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segunda-feira, 12 de junho de 2017
Sala de Embarque: o findar da mini-digressão!
sábado, 10 de junho de 2017
Sala de Embarque: Daqui a pouco no Cine Teatro Lagoense!
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Foi há cinco anos que a Lagoa foi elevada a cidade, os últimos censos apontavam para 14 mil e 416 habitantes com as suas cinco freguesias de Nossa Senhora do Rosário, Santa Cruz, Água de Pau, Cabouco, Santa Cruz e Ribeira Chã. Hoje, sábado, pelas 21h30, dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, iremos apresentar, pela primeira vez, a Sala de Embarque, no Cine Teatro Lagoense. Uma sala com 176 lugares disponíveis. A peça de teatro tem a duração de uma hora e quinze minutos e conta com as interpretações de Joana Matos, Margarida Benevides, João Malaquias, Henrique Santos, a composição sonora de João Luís Macedo e o som e a luz a cargo de Cristóvão Ferreira.
domingo, 28 de maio de 2017
Sala de Embarque: Mês de Junho
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| Cartaz de Júlia Garcia |
Mais duas apresentações a ser preparadas, organizadas, e já disponíveis para as vossas agendas: Vila Franca do Campo e Lagoa, 9 e 10 de Junho, respectivamente. Duas terras micaelenses, dois palcos que pedem outra vez a vossa receptividade, o vosso ânimo, a vossa boa vontade. E nós, cheios de entusiasmo, cada vez mais atentos, prosseguimos viagem. Com cara de muitos e bons amigos (muito obrigado, Lígia e Miguel!) que nos foram dizendo o que estava bem e o que estava mal, aguçando cada vez mais este nosso gosto por aprender, prontos por alcançar mais conhecimento ou ficarmos na posse de sábias experiências, sempre com a ideia presente que só através de muitos ensaios, bastante estudo e prática conseguiremos levar mais longe este nosso desempenho teatral. E, para já, iremos contar com o envolvimento de pessoas que juntaram a nós, sobretudo em Vila Franca do Campo, pois trata-se dum projecto de finalistas da Escola. Em breve, contaremos quais são os nossos futuros planos de embarque…
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Sobre a Sala de Embarque no Teatro Micaelense
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| (Fotografia de Carlos Olyveira) |
Paulo Lisboa
domingo, 2 de abril de 2017
Sala de Embarque: As quatro razões para partir
Nunca ninguém parte
completamente, porque partir nunca é, na verdade, ir sem deixar absolutamente
nada para trás. As motivações para qualquer
partida acontecem sempre tendo um ponto em comum: o da mudança. Acreditando-se
poder chegar a um lugar melhor. Um sonho imaginado de um provável destino
desconhecido. São quatro as razões para a
partida de cada um dos personagens e que transformam esta Sala de Embarque numa
sala de espera. A acção acontece à volta da vontade que cada um tem para mudar a
sua vida e, embarcar no sonho impulsionado pelas motivações que o levou até ali.
Há uma vontade de partir explícita nos diálogos que vão acontecendo,
desvendando as estórias que existem em cada um dos quatro passageiros. Nestas conversas, vamos
entendendo que todos querem partir numa espécie de fuga da sua própria vida,
dos seus passados, dos pesadelos ou, apenas, fugir dos seus medos… Talvez até
fugir de si próprios e encontrar o verdadeiro Eu numa viagem qualquer, nem que
seja, tão só, na viagem da imaginação. Mas, o destino é sempre incerto,
porque, incerto é o destino e o medo do incerto pode ainda ser maior que todos
os medos já vividos. Neste encontro, há reencontros
com um passado que se deseja apagar, de uma
mudança que seja capaz de fazer desvanecer os fantasmas que teimam em estar
presentes. Partir é procurar algures um
destino que quebre memórias. Mas, será mesmo possível partir, esquecer ou
atenuar a perseguição dessas sombras? A indecisão de viajar fica-se
muitas vezes pelo sonho, porque o medo do incerto é aterrador! Desiste-se
ou adiam-se esperanças…Sala de Embarque poderá bem ser a
“sala de espera” de qualquer um de nós, com as nossas indecisões, com os medos
da mudança. Esperar é também esperança, a de se encontrar na sala de embarque
uma porta de partida. Mais do que um local de espera, Sala de Embarque é um
porto de abrigo onde são lançadas âncoras de fé.
