"Que seja assim o canto da esperança/ num ar que reluz e de revolta", ouve-se num coro sentido dos Linha Geral, em "Hino à Nossa Luta" e...de imediato um arrepio na espinha. Este disco que, apesar de já ter passado tanto tempo sobre a sua edição, continua bastante actual, à semelhança do discurso no final de Paquete de Oliveira. Há um lado nostálgico neste recuar a meados dos anos 80, ao eclodir de um dos momentos mais interessantes da música moderna feita em Portugal de forma livre e independente. Talvez, por isso, faltem novas e arrojadas Divergências para que se repitam façanhas deste tipo. À cabeça do movimento, constava o vocalista dos Pop Dell´Arte, João Peste, acompanhado pela sua sócia, Maria João Serra, que ambos viriam a fundar a editora Ama Romanta, e assim foram capazes de editar nomes como: Sei Miguel, Telectu, Tozé Ferreira, Pop Dell'Arte, Mão Morta ou os Croix Sainte, entre tantos outros.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Divergências, Ama Romanta (1986)
"Que seja assim o canto da esperança/ num ar que reluz e de revolta", ouve-se num coro sentido dos Linha Geral, em "Hino à Nossa Luta" e...de imediato um arrepio na espinha. Este disco que, apesar de já ter passado tanto tempo sobre a sua edição, continua bastante actual, à semelhança do discurso no final de Paquete de Oliveira. Há um lado nostálgico neste recuar a meados dos anos 80, ao eclodir de um dos momentos mais interessantes da música moderna feita em Portugal de forma livre e independente. Talvez, por isso, faltem novas e arrojadas Divergências para que se repitam façanhas deste tipo. À cabeça do movimento, constava o vocalista dos Pop Dell´Arte, João Peste, acompanhado pela sua sócia, Maria João Serra, que ambos viriam a fundar a editora Ama Romanta, e assim foram capazes de editar nomes como: Sei Miguel, Telectu, Tozé Ferreira, Pop Dell'Arte, Mão Morta ou os Croix Sainte, entre tantos outros.
Do Interesse
"Penso
que o motivo por que nos interessamos por determinadas pessoas ou por certos
temas, e não por outros, é, muito provavelmente, da ordem do inconsciente.
Chegamos às coisas ou são as coisas que chegam a nós?"
Manuela
Fleming,
professora e psicanalista.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Al Cabo
Al
cabo, son muy pocas las palabras
que
de verdad nos duelen, y muy pocas
las
que consiguen alegrar el alma.
Y
son también muy pocas las personas
que
mueven nuestro corazón, y menos
aún
las que lo mueven mucho tiempo.
Al
cabo, son poquísimas las cosas
que
de verdad importan en la vida:
poder
querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijosAmalia Bautista in Cuentamolo todo outra vez, 1996.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Um Poema de Daniel Gonçalves
Talvez
valha a pena, falhar tantas vezes, corrigindo
a moda
dos vestidos, mudando o nome da moeda,
a taxo
do juro que nunca te esquecerei, como
paciência
que garimpa o fundo dos teus olhos, à procura
do que
escapou, como fissura que se abrandasse,
água que
nunca escaldasse, amor que ficasse,
voluntário
e feliz, como uma palavra sem defeito.
in Estes Assuntos Tristes, Labirinto, 2016.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
domingo, 28 de outubro de 2018
Castello Branco: O Peso do Meu Coração
Você não é
Quem você
pensa que é
Você não tem
Quem você
pensa que tem
Pra entender
o amor
Faça um
trato com a fé
Diz que o
céu, quando quer
Força o
braço que for
E abrir o
mar aí
E abrir o
mar, aí
Pra entender
o amor
Faça um
trato com a fé
Diz que o
céu, quando quer
Força o
braço que for
E abrir o
mar aí
Fica mais
leve
O peso do
meu coração
Fica mais
leve
O peso do
meu coração
álbum "Sintoma" de 2017.
sábado, 27 de outubro de 2018
terça-feira, 23 de outubro de 2018
A Mala sem Fundo de Vivien Meyer
Caminhamos lado a lado
ao quarto daquela residência
ao quarto daquela residência
despertos pela guita e o deleite
do que ambos lograríamos pronunciar
promessas de enigmas a horizonte
contidas pelo fresco hálito da semelhança
anseios num desejo em torvelinho
sopro imprevisível que alevanta moinhos
sopro imprevisível que alevanta moinhos
demais estruturas assentes em antigos pilastres
o desatino de espelhos por revelar
já sem o temor da fornalha iminente.
já sem o temor da fornalha iminente.
Antes que o Retiro se Assome
Despedimo-nos daquele ensaio
imprevisto,
o cabelo molhado por entre as
folhas do jornal,
o ar distante a deslocar-se a
oriente,
análogo à fuga dos garajaus no anil
do céu,
aportamos ali, acanhados em permanecer,
sem garantias dum destino radiante,
o mal que nos fazem os pingos da
chuva, dizes,
somente a mortalha, o espiar do
sol,
agonia das nuvens, ventosas, inquietas,
agonia das nuvens, ventosas, inquietas,
vão connosco, sem rota, à deriva,
de olhos bem fechados,
antes que o retiro se assome.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
No Sorriso Louco das Mães de Herberto Helder
No
sorriso louco das mães batem as leves
gotas
de chuva. Nas amadas
caras
loucas batem e batem
os
dedos amarelos das candeias.
Que
balouçam. Que são puras.
Gotas
e candeias puras. E as mães
aproximam-se
soprando os dedos frios.
Seu
corpo move-se
pelo
meio dos ossos filiais, pelos tendões
e
órgãos mergulhados,
e
as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas
cabeças filiais.
Sentam-se,
e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo
tudo,
e
queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto
o amor é cada vez mais forte.
Pequeno excerto de do
poema «Fonte», de Herberto Helder, publicado
em A Colher na Boca, 1961.
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