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| Fotografia de Carlos Olyveira |
domingo, 9 de julho de 2017
sábado, 8 de julho de 2017
Alvo Périplo na Edição do Walk and Talk de 2017
Estamos já a preparar a montagem da Exposição e a
impressão das fotografias, pois o Largo do Colégio espera por nós, dia 22, ao
cair da tardinha. Ao mesmo tempo e, como gostaríamos de envolver a comunidade
no processo, preparamos uma Performance Teatral com música própria para o
evento pelo João Luís Macedo.
A exposição contará com vinte fotografias a preto e
branco de Jorge Kol e a performance, muito embora, tenha um núcleo de actores
participantes, membros da peça teatral "Sala de Embarque", está aberta à colaboração daqueles
que quiserem dar o seu contributo.
Este grupo de actores e, demais membros da comunidade,
terão como intuito celebrar a vida na rua. A vida das casas e labores que
provém das antigas profissões. Convocados estão também a maratona grega, os
pastores da Terceira, os Cesteiros da Madeira e uma "roqueira" de São Miguel. Será
que isto serve para exaltar a vida ao ar livre?
A responsável
pelo desenho gráfico é, mais uma vez, a Júlia Garcia.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Escrito no passado Outono
amar é tão difícil falar de amor.
soletramos plantas que não dão flor esta estação
pelo caminho pisamos as folhas que nos deixaram
nuas
as árvores caídas no chão.
soletramos plantas que não dão flor esta estação
pelo caminho pisamos as folhas que nos deixaram
nuas
as árvores caídas no chão.
Tiago Rodrigues
quarta-feira, 5 de julho de 2017
A Génese de "Alvo Périplo Rua Abaixo Movimentado"
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| Design Júlia Garcia |
Na génese está a solicitação de um texto e uma conversa implícita sobre as fotografias em questão. A descoberta da semelhança entre os Pastores da ilha Terceira e os Carreiros do Monte da ilha da Madeira esteve na origem destas imagens. Estes corpos vestidos de branco encerram no seu trajar, na sua correria, memória de tempos passados, metáfora da vida que corre, que pela corda atam, enrolam e desenrolam, para manobrar ou simplesmente deixar correr e fazer correr.
As fotografias de Jorge Kol apresentam-se assim com o movimento e a genica de homens que correm no desempenho de funções ao ar livre, alvos corpos com chapéu rua abaixo, vestes e postura semelhantes em ilhas diferentes: Madeira e Terceira. Dessa alva exaltação o fotógrafo dá conta, fixa esta gente que trabalha e vive na rua, manifesto de um tempo que continuará a existir.
Assim, a função do texto impunha uma vivência em que a rua fosse cerne e interrogação.
terça-feira, 4 de julho de 2017
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Do Estudo de Si Mesmo
"O neoliberalismo fez as pessoas vaidosas, narcisistas e competitivas e fá-las pensar bastante em si mesmas e a maior parte das vezes, pensar em nós mesmos é uma perda de tempo. A única maneira útil de pensar em nós mesmos é em relação a outras pessoas, o modo como somos afectados por elas e as afectamos com o que fazemos. O estudo de si mesmo só faz sentido quando nos faz pensar em nós e nos outros enquanto unidade, em relação. Quando penso nessas imagens no facebook penso que essas pessoas nunca sabem qual é o valor da solidão porque estão sempre a tentar ser validadas. É desesperante."
Hanif Kureiishi in Ípslon, 30 de Junho de 2017.
sábado, 1 de julho de 2017
Da Performance
[Artes] Manifestação artística que pode combinar
várias formas de expressão.
in Dicionário Priberam da
Língua Portuguesa
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Ítaca
Quando
saíres a caminho da ida para Ítaca,
faz
votos para que seja longo o caminho,
cheio
de aventura, cheio de conhecimentos.