Fernando Nunes escreveu quatro
histórias. Todas elas são diferentes
entrecruzam-se entre passado e futuro, em que cada um, pelas suas razões
pessoais, deseja partir para embarcar na fuga de si mesmo, para um qualquer
lugar imaginado e tido como “eventual” destino certo. Mas, entre o partir e o
ficar, há a espera…a indecisão.
Ao intenso trabalho, juntam-se os
talentos de: Henrique Santos, João Malaquias, Margarida Benevides e Joana
Marques que, com a sua criatividade, nos levam até à Sala de Embarque e nela
fazer-nos esperar até que a viagem aconteça. À composição musical de João Luís
Macedo vêm, também, juntar-se as cumplicidades de Lígia Soares, Ana Lúcia
Figueiredo, André Almeida, Diogo Fonseca, Carlos Oliveira, Júlia Garcia e
Miguel Caldas.
Sala de Embarque é um esforço
conjunto que muito merece o carinho de todos aqueles que procuram na arte e na
cultura uma forma de aprendizagem complementar e não formal. Por esta razão, embarque
e seja mais uma pessoa presente na Sala de Embarque.
José França
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Sala de Embarque: Primeiro Ensaio de 2017
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Regressamos
aos ensaios, desta feita num anexo da Pousada da Juventude. Agradecidos pela generosidade, o cuidado, a
abertura. A partir de agora é nossa vontade ensaiar cada vez mais - melhorar,
exercitar, procurar as personagens, encontrar a real envolvência das cenas. Esta
proposta teatral irá ser construída a partir das possibilidades que o texto e
as circunstâncias permitirem. Necessitamos, por isso, de discutir novamente o
processo e continuar este labor partilhado e colaborativo. Com o novo elenco é essencial
encontrar o tom, o ritmo e os diálogos entre as personagens. Mais tarde, lá
para o fim do mês, contaremos com o apoio da encenadora Lígia Soares. Hoje,
também fomos visitados pelo Carlos Olyveira, fotógrafo de cena e colaborador
habitual, veio dar conta e imagem do início das “hostilidades”, este recomeçar
da leitura, o encetar de uma nova aventura.
Assim possamos e desejamos chegar a bom porto.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Sala de Embarque: a Falta
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| Ensaios de Sala de Embarque- Galeria Arco 8 (Fotografia Carlos Olyveira) |
Hoje vamos à Antena 1 Açores
falar sobre a peça Sala de Embarque, gravaremos uma emissão com o Williams Maninho
Nascimento. O que leva alguém a querer fazer peças de teatro, a escrever, a ler? O que é que se passa para alguém repetir um texto diariamente, de forma exaustiva, e
depois dizê-lo publicamente? Por vezes, com uma
actuação de uma só noite, duas, não mais. E o que leva uma peça permanecer
somente dois, três dias numa sala? Estas são as perguntas que gostaria de saber
responder. Vivemos num momento em que se generalizou o domínio da cultura do
entretenimento, caracterizada pela ligeireza e pela mediatização, eliminando
qualquer pensamento ou crítica. E porquê “Sala de Embarque”? Sim, porquê falar dessa ideia de instabilidade,
inquietação, esse motivo de desconforto que se alojou num alargado
corpo/célula, estendendo-se como um vírus generalizado de partida, individual,
alastrando a sua mobilidade um pouco por todo o lado. A consolidação desse desejo
de partida. Afirmar aqui essa falta e falar de nós, aqui neste tempo e espaço, é disso que iremos conversar. É esse o
nosso maior ensejo.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Sala de Embarque: o "Paraíso" da Dinamarca
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| Fotografia Carlos Olyveira |
Seria
tão bom podermos refrescar-nos por aqui, sobretudo pelo meio deste calor intenso que se
faz sentir neste lugar de uma Santa Clara sufocante. Sentado, por instantes, na mesa
solitária da esplanada do Restaurante “Calço”, é possível avistar um corredor de bandeiras
vermelhas de um bairro em festa. Daqui a pouco há música com
“barracas de comes e bebes” junto da igreja. “Inicialmente, esta festa realizava-se
no dia 11 de Agosto, dia de Santa Clara de Assis. Contudo, pelo facto de sermos
um “bairro piscatório”, nesta data os homens desta terra encontravam-se no mar.
