-Gostas de Kant?
-O de Serpa ou de Königsberg?
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
«Trinta e quatro sonetos e trezentas e cinco redondilhas» de João Paulo Esteves da Silva
“(...) Se chove muito na calçada, acorda
a sensação de que o país está morto
e que o trabalho acaba, e só o desporto
o fingimento, o jogo, inspira a horda.”
“ (...) Chovem optimismos
e as coisas ternas,
voluntariosas,
cheias de genica
enchem-se de orgulho
enquanto não chega
a próxima nuvem
a qual tarde ou cedo
acaba por vir
despertar a sombra.”
E deixa-me o azul, o azul profundo...
Rever Lisboa no dia em que Alexandre O´Neill, se fosse vivo, faria 90 anos:
E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.
Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.
Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?
Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
sábado, 13 de dezembro de 2014
95 FA...
"O verão para estar com os outros e o inverno recolher e desenvolver projectos impossíveis em dias de sol."
Nota:Ler aqui a versão digital do jornal: http://fazendofazendo.blogspot.pt/
Gonçalo Cabaça, in FAZENDO nº95, mês de Dezembro de 2014.
Nota:Ler aqui a versão digital do jornal: http://fazendofazendo.blogspot.pt/
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Curtas no Teatro Faialense
| Cartaz do Amostram´isse |
Quem não viu, pode ver agora.
Quem apenas ouviu falar, pode certamente espreitar ou perguntar como foi. Não se
perde muito tempo, aliás, neste caso só há tempo a ganhar. Os filmes são de
pequena duração e foram realizados em território do arquipélago açoriano.O fim-de-semana
cinematográfico abre com o "Varadouro" e o "Meu Pescador, Meu
Velho". O primeiro foi filmado em poucos dias pelo João da Ponte e o Paulo
Abreu, veio de exibições em Londres e Paris, e, o segundo, feito pela madrilena
Amaya Sumpsi, recebeu o prémio Camacho Costa no Cine Eco 2013, e demorou sete
anos. Ambos possuem uma alma enorme e ainda um gosto apurado pela pulcritude
dos espaços insulares. São filmes de gente apaixonada por imagens, sons,
situações, pessoas. E, essencialmente, pelo mar, fascinados pelos lugares de
veraneio ou pelo trabalho piscatório em Ilhas dos Açores. O cinema é, portanto,
uma coisa cara de materializar, processo e técnica que leva tempo a executar,
mas é, certamente, uma ideia em que vale a pena investir. Esta pequena
cinematografia açoriana irá continuar a fazer o seu caminho, mas para que isso
aconteça precisa muito de ser vista, divulgada, esclarecida. E, claro, que hoje
é um dia favorável para iniciar a contenda, já que mais logo,à noitinha, se abrem
as portas do teatro Faialense.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Poema
Alguma coisa
onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte in Uma Faca nos Dentes
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa
onde a tua mão
escrevesse
cartas para chovere eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa
onde tu ao norte
beijasses
nos olhos os naviose eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios
alguma coisa
onde tu corresses
numa rua com
portas para o mare eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte in Uma Faca nos Dentes
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Convocação da Tristeza
Daqui a
pouco convocarei a tristeza
junto de uma estante fria na noite
assomarei muito fumo, alguns versos e
o funny valentine
sem qualquer trincheira afastarei
o temor com a palma da mão
cuidarei das unhas dos pés da lembrança em brasa,
célula e choro,
pétala caída no esplendor do verão,
desolação em mim.
junto de uma estante fria na noite
assomarei muito fumo, alguns versos e
o funny valentine
Talvez a dor
ainda seja possível
esbanjarei todo o tempo da estaçãosem qualquer trincheira afastarei
o temor com a palma da mão
cuidarei das unhas dos pés da lembrança em brasa,
célula e choro,
pétala caída no esplendor do verão,
desolação em mim.
domingo, 23 de novembro de 2014
Da Sinceridade
“As acções são muito mais sinceras do que as palavras"
Madeleine de Scudéry, novelista francesa.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Do Leitor
"Durante
a minha vida, fiz muitas coisas que não tinha decidido fazer, e não fiz outras
que tinha firmemente decidido fazer. Algo que existe em mim, seja lá o que for,
age; algo que me faz ir ter com uma mulher que já não quero voltar a ver, que
faz ao superior um reparo que me pode custar o emprego, que continua a fumar
embora eu tenha decidido deixar de fumar, e que deixa de fumar quando me
resignei a ser um fumador para o resto dos meus dias. Não quero dizer que o
pensamento e a decisão não tenham alguma influência na ação. Mas a ação não
decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria, e é
tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões. "
Bernhard Schlink, O leitor, pp. 16-17.
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