e tudo o que
arder, queimar! no fogo assim te estreias
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
domingo, 15 de outubro de 2017
A Ophelia, os Lumière e Correspondência
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Fernando Pessoa escreveu cartas
apaixonadas para o seu amor Ophelia (ao todo julga-se que terão sido 48 cartas
e que só seriam publicadas em 1978) e onde principiava sempre com “Meu querido
amorzinho” ou "Meu Bébézinho". Hoje também podíamos ter escrito a Ophelia, sobretudo a esta que
por aqui se atravessou em forma de furacão. Escrever também de forma superlativa, essencialmente, para agradecer
mais este dia de sol, esta lazeira canicular em que se tornou Outubro e que prolonga a dita estação estival para calendas insuspeitáveis. O Verão vai, por isso, dilatando já que o calor ainda não declinou. Ontem, no Teatro Micaelense, Stanley Kubrick envolveu e revolveu as
consciências (e de que maneira!) com o seu filme do início da década de 70: “Laranja
Mecânica”. Tantos anos depois ainda se retiram lições para compreender o ciclo
vicioso da violência e as estratégias da sua dissolução e promoção por parte
das estruturas do poder. O suplemento Ípsilon, do Jornal Público, fala também
dos homens que inventaram o cinema com o filme “La Sortie de l´Usine Lumière à Lyon”. Dez páginas para evocar o
nascimento da sétima arte que, segundo Thierry Frémaux, estes inventaram três vezes: “a técnica, a arte e a sala.” Saúde-se, por último, também o
regresso do poeta micaelense Leonardo à edição de poesia, desta feita acompanhado
por Paula Sousa Lima, num título epistolar denominado de “Correspondência”. A edição é das Letras Lavadas.
sábado, 14 de outubro de 2017
"Prece Geral" de Daniel Blaufucks no Museu de Arte Sacra em PDL
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| A Exposição está patente até ao 31 de Janeiro de 2018 |
Aprendi a ver
as suas fotografias em silêncio, circunspecto, na altura junto dum café
desmedido com umas janelas em que se avistava o azul atlântico daquele mar.
Sozinho, ainda muito jovem, fixava o seu apelido algo alienígena e apreciava o que
de melhor podia conter a palavra respeito perante tamanhas imagens enigmáticas.
Isso e também beleza. Recordo, por isso, as páginas dos Cadernos e
suplementos do jornal “O Independente” em que este chegou a colaborar com regularidade. Alguns dos seus trabalhos, de tão sombrios e austeros, perturbavam e
interrogavam, à altura, os dias de euforia pós entrada na união europeia. Tantos anos depois, regresso novamente
às suas fotografias para agradecer-lhe o gesto, louvar este seu mergulho no
mistério e na oração. Estas chapas são sobre o Mosteiro de Santa Maria Scala
Coeli, a ‘Cartuxa de Évora', e revelam-nos o interior da fé e da dedicação bem como o que resta desse altar
de prece e de reflexão.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Uma Noite de Poesia na Tascá
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| Fotografia de Luís Andrade |
Aranhas e Visigodos
Guido: Porque os judeus e os cães não
querem. Todos devem poder fazer aquilo que lhes parece melhor, não te parece? Ali à
frente há uma loja, não há? Ali, por
exemplo, não é permitida a entrada a espanhóis e cavalos e... mais à frente, há também um farmacêutico, não há? Ontem, estava
eu com um amigo meu, um chinês, que por acaso tem um canguru e eu perguntei:
"Podemos entrar?", e alguém lá de dentro respondeu: "Não, aqui chineses e cangurus não entram". Sabes, fiquei bastante desagradado com toda aquela
situação. O que é que eu posso fazer?
Josué: Mas na nossa livraria toda a
gente pode entrar...
Guido: Não, a partir de amanhã também nós iremos escrever um
letreiro para colocar na porta. Quem é que tu consideras enfadonho?
Josué: As aranhas. E para o papá?
Guido: Para mim...os visigodos! Então
amanhã iremos escrever um letreiro com o seguinte: "Proibida a entrada a
aranhas e visigodos!". É quase certo que
o visigodos irão quebrar esse letreiro. Por isso, chega!
in “A Vida é Bela”, filme de Roberto Begnini, 1998 (Tradução Livre)
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
terça-feira, 10 de outubro de 2017
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Uma Outonal Missiva de Janeiro Alves
Meu
caro amigo,
Gostaria de prefaciar esta carta com o
sincero desejo de a mesma o encontrar de rígida saúde e dotado do poder
criativo e construtivo que lhe permita desenvolver ideias com a novidade da
folhagem fresca coberta de orvalho matinal a agitar-se para fazer notar o seu
vigor num cenário de naturezas mortas.