Estes homens eram em tão grande número que a igreja decidiu adiar as festas
para o primeiro domingo de Setembro, data muito próxima do regresso dos mesmos.
Assim sendo, não será muito difícil compreender o facto de esta festa durante
muitos anos ter sido encarada com a festa dos pescadores. Era uma espécie de
acção de graças por regressarem ao porto de abrigo, depois de seis meses de
faina marítima.” conta-nos Elsa Santos, no seu livro “Santa Clara: Um tempo de
Festa”, editado no ano de 2002.
Somos,
entretanto, visitados pelo jovem actor dinamarquês, Tue Heiberg Madsen, que esteve por cá a assistir a um dos ensaios,
tendo sido ele capaz – sem qualquer conhecimento da língua portuguesa – esclarecer
a ligação entre os personagens e as intenções de cada um na peça.
Surpreendidos, estivemos por ali a ouvi-lo falar do seu pequeno país, por sinal, “bastante rico
e desenvolvido” e ainda o “acaso googliano” que o trouxe até aos Açores. No final da
conversa, descobrimos que, também ele, partiu muito jovem para Londres para
aprender teatro e que estará de volta ao seu país para se lançar e afirmar-se
no mundo da representação.
Entramos
nas últimas semanas antes da estreia, preparamos deste modo a recta final dos ensaios de “Sala
de Embarque”, um trabalho contínuo evidenciado pelos diferentes contributos que
fomos obtendo ao longo destes três meses de trabalho. O cenário está devidamente a
ser ultimado e concluído tal como o trabalho de luz e de som. À semelhança daquele semblante da
Margarida Benevides, numa bonita fotografia do Carlos Olyveira, o sonho de apresentar
esta peça vai-se aproximando, isto é, mais três semanas e…já está!
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Sala de Embarque: Uma Festa no Fim de Agosto
Aí estão as festas de Santa Clara e que, após ensaio
na Galeria Arco 8, tivemos a oportunidade de marcar presença e saborear as
iguarias naquelas mesas corridas de arraial montado. Ontem à noite, houve fados, concertos de viola da terra e petiscos. É assim que ficámos a saber narrativas sobre este vetusto bairro piscatório, ainda não consumido nem arrasado pela “modernidade
arquitectónica”, bem como tomar nota sobre a origem do próprio nome de Ponta Delgada e, inclusive, a história
de pescadores que participaram na frota branca e que andaram pelos bancos da Terra Nova na pesca do bacalhau. Homens que permaneciam uma viagem de seis
meses sem dar notícias, nem uma cartinha que fosse. Socorro-me, entretanto, do
livro “Santa Clara: Um Tempo de Festa”, compilado pela Elsa Santos, editado
em 2002, para deste modo ficar a conhecer ainda mais esta pequena comunidade que ainda
hoje vive do que o mar lhe dá. Ao mesmo tempo que é de lamentar o descuido da zona térrea junto do mar, tão abandonada que está, bem como o estado destruído daquela escultura pela força do mar.
