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sábado, 18 de abril de 2026

CCRG: Um Zé Ninguém Contra a Guerra

Daqui: https://www.adorocinema.com/
            Há uma palavra com que se sai na ponta da língua depois de ver o documentário "Mr. Nobody contra Putin" - coragem! É preciso, sem dúvida, uma substantiva coragem para fazer o que fez Pavel Talankin, um professor de Kalabash  - a cidade mais poluída da Rússia e onde a esperança de vida é de 38 anos - colocando, assim, em risco a sua própria vida.
           Durante dois anos e meio, este professor que era coordenador dos registos de vídeo e eventos da sua escola, foi enviando imagens para David Borenstein, realizador americano a viver em Copenhaga, na Dinamarca. “Mr. Nobody contra Putin” mostra-nos o processo militar repressivo em curso – há aulas de patriotismo, revisionismo histórico e sessões de apresentação de minas e promoção das armas pelo exército e grupo Wagner – uma autocracia que perpetua a asfixia social e o défice democrático existente. Qual é o propósito desta guerra ou de qualquer guerra? Esta é, sem espinhas, a grande questão que este documentário engajado nos faz.
          “Mr. Nobody contra Putin”, que passou no final do dia de ontem no Teatro Ribeiragrandense, ganhou o  Óscar e o prémio Bafta para melhor Documentário. Dois galardões de peso para dois homens corajosos: David  Borenstein e Pavel Talankin.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Dias Perfeitos na Lagoa

       

     No Convento de Santo António, ali mesmo no seu interior e com écran instalado no átrio, na cidade de Lagoa, foi exibido no dia 4 de Janeiro, Dias Perfeitos de Wim Wenders – brilhante ideia, sem dúvida, esta de disponibilizar, de forma livre e gratuita, uma sessão cinematográfica, à noite, naquele espaço com as pessoas sentadas em bancos ou espreguiçadeiras com as mantas sobre os corpos num dia tão frio de Janeiro. E, entretanto, lá veio à memória o Paris Texas do mesmo realizador alemão, filme realizado no ano de 1984. Uma narrativa intensa sobre alguém que se abandona, se esvai e decide voltar para se reencontrar ainda que seja impossível alcançar o que está defintivamente perdido. A interpretação de Harry Dean Stanton enquanto Travis é, no mínimo, exemplar a partir de um ser errante, extenuado e desmemoriado que percorre a aridez da velha América. O trajecto termina numa das cenas mais icónicas do cinema de Wenders - Travis e Jane separados num Peep Show por um vidro escuro e um telefone fixo.
         O filme tem a banda sonora de Ry Cooder, peça musical inolvidável, digna de figurar na hierarquia do panteão dos temas musicais  sugestivos de imagens cinematográficas. E, por falar em música, Dias Perfeitos não tem a sumptuosidade da banda sonora de Ry Cooder, mas tem canções encantadoras de Lou Reed, Patti Smith, The Kinks, The Velvet Underground, Van Morrison ou The Animals e ainda o silêncio e a mágoa de um homem que se recusa a seguir caminhos e quotidianos mais óbvios. Hirayama, responsável pela higiene de algumas casas de banho públicas de Tóquio, deambula pela cidade de forma atenta e apaixonada, sempre rodeado de cassetes musicais, fotografias de árvores e céus e livros de cariz contemplativo. Wim Wenders mostra-nos um personagem atento às pequenas coisas, aberto a situações inesperadas e disponível para se conhecer através das palavras dos outros. Uma dádiva existencial e cinematográfica.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Ciclo de Cinema no Cineteatro Lagoense!