Não deixa de ser curioso esse conjunto
de avistamentos da minha pessoa por locais diversificados e sem aparente
ligação, pois ainda aqui há uns dias um indivíduo que transporta alguma
reputação no circuito literário de Lisboa jurou a pés juntos que me tinha visto
a passear na Calle de la Noria, em Santa Cruz de Tenerife, estando eu encerrado
na minha vivenda a trabalhar desde o início do verão. Duvido até que ele lá tenha
estado, dada a situação calamitosa das suas finanças depois de mais uma obra
renunciada pela sua editora. De si eu não duvido pois essa é a sua morada
permanente, mas trata-se efectivamente de um equívoco, alguém que se anda a
fazer passar por mim de forma a tirar dividendos pessoais ou simplesmente
instalar a confusão. Peço-lhe que da próxima vez que me vir, chame a polícia de
forma a acabar de vez com esta brincadeira de mau gosto.
Passando a página, manifesto-lhe a minha
mais exaltada e até descontrolada euforia com a aproximação das Conferências da
Fajã, o supra-sumo dos eventos, a canela por cima do grande pastel de nata que
é este mundo moderno. Sei que devido à nossa longínqua amizade, e na qualidade
de organizador principal, o Doutor Mara não se esquecerá de me providenciar o
habitual lugar de destaque no programa do evento, assim como me enviar as
passagens de ida e volta em primeira, e a reserva no hotel do costume com
pensão completa. Para esta próxima edição tenho preparada uma matéria que vai
finalmente lançar os alicerces do “edifício” pós-moderno, unindo todas as
reflexões casuísticas numa única direcção que nos guiará a uma espécie de
Nirvana. Tudo isto, imagine, sem o uso de quaisquer psicotrópicos ou desinibidores
de consciência, pelo que poderemos prescindir do dealer da última edição.
Acabo esta modesta carta com um ar
abatido, cansado e sôfrego, devido ao calor que se faz sentir em Outubro na
capital do império Portuguêz, perfeitamente anormal para a época, adiando
inapelavelmente a minha investida ao guarda fato outonal, onde os meus sapatos
italianos de cetim afivelados se encontram acorrentados à espera de fazer
crepitar folhas caducas como estalidos de sal atirado ao fogo que arde sem se
ver, ser ou não ser, eis a questão, e à parte disso, desejo-lhe um agradável
serão.
Do seu humilde servo,
Janeiro Alves
Janeiro Alves
domingo, 8 de outubro de 2017
Um Postal Outonal para Janeiro Alves
Caro Janeiro Alves,
Decidi redigir-lhe este postal pois ainda não estou
em mim. O meu amigo pode não admitir mas penso ter estado consigo, no dia de
ontem, pelo menos três vezes em diversos rincões deste território ilhéu.
Curiosamente, julgo ter estado consigo numa caldeira, numa piscina de águas termais
e, por último, numa taberna popular a comer uma bifaninha de atum e a desembaular
uma garrafa de vinho tinto da Estremadura (e não é que também têm boas pingas?).
Acordei, entretanto, com este sentimento de que tudo isto não passou de um
sonho e ainda com a sensação que o universo se encontra em expansão. O amigo Janeiro não vai
acreditar mas desconfio cada vez mais da realidade e de todos os acontecimentos
que estão a suceder em catadupa.Será isto a pós-verdade? Estou cada vez mais senil e demente, essa é que é a
realidade.
Comunico-lhe também para anunciar que estou a
preparar as mais que aguardadas Conferências da Fajã. Este ano teremos
ilustres convidados oriundos de países distantes e outras personalidades de alto gabarito, destacadas e reconhecidas nas suas mais diferentes áreas e que vão desde a Filosofia Marinha ao Empalhamento de Aves Raras. Com a promessa de estar para breve o envio do convite e do programa, alegremente me despeço.
Com elevada
estima e consideração,
Doutor Mara
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
...
A borboleta que poisou
no teu mamilo perdeu
vontade de voar.
Jorge Sousa Braga in Fogo sobre Fogo.
no teu mamilo perdeu
vontade de voar.
Jorge Sousa Braga in Fogo sobre Fogo.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Os Cem Anos de Violeta Parra
![]() |
| Cartaz de Rodofo Chofre Saavedra |
Volver
a los diecisiete
Después
de vivir un siglo
Es
como descifrar signos
Sin
ser sabio competente
Volver
a ser de repente
Tan
frágil como un segundo
Volver
a sentir profundo
Como
un niño frente a Dios
Eso
es lo que siento yo
En
este instante fecundo
Se
va enredando, enredando
Como
en el muro la hiedra
Y
va brotando, brotando
Como
el musguito en la piedra
Ay
sí sí sí
Mi
paso retrocedido
Cuando
el de ustedes avanza
El
arco de las alianzas
Ha
penetrado en mi nido
Con
todo su colorido
Se
ha paseado por mis venas
Y
hasta las duras cadenas
Con
que nos ata el destino
Es
como un diamante fino
Que
alumbra mi alma serena
Lo
que puede el sentimiento
No
lo ha podido el saber
Ni
el más claro proceder
Ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia el momento
Cual mago…
in"Volver a los Diecisiete" de Violeta Parra
Mar
Se eu pudesse esquartejava-te
e com os braços levava-te comigo
sem criar ondas
para o interior de minha casa.
Féodor Marenko
e com os braços levava-te comigo
sem criar ondas
para o interior de minha casa.
Féodor Marenko
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