Agosto está, por isso, a findar e o desejo de
colocar esta peça em cena aumenta de dia para dia ao mesmo tempo ainda que não
apetece nada, nada mesmo, deixar fugir este mormaço estival. Apetece, isso sim, ficar toda a manhã a ouvir Scott
Walker cantar o original de Jacques Brel na sua versão sobre alguém que parte:
“If you go away/On this summer day/Then
you might as well/Take the sun away/All the birds that flew/In the summer
sky/When our love was new/And our hearts were high/And the day was young/And
the night was long/And the moon stood still/For the night bird's song”. E,
talvez por isso, filmámos neste último dia de Agosto um pequeno clip sobre a
ideia, “a mola”, que está subjacente a esta “Sala de Embarque”. Uma ideia de partida, diga-se, como seria de esperar.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Uma Ode a Santa Clara
Regressámos, portanto, aos ensaios, ainda que o
façamos mais cedo pois havia filme-homenagem que não queríamos perder. Passou,
entretanto, mais de uma década sobre a memória de “Ver o Pensamento Correr”, um
documentário sobre António Palolo, realizado por Jorge Silva Melo. Por isso,
foi muito importante ver este “Ana Vieira: e o que não é
visto”, não pela semelhança entre artistas mas pela forma com o realizador
“encena os seus documentários sobre artistas plásticos”. Jorge Silva Melo começa
por dialogar com Ana Vieira, filmando-a inicialmente de costas num jogo de
ocultação/visibilidade, investindo no questionamento do espectador com as obras
de arte, essencialmente na forma como este as percepciona e se coloca perante
os objectos artísticos. Deste modo, permite que Ana Vieira esclareça esse jogo de espelhos,
as sombras e transparências...fazer ver de fora e com uma consciência em off.
Sem dúvida, um documentário subtil, delicado e honesto na representação da
artista e do seu trabalho. Hoje há conferência pelo Paulo Pires do Vale na
Galeria Fonseca e Macedo.
E depois, voltaremos novamente à luminosa e
encantadora Santa Clara, antes deste fim de Agosto, esse mês em que gostaríamos
de permanecer como na infância…os últimos dias deste Estio caloroso, húmido, e
com o sabor a sal. Leremos, assim, repetidamente e, de forma exaustiva, partes da peça, já com bancos do
cenário montado, sobretudo para que dessa forma possamos encontrar uma maior
“organicidade” do texto teatral – um chavão agora repetido e abusado ad nauseam pelos já poucos espectadores de teatro. E, queiramos ou não, lá entraremos em Setembro…
sábado, 30 de julho de 2016
Sala de Embarque: Ensaios
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| Galeria Arco 8 |
Regressamos a
Santa Clara para mais um dia bem azulado, algumas nuvens comuns -as cumulus- povoam o céu e é de azul e
alguns farrapos brancos que nos fazem proferir a palavra deslumbre. O ensaio é da parte da tarde e ali estão novamente os
pescadores e as suas artes de pesca. Vivem e trabalham entretidos com os seus misteres, responsabilidades e horários. O cenário é de trabalho
continuado, esforçado, orgânico e consistente.
E, após treze
ensaios, num trabalho regular podemos reconhecer que a cumplicidade é cada mais notória, tal como a entrega, a partilha, o conhecimento, o saber. Estamos completamente focados nas marcações, nas posturas das personagens. Temos tempo para rever as marcações, há, portanto, que atender ao ritmo de cada um, por isso
registamos o vídeo para que depois cada um possa fazer o trabalho de casa. E, ali está o João, a Margarida, a Liliana e o
Henrique, meus cúmplices, que repetem, decoram, assumindo o texto como seu. Por vezes, fazemos um pequeno intervalo para respirar, deixar o ar
entrar, e conosco, o texto repousar sobre as nossas cabeças. O tempo estival,
esse, é húmido, muito abafado e...açoriano.
domingo, 10 de julho de 2016
Sala de Embarque: Sétimo Ensaio
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| Fotografia de Carlos Olyveira |
Começamos
a habituar-nos a Santa Clara, que belo cenário temos perante nós. Sortudos, pois
claro. Quando o tempo proporciona aproveitamos para ir a pé, caminhando lentamente
até à Galeria Arco 8 para assim absorver e aproximar-nos desta freguesia situada
na costa sul do concelho. É também uma forma simpática de cortejar o mar e a
paisagem circundante de tão colorida que é. É de facto um belo cenário este com
o casario novo e antigo feito à escala humana.
