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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Da Claustrofobia

"O filme é um retrato social. Essa má-língua, esse burburinho popular, que se torna um pouco claustrofóbico, ainda subsiste ?

-Os meios pequenos têm essa característica. Senti essa claustrofobia quando cresci em Guimarães. Foi por isso que saí de cá aos 17 anos e só voltei aos 30. E o que me fez voltar é exactamente o que mesmo que outrora me fez ir embora. É bom passear pela rua e perguntarem-me pelos meus filhos. Há uma relação de proximidade. Guimarães tem 160 mil habitantes, mas é como se fosse uma aldeia." 

Rodrigo Areias, entrevista de Manuel Halpern, in Jornal de Letras, Julho 2020.  

sábado, 17 de dezembro de 2016

Eu, Daniel Blake

         
(daqui:www.slate.fr)
 

        "A lógica do sistema está pensada na actualidade para aprisionar as pessoas, apanhá-las em falso. Há uma discriminação terrível nos centros de emprego que tende a submeter as pessoas. É uma lógica mais importante do que haver ou não haver trabalho. Haver trabalho há, mas também há discriminação na forma como são filtradas as oportunidades. E há uma questão ideológica por detrás disto: tudo está feito para que as pessoas interiorizem que se estão desempregadas, é culpa delas, são pobres, é culpa delas."

Ken Loach, in Ípslon, Público, dia 2 de Dezembro de 2016

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Filme d´Estio.





Rapariga: Porque lê?
Filósofo: É o meu ofício.



in "Vivre Sa Vie" de Jean Luc Godard (1962).

quarta-feira, 9 de março de 2016

Fellini e Nino Rota

"A minha preferência por Nino Rota como compositor deriva do facto de ele me parecer muito próximo dos meus temas e das minhas histórias e por trabalharmos muito bem em conjunto. Não me refiro ao resultado, mas à forma como trabalhamos. Não me compete sugerir-lhe ideias musicais, porque não sou compositor. No entanto, como tenho ideias muito claras sobre o filme que estou a fazer, incluindo os pormenores, o meu trabalho com Rota faz-se exactamente da mesma maneira que a elaboração do argumento. Fico ao pé do piano a que Nino está sentado e digo-lhe exactamente o que quero. Claro que não lhe dito os temas, só posso guiá-lo e dizer-lhe aquilo que estava à procura. Na minha opinião, Rota é o mais humilde dos compositores que trabalham no cinema, porque compõe uma música extremamente funcional. Não tem a presunção de muitos outros compositores, que querem que as suas músicas sejam ouvidas nos filmes. Sabe que a música de filmes é uma coisa marginal e secundária, que não pode ocupar o primeiro plano, excepto em raríssimos momentos, e que, em geral, se deve contentar em apoiar o resto do que vai acontecendo." 


in “Fellini conta Fellini”, Livraria Bertrand, Tradução de Maria Dulce e Salvato Teles Meneses, 1974.

O Declínio do Cinema

         
"Amarcord" de Federico Fellini
"
Sou muito pessimista porque creio que o público já não tem simpatia pelo grande ecran. Mas não quero continuar a repetir as razões que seriam a causa da desafeição do público: a televisão, o medo de sair à noite, as repugnantes condições do cinema em Itália. O público perdeu o hábito de ir ver um filme porque o cinema perdeu o seu fascínio, o seu carisma hipnótico, a autoridade que outrora teve. A autoridade que outrora teve para todos nós – a de um sonho que sonhávamos de olhos abertos – desapareceu. Será possível que 1000 pessoas possam reunir-se às escuras e fazer a experiência do sonho dirigido por um único indivíduo?"

Federico Fellini - "Sou Um Grande Mentiroso - Uma Conversa com Damian   Pettigrew",Tradução de Miguel Serras Pereira, Fim de Século, 2008.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

De que é Feito o Passado

       
Imagem daqui:www.filmaffinity.com
 "O Amarcord é uma reflexão sobre  a incapacidade de observarmos criticamente o nosso passado fascista, um passado que recusamos, mas do qual nunca nos poderíamos separar: o que faz parte do passado de cada um de nós forma inalteravelmente uma parte íntima de si próprio. Por isso o Amarcord é mais um exame do presente do que uma nostalgia. Na realidade, quando foi estreado o Satyricon, muitos viram o filme como um comentário sobre o Maio de 68. Creio que filmes como Casanova ou O Navio podem ser interpretados como reflexos de uma certa actualidade, como o jornal da noite. (...) Muitas vezes simplifiquei o sentido cabalístico da palavra amarcord, dizendo que é um termo romagnolo e que significa "Lembro-me". Mas não é bem verdade. Penso que a ideia original me ocorreu depois de ter lido qualquer coisa sobre o sueco defensor do aborto Hammercord, e que a sonoridade do seu nome o ponto de partida. Se se juntarem as palavras amare (amar), cuore (coração), ricordare (lembrar) e amaro (amargo) obtém-se Amarcord."

Federico Fellini -"Sou Um Grande Mentiroso - Uma Conversa com Damian   Pettigrew",Tradução de Miguel Serras Pereira, Fim de Século, 2008.

domingo, 28 de junho de 2015

"Desligados"

(William Miller and Lester Bangs ao telefone)
Philip Seymour Hoffman
em "Quase Famosos"-2000, 
realizado por Cameron Crowe.



Lester Bangs:They make you feel cool. And hey. I met you. You are not cool
William Miller: I know. Even when I thought I was, I knew I wasn't.