domingo, 5 de novembro de 2023

Quem se lembra dos Dexy´s Midnight Runners?

         "Não conheço nenhuma outra banda que escreva acerca das outras coisas concretas que, agora, escrevo nem que publique um álbum conceptual com uma narrativa que lhe ofereça unidade. Talvez apenas os Primal Scream. Bobby Gillepsie. Ele, ao menos, esforça-se por criar algo diferente. " 

Kevin Rowland in Revista Expresso, 13 de Outubro, 2023

Da Vida

    A vida é insignificante se não está inspirada por uma vontade indomável de superar os limites.

Ortega y Gasset 

sábado, 4 de novembro de 2023

Verso de Filipe Furtado

 Dizem que tenho de ir ao Brasil 

Lenda de Rui Costa

 horas de crepúsculo a enfeitar melancolias 
na palma dos teus olhos  que agrafam gestos 
quando eu me movo tu dizes que sou belo
e rimos consagrando a nossa lua ao tempo
por menos que um desejo abrimos o segredo 
dos órficos duendes nas rias de Gonery
lembro-me de um pano colorido que voou 
quando abrimos as janelas 
e o mundo ardia 
Gostavas da vida. sou igual a ti, um lobo espreita
a tua cara que nunca foi a mesma. a erva cresceu.
no entanto algo nos une. sinto conforto nisso.

in A Nuvem Passageira das Pessoas Graves, Quasi Edições, Maio de 2005. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Ilustração de Luís Miguel Castro (V)

             in Cântico dos Cânticos 
        Apresentação de Agustina Bessa Luís
                 Três Sinais Editores, 2001

sábado, 28 de outubro de 2023

Hoje, às 18h30, no Arquipélago

Fotograma de "Três Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção
de Amor para o Areal"
, 2023, 8´m.
inserido no FUSO Insular 2023

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Pano Para Mangas (V)

Tânia  Neves dos Santos 
 

Da Arquitectura

       "Permitam-me: vale a pena olhar este edifício, descobrir partes por descobrir, porque cada olhar é uma outra lupa...vale a pena pensar o que dele emana da actualidade do desenho e tantas outras reflexões...E vale a pena o dono da obra promover a acção da recuperação original de todo o imóvel, em particular dos seus espaços interiores." 

Albino Pinho in Roteiro de Arquitetura dos Açores, Açoriano Oriental, 25 de Outubro de 2023.

domingo, 22 de outubro de 2023

Da Escola Pública

           "Os direitos democráticos não são permanentes e a memória não é só uma coisa do passado: recordar o que aconteceu para evitar danos futuros" avisa o dramaturgo. Os professores eram, talvez, e como os poetas, os grandes representantes da Segunda República: queriam transformar o país um aluno de cada vez. Com isso, encontraram muita resistência", continua. Esta peça, diz, realça o importante trabalho dos professores (do passado e do presente) e é também, como Conejero, já dissera ao El País, uma homenagem à escola pública, lugar capaz de "romper as classes sociais". "Venho de uma família muito humilde. Se hoje dou esta entrevista e fui capaz de ser autor e fazer teatro, é porque tive a sorte de ter professores na escola pública que me permitiram aprender, sonhar, imaginar outros futuros."
     
         Entrevista a Alberto Conejero a Daniel Dias, Jornal Público, Ípsilon, 13 de Outubro de 2023.

Muito obrigado, Carla Bley!

Carla Bley
 (11-05-1936 - 17-10-2023)

Fotografia Margarida Quinteiro 

 

sábado, 21 de outubro de 2023

Um Poema Visual para o Areal

       
Três Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção de Amor para o Areal
Fotografia de Gabriela Oliveira

       A ideia surgiu na edição do FUSO Insular do ano passado após a Gabriela Oliveira me ter convidado para narrar o  seu pequeno filme "Itinerário". Surgiu, assim, deste modo a vontade de pensar numa ideia que fosse possível materializá-la no laboratório de imagens da edição do Fuso Insular deste ano. Ao mesmo tempo acreditar nesta escola estival, destinada à aprendizagem marcada pelo experimentalismo, aberta à liberdade criativa e ao conhecimento teórico do mundo das imagens, e que desta feita reactivasse um contacto ainda mais profundo com as imagens em movimento. 
        Esta ideia de criar um filme, a partir de imagens e dos sons, era já muito antiga,  e foi isso que levou ao projecto inicialmente apresentado que trazia já dentro de si este "Três Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção de Amor para o Areal". O cinema é um trabalho coletivo e foi isso mesmo o que se veio a passar. Este pequeno filme materializa uma ideia em oito minutos, juntando as imagens captadas pela câmera da Gabriela Oliveira, a música de Filipe Furtado e a montagem de Elliot Sheedy, para além das sessões de apresentação no Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas. 
          E, perguntam: qual é o leit-motiv deste documentário de cariz poético-musical? Trata-se, sobretudo, de fixar um momento, neste caso particular uma vivência, um tributo/homenagem a um lugar de pertença que se encontra em mudança: o Areal de Santa Bárbara. Durante os meses de verão socorri-me da paciência e da boa vontade da Gabriela Oliveira e fomos à procura desse movimento inusitado no Areal. Intuímos, portanto, o imprevisto e o improviso na Cervejaria do senhor Manuel Furtado, estabelecemos as coordenadas e ligação ao músico açoriano, Filipe Furtado, imersos naquela festa domingueira do Espírito Santo, na Ribeira Seca. É, para nós, uma alegria podermos contar com a banda sonora deste músico açoriano, numa aventura sonora deambulante, poética e memorial, mantendo-se fiel ao seu registo bossajazístico, e que ao piano, por vezes, lembra o músico sueco Jan Johansson. O resultado final é um documento fílmico em torno do Areal e das memórias de quem se dispõe a narrar.
           Por último e, com a devida vénia ao trabalho de montagem, aqui realizado pelo músico e cineasta norte-americano, Elliot Sheedy. Ele que desenvolve trabalho continuado e permanente num universo de cariz alternativo, crítico mordaz da sociedade contemporânea, prestes a estrear a sua primeira longa metragem. Neste nosso pequeno filme, alcandoramos algumas fragilidades no trabalho e conhecimento de Elliot Sheedy, pois foi ele quem juntou as peças  e articulou os sons e as imagens, com o devido guião de orientação, evidentemente.
         Por essa razão, enquanto parte interessada e interveniente neste processo criativo, deu para entender que  "Três Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção de Amor para o Areal" é o resultado dum esforço colectivo marcado pelo  ímpeto e paixão pelo mundo das imagens em movimento, a dita sétima arte. Que todos e todas ocorram ao Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, no dia 28, às 18h30, à blackbox e que possam assistir à estreia deste e dos outros filmes, realizados durante o laboratório de imagens do Fuso Insular de 2023.