  Com a chancela da Câmara Municipal de Lagoa deu inicio  um ciclo de cinema de filmes nomeados para os Óscares de 2025,  sendo que alguns obtiveram mesmo o respetivo Óscar de Hollywood. As sessões dão-se no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, com entrada gratuita, sala que é propriedade da autarquia, antigo desiderato dum homem culto, Francisco D´Amaral Almeida e, que na abertura do século XX, foi republicano e um verdadeiro apaixonado pelas artes, e que desde sempre partilhou com os seus conterrâneos a experiência das artes cénicas e visuais.
Cineteatro Lagoense 
(Fotografia: Carlos Olyveira)
No passado domingo foi exibido “Flow – À Deriva”, Óscar de Melhor Filme de Animação, realizado por Gints Zibalodis, uma co-produção da Letónia, Bélgica e França, que retrata a sobrevivência animal num mundo sob a forma de distopia sem a presença humana, evocando o seu desaparecimento. É uma animação muito pouco infantil e bastante madura, muito pela reflexão e também pela beleza das imagens. Entretanto, o ciclo de cinema continua já a 15 de março, pelas 21h00, com “Ainda Estou Aqui”, premiado com o Óscar de Melhor Filme Internacional, momento para ver ou rever a belíssima interpretação de Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro, bem como relembrar o papel da ativista e cidadã Eunice Paiva, na luta pela transparência e liberdade democrática no Brasil.
        Nos dois fins de semana seguintes há ainda “A Complete Unknown”, filme realizado por James Mangold, interpretado por Timothée Chalamet,  em que este  encarna a figura do músico norte-americano, Bob Dylan e,  por último, “Conclave”, um filme que conta com os actores Ralph Fiennes e Isabella Rossellini e que revela os contornos, melhor, os meandros e os escândalos, associados dos candidatos a um novo papado.

sábado, 17 de agosto de 2024

Ainda Temos Amanhã de Paola Cortelesi

Ce Ancora Domani de Paola Cortelesi, 2023

           Ainda há surpresas, a certeza que o mundo do cinema continua a surpreender. Atente-se apenas ao cartaz e deparamo-nos com uma referência ao número de presenças nas salas de cinema, mas como se trata de cineclube tudo isso parecia passar ao lado. No final, perguntamo-nos pelo desconhecimento concreto deste filme, a tristeza relativa à ignorância deste objecto cinematográfico que muito circulou pela Europa. É, sem dúvida, um libelo poético pelo empoderamento e emancipação feminina, todo ele carregadinho de referências ao cinema italiano da reconstrução – a começar logo pela figura da Paola Cortelesi e as suas parecenças com a saudosa Ana Magnani. Agradecemos, por isso, o assombro, a ousadia e essa coisa italiana de tudo nos parecer sempre tão leve apesar de falarmos de coisas tão sérias. Este é, sem qualquer dúvida, o filme perfeito para ver e reflectir no mês de Agosto, pois ainda temos o amanhã.

domingo, 11 de agosto de 2024

Best of 32ºCurtas: Sob o Olhar das Mulheres e Crianças!

          
That´s How I Love You, 2024
Mário Macedo
Agosto pode e deve ser o mês de esticar as toalhas e ler os livros guardados durante o ano para a canícula, no entanto é também o momento certo para ver ao ar livre o  Best of 32ºCurtas na Solar, Galeria Cinemática, em Vila do Conde. Sentados, em plena noite estival, com a previsão de 65 minutos, foram, assim, desfilando, em écran gigante, os filmes que obtiveram melhor acolhimento por parte do júri e do público presente nos idos da edição do Curta de Vila do Conde, em Julho.
      A sessão abriu com That´s How I Love You, uma curta-metragem com origem na Croácia e realizada pelo português, Mário Macedo, que narra a história das férias dum neto junto dos avós na aldeia onde estes vivem. O vencedor do grande prémio contém planos fixos bem definidos, personagens credíveis  e uma tensão narrativa permanente, a curta é terna e cativante até ao seu terminus. O mundo dos adultos e o seu legado é aqui visto sob o olhar de uma criança, os seus receios e a sua vontade de pertença, a pedir um crescimento atento, dialogante, ainda que sempre doloroso. Não terá sido sempre assim? Seguiu-se Rinha, curta-metragem de Rita M. Pestana, prémio de melhor filme, todo ele passado em Belo Horizonte, Minas Gerais. São vinte e três minutos mergulhados no submundo das lutas de galos e na vida de personagens desesperadas. Aqui é o cuidado e persistência associados ao feminino, sentimento explícito de  preservação e manutenção do mundo antigo a funcionar. Seguiu-se depois Percebes de Alexandra Ramirez, Laura Gonçalves, uma animação portuguesa (Prémio do Público), sob a forma de tributo ao crustáceo mais popular da região algarvia. O filme de grande investimento visual e gráfico é feito em forma de coral narrativo por todos os que apanham e vivem de tão importante iguaria. A sessão terminou com Blhec, prémio do público na competição internacional. Trata-se de uma animação divertida sobre o poder do beijo entre os humanos e a  curiosidade que este desponta nos mais novos, isto é, nas crianças que lidam com o desplante de pôr os lábios a brilhar, a cada investida que avistam. O filme de Loïc Espuche seria o mais leve e divertido nesta noite de cinema ao ar livre com lua nova. 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Solar: Cinema ao Ar Livre

