala de Embarque: Pausa para Café

Fotografia Carlos Olyveira
“Daqui a um mês estaremos prontos” - é este o pensamento geral de todos os que se juntaram para fazer esta peça intitulada de Sala de Embarque. No entanto, sentimos que trabalhar neste período é ingrato dadas as solicitações e sugestões inerentes ao período da canícula. O tempo é, maioritariamente, vivido no exterior com toda a inquietude e humidade provocada pelas oscilações climatéricas, à semelhança da vida do caracol cantada magistralmente na excelsa voz do Carlinhos Medeiros: “A vida do caracol/É uma vida arrastada, /Anda com a casa às costas/Onde quer faz a morada.” E, por isso, pacientes, caminhamos lentamente, com as pausas e os “desvios” típicos do Estio.
Desta feita, o texto da Sala de Embarque tem mais uma nova versão e, por sinal, mais uma impressão. Os cafés ajudam a clarificar o sentido do texto, a orientar para os seus meios e fins, a lembrar que também estes estão presentes enquanto evocação do tempo e de memória, pois tal como diz o personagem de “O Velho" quase no final: “Ao fim da tarde, reuníamo-nos todos nos cafés, com aulas ou sem aulas. Os cafés daquele tempo eram frequentados por toda a gente sem distinção social, a nossa presença amiúde era uma forma de mantermos o contacto diário e de despertarmos a curiosidade uns dos outros sobre aquilo que nos apetecia saber e fazer. Quem é que hoje se encontra? Agora é cada um por si…” E agora, que ainda é de manhã, antes das compras para a semana, aqui fica este registo fotográfico, a imagem dessa comparência e a mola necessária para mais uma leitura.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sala de Embarque: Ensaios

À Conversa com Miguel Carvalho
Começaram os ensaios na Galeria Arco 8 de “Sala de Embarque”. Foi no dia mais longo do ano que encetámos os ensaios deste texto teatral há muito anunciado. Desta feita, só ensaiando, trabalhando de forma persistente o texto é que se consegue avançar, seguir em frente, construir um ambiente dramático em cima do palco. Por isso, é nossa vontade ensaiar cada vez mais, ir assim melhorando, exercitando, procurando as personagens, indo ao encontro da real envolvência da peça. Esta proposta vai ser construída a partir das possibilidades que o texto teatral e as circunstâncias permitem. Bem-vindos ao Teatro Paupérrimo!

sábado, 4 de junho de 2016

Sobre o Monólogo...

            
"Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?" com
o actor João Malaquias.
      “Podemos Controlar o que os Outros Pensam de Nós?” é um monólogo teatral que reflecte sobre essa capacidade de nos aceitarmos enquanto seres humanos, independentemente daquilo que pensamos ser ou de qualquer julgamento exterior. Ao mesmo tempo pretende exaltar o uso das palavras, a inocência do amor e da amizade, enaltecer a relevância da beleza e do seu papel no quotidiano, bem como exprimir a nossa necessidade de pacificação e de silêncio.
 Este texto foi sendo escrito, reescrito, ao longo do tempo. A sua génese, bem como a sua elaboração, está associada a uma circunstância especial, sobretudo a uma tirada de um amigo que se interrogava sobre essa possibilidade de controle, esse exame permanente que fazemos sobre aquilo que os outros podem pensar sobre nós. A indagação activa e vigilância permanente das nossas acções e sobre o que fazemos, uma atenção constante ao que os outros podem ou não pensar. É neste nosso comportamento que encontramos motivo para inibições ou acções nem sempre consentâneas com as nossas reais intenções.
          A partir daqui o texto foi-se tornando esclarecedor no sentido de criar um momento de introspecção, uma celebração de um aniversário e a exaltação de um registo dialógico virtual que criasse um uma reflexão intima e consciente sobre a existência e a passagem do tempo.”

quarta-feira, 1 de junho de 2016

3ª Sessão na Galeria Miolo

         
Fotografia de Carlos de Olyveira
Depois de duas apresentações, são cerca de cinquenta as pessoas que já assistiram, inclusive, houve quem quisesse repetir, voltaremos à Galeria Miolo no fim de tarde de amanhã, quinta-feira, dia 2 de Junho, pelas 19 horas. O João Malaquias, cada vem mais confiante, ensaia o texto de forma a melhorar a cada apresentação, exaltando a cadência e o baloiço repetitivo do texto : “Navegador solitário? Não. Nem pensar. Quando foi a primeira vez que olhaste o mar…quando foi? Lembras-te? Tenho que confessar-te que és, por vezes, um marinheiro à deriva, perdes-te com os teus olhos cheios de mar, levitas na sua grande beleza afirmativa e deixas-te encantar com a sua expressão no horizonte, inspiras-te tal e qual os poetas com as musas, mergulhas bem fundo nas águas, navegas à superfície, mergulhas novamente e vens à tona, reaprendes a boiar… vais tendo vários empregos, agarras-te às palavras como polvos na infância se agarravam às tuas pernas. Tu sabes que não podes cometer nenhum excesso. Percebes? Qualquer excesso agora pode ser fatal(…)” À Galeria/Editora Miolo que acarinhou e apoiou este monólogo, ao público que esteve presente e divulgou esta produção de baixíssimo custo e, que simpaticamente apelidamos de “Teatro Pobre”, estamos "teatralmente"gratos!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Amanhã, na Galeria Miolo, pelas 21 horas

Fotografia de Carlos Olyveira

        Depois de uma primeira apresentação em que não coube mais ninguém, chegamos, inclusive, a pensar repetir no próprio dia, iremos voltar à Galeria Miolo na noite de amanhã, quarta-feira, dia 25 de Maio, pelas 21 horas. O João Malaquias vai assim afinando o texto e repetindo de forma sistemática as suas repetidas derivações: “Será que podes controlar o que os outros pensam de ti? Não. Não podes controlar o que os outros pensam de ti. Não podes. Podes é parar de pensar sobre isso, pois podes. À tua frente, um espelho para olhar. Fixas o teu olhar no espelho. Espelho que em latim se diz speculum. Eis o teu reflexo nesta distância que vai de ti aos outros. Devolve-te agora uma imagem que julgas ser autêntica, verdadeira, real. Um espelho inclemente que te diz que vais envelhecendo a cada dia que passa.” Ao Vitor Marques e Mário Roberto, responsáveis pela Galeria/Editora Miolo, e  ao público e restantes pessoas que têm acarinhado e apoiado este monólogo, produzido enquanto espectáculo por apenas seis euros, champanhe incluído, o nosso mui obrigado!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

As Charlas "Nocturnas" do Doutor Mara


Fotografia de Diogo Fonseca
          A primeira dramatização “Charlas Quotidianas do Doutor Mara" ocorreu em Fevereiro de 2014, na Travessa dos Artistas, com a representação do capítulo “Futurofagia”, e contou com as participações dos actores João Malaquias e Judite Fernandes e ilustrações de Luís Brum. A segunda apresentação deu-se na ilha do Faial com três novos capítulos: “Ginecomagia”, “Tarantorerapia” e “Enomátria”, postos nas tábuas do palco do Auditório ao Ar Livre da Biblioteca Municipal da Horta, com as interpretações de Tiago Vouga e Aurora Ribeiro, que replicaram a representação por mais duas vezes para uma audiência de 150 pessoas no total. Há um mês atrás, foi a vez de voltar à cidade de Ponta Delgada, na Galeria Arco 8, contando com 60 pessoas na assistência. Aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=0m_9pwmHtqc