Os
Lestrígones e os Ciclopes,
o
zangado Poséidon não temas,
coisas
assim no teu caminho não acharás nunca,
se
o teu pensamento permanecer elevado, se emoção
requintada
o teu espírito e o teu corpo tocar.
Os
Lestrígones os Ciclopes,
o
selvagem Poséidon não encontrarás,
se
com eles não carregares na tua alma,
se
a tua alma não os colocar à tua frente.
Faz
votos para que seja longo o caminho.
Para
que sejam muitas as manhãs de verão
Nas
quais com que contentamento, com que alegria
entrarás
em portos vistos pela primeira vez;
para
que páres em feitorias fenícias,
e
para que adquiras as boas compras
coisas
de nácar e coral, de âmbar e de ébano,
e
essências de prazer de qualquer espécie,
quanto
mais abundantes puderes essências de prazer;
para
que vás a muitas cidades egípcias,
Deves
ter sempre Ítaca na tua mente.
A
chegada ali é o teu destino.
Mas
não apresses em nada a tua viagem.
É
melhor durar muitos anos;
e
já velho fundeares na ilha,
rico
do que ganhaste no caminho,
sem
esperares que te dê Ítaca riquezas.
Ítaca
deu-te a bela viagem.
Sem
Ítaca não terias saído ao caminho.
Mas
já não tem para te dar.
E
se um tanto pobre a encontrares, Ítaca não te enganou.
Sábio
como te tornaste, com tanta experiência,
Já
hás-de compreender o que significam Ítacas.
Kostandinos Kavafis, edições Relógio D´Água, tradução,
prefácio e Notas de Joaquim Manuel
Magalhães e Nikos Pratsinis.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Resposta a Janeiro Antes Deste ir a Banhos
Caro Janeiro Alves,
Acuso a recepção entusiasta da sua ferial
missiva, típica de um homem que sabe que só o verão vale a pena e que esta é a
mais louca, livre e estouvada das estações. Na canícula, creio, temos tudo para
sermos felizes excepto os grilos. Nada contra os seus cânticos mecânicos e
repetitivos mas desconfio que na infância suportava muito melhor o seu
rebarbativo rumor. De certeza que e, fazendo jus à sua carta estival sobre os
doutores e engenheiros que partiram de férias e que não mais regressaram, estes
deverão, pelo menos, lembrar-se do trilar, ou melhor, do “gri-gri” de outros
verões.
Também eu, amigo Janeiro, continuo
entusiasmado com o turismo e sobretudo com a sua capacidade de irradiação. Imagine
só que há instantes, nesta cidade em que me calhou viver, me vieram
interrogar se estaria disponível para vender esta missiva que me encontro a
escrevinhar para si. Segundo o casal de jovens turistas, no seu país de origem
desconhecem já o que é a caligrafia e o próprio acto de escrever missivas em
esplanadas. Este acto quotidiano tornou-se, porventura, excêntrico. Por sinal, até
me queriam oferecer bom dinheiro mas disse-lhe que podiam fazer um registo
fotográfico e que procurassem um lugar na sombra. Curiosamente, enquanto
insistiam na aquisição da missiva, o empregado do café proferiu num português
arrematado e doce: “Vocês querem é mamar!”. Estes, embebecidos e discretos,
afastaram-se da mesa sem antes dizer: “You are really an artist!”
E o aluguer de casas? O meu amigo nem queira saber mas há dias passei nas ruas do agora denominado "Centro Histórico" e reparei que as casas onde tinha morado são agora sítios de alojamento local. Ainda bem que fui salvo a tempo pela nossa amiga Miriam que me arrendou um pequeno tugúrio baratinho junto do mar e que me serve, essencialmente, para assentar a moleirinha e o costado durante a noite.
Por último, auguro-lhe assim umas férias
inesquecíveis e espero que volte pois estou já a salivar pelo envio dum tupperware
de filetes de peixe que seguramente me enviará da cidade mais piscatória do sotavento
algarvio: Olhão!
Doutor Mara
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