Percebes de Alexandra Ramirez, Laura Gonçalves
Best of 32ºCurtas Solar - Galeria Cinemática
10 de Agosto, 21h30


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Filmes para a Canícula

       O Verão é a estação ideal para ver cinema, tanto no interior como no exterior. São, por isso, muitas as propostas de associações, autarquias e instituições culturais que pretendem pôr em destaque a atualidade e diversidade cinematográfica. 
    Desta feita, o Cineclube Octopus apresenta, hoje, o filme "O Bêbado", de André Marques, com as participações dos atores principais Victor Roriz, Ina Esanu, contando ainda no elenco, Teresa Madruga, Jorge Vaz Gomes, David Pereira Bastos, para lá de uma banda sonora composta por A Winged Victory for the Sullen, ELM, Gareth Dickson, José PinhalHumanos.  Esta obra tem a duração de 120 minutos e foi rodado totalmente na cidade de Setúbal. 
      Uma outra novidade, mais lá para o final do mês, é a apresentação de "Três Haikais, Um Peixe Surfista e Uma Canção de Amor para o Areal", na edição do Fuso Lisboa, no espaço da Duplacena, no Regueirão dos Anjos. Após Ribeira Grande, Terceira, São Jorge, Corvo, Santa Maria, Póvoa de Varzim, chegou a vez da capital. Um bem haja a quem tem ajudado a circular este pequeno poema visual com origem em São Miguel, Açores.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Amanhã, às 10 horas, no Ribeiragrandense

     "Na fronteira entre o Equador e o Peru, à beira do rio Pastaza, a comunidade de Suwa tem menos de uma centena de habitantes da etnia equatoriana Achuar. E são as crianças de Suwa que Inês Alves filma: e através delas toda uma maneira de viver a infância em comunidade que hoje já quase não existe na sociedade ocidental. Os miúdos ficam praticamente sozinhos todo o dia: brincam, tratam uns dos outros, vão à pesca ou à caça ou apanhar fruta, cozinham refeições, sem a presença de pais ou familiares. E o que começa por nos parecer, aos nossos olhos ocidentais, uma absoluta irresponsabilidade paternal de deixar miúdos sozinhos à solta, revela-se - através do olhar paciente e atento da realizadora - um olhar profundo sobre o que pode significar ser criança."

 Jorge Mourinha, PÚBLICO

terça-feira, 16 de maio de 2023

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

"Curta Açores" na Ribeira Grande

       Primeiro dia do Curta Açores-Festival de Cinema da Ribeira Grande com um filme belo e surpreendente oriundo da Sérvia: "Moon Drops", do realizador  Yoram Ever-Hadani. Uma narrativa cinematográfica feita de engenho e amor, evidenciando aquilo que o cinema possui de mais fantasioso e imaginativo. O Festival abriu ainda com outra curta sintonizada com o tempo actual - "Lista", da brasileira Luciana Oliveira e com argumento de Gustavo Pinheiro. Uma curta sobre a solidão do tempo presente agravada por um vírus desconhecido e em que a esperança é a última a morrer. Um texto que vive da força  e representação da actriz  veterana com origens micaelenses, Lília Cabral.