E
agora, que já nos encontramos a preparar cena a cena, a reescrever cada
alteração e marcação, quem sabe um dia não promoveremos com os habitantes desta
freguesia ensaios assistidos. Pode ser mais lá para a frente, perto da estreia e que
consigamos reunir gente deste lugar para assistir e trocarmos impressões com elas sobre aquilo que se
está a passar em palco. Neste ensaio de hoje demos conta que estamos na
presença de um texto teatral longo, o cronómetro aponta para uma hora e vinte, por essa razão debatemos em conjunto sobre as possibilidades de encurtar
alguns momentos.
Por
fim, temos tido a necessidade de discutir todo o processo e, por isso, o texto em causa mais parece um
trabalho contínuo. Sobretudo, porque este é deveras partilhado colectivamente, essencial para
encontrar o tom e o ritmo dos diálogos entre as personagens. O ensaio termina
com a atenção focada nas reais intenções contidas na personagem da actriz Margarida
Benevides (Mulher de Meia-Idade), que agora tem de encarnar uma mulher despojada de sonhos, dura, marcada por uma vida complicada e difícil. Por esse motivo, ela repete o texto exaustivamente e verifica a intencionalidade das suas falas. Há, portanto, que manter a chama do texto aceso,
há que tornar cúmplices as pessoas que partilharão daquele momento. O que pensarão as pessoas que assistem a esta cena intrigante? Citando
novamente David Ball: “Nenhum
strip-teaser ignora que o que mais excita o público não é a nudez em si mesma,
mas a promessa da nudez. A metade do prazer está na antecipação”. E,
porventura, é verdade!
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Sala de Embarque: Anzóis e leitura de texto
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| Fotografia Carlos Olyveira |
Eis-me novamente em Santa Clara, freguesia de Ponta
Delgada, com 2971 habitantes, segundo os censos de 2011. O dia por aqui nasceu com humidade elevada e o “capacete” esteve instalado até ao princípio da tarde. No grande armazém onde
está a Galeria Arco 8, deparo-me com pescadores das Caxinas, homens do mar que
há muitos anos procuraram nas ilhas sorte e aventura nas artes da pesca. Estou perante verdadeiros caxineiros e outros caboverdianos a preparar os anzóis para a pesca à linha, esmerando-se
enquanto trabalhadores manuais atando os nós, esticando as linhas e seda
para as gamelas. Alguns deles trabalham na maior embarcação que se encontra no porto desta cidade insular.
Passemos, portanto, ao terceiro ensaio deste texto teatral intitulado “Sala de Embarque”. Uma ideia que foi sendo pensada e escrita com vontade de dar voz aos meus contemporâneos, gente que vive hoje nas ilhas e
continente. Gente de carne e osso, que possui olhar atento e não desarma, pessoas que vivem hoje aqui
connosco, que partilham as ruas e as praças, as lojas dos hipermercados ou do
centro de emprego, os sonhos e angustias de um tempo de crise que não quer descolar.
Uma sala de embarque, portanto, onde todos se encontram e desencontram, há aqueles que pretendem partir, levantar voo e
navegar ou então apenas uma viagem feita de nuvens e memórias. Este foi mais um ensaio para partilhamos novamente impressões
sobre as inflexões e ritmo do texto, a leitura permanente e descoberta das suas
possibilidades, no fundo, um processo de aprendizagem colectivo.
sábado, 9 de abril de 2016
Sala de Embarque (Caderno de Apontamentos)
Velho: Sim, sobre barcos. Se o assunto for futebol, não sei nem
consigo dizer nada. Nadinha. Se pretenderem falar de barcos, estou disponível
para falar convosco a noite inteira. (Puxa
pela memória) Por vezes, também ia comendo amendoins. (Recordando-se) Entretanto, levantei-me e...comecei a caminhar. Foi
aí então que dei conta que não tinha comigo o caderno. O meu caderno de
apontamentos onde eu apontava tudo o que me ia acontecendo, histórias,
rascunhos de poemas, textos evocativos, memórias. Naquele caderninho azul celeste
estava a minha vida dos meus últimos três anos. Sim, é verdade...os meus
últimos três anos estavam ali, bem como aquilo que eu pretendia fazer nos
próximos três anos seguintes. Estarei a exagerar? Consegue perceber isso?
Consegue entender o que é que se passou?
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