Quando John Wayne visitou o Teatro Micaelense
ainda não era um corpo em manifesto
malgrado fosses secreta e talvez remota
e nem por sombra ou cupidez
ousaram nomear-te Havai do Atlântico
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Gli Italiani...
“Os italianos têm séculos e séculos de uma
cultura, e de um olhar treinado para o belo e para o luxo. É uma questão de
envolvência, saem à rua, nem dão por isso, mas estão permanentemente a ser
impregnados pela herança cultural e pela beleza. Para mais, têm uma capacidade
produtiva e inventiva extraordinária, que se estende a tudo. No campo do
design, sobretudo, aquilo sai-lhes melhor.”
António
Mega Ferreira,
in Revista Ler, Maio de 2018
sábado, 5 de maio de 2018
quinta-feira, 3 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
domingo, 29 de abril de 2018
segunda-feira, 23 de abril de 2018
terça-feira, 17 de abril de 2018
Da Arte
“Eu
diria que a arte é, em primeiro lugar, não sobre o mundo mas sobre o sujeito
que a produz. A arte é um modo através do qual o sujeito pratica o desenho da
sua própria aparência do mundo. A arte
manifesta não o modo como eu vejo o mundo, mas o modo como quero que o mundo me
veja a mim. Regra geral, a imagem que apresentamos ao mundo não nos agrada
– por isso tentamos mudá-la por meio da filosofia, da política e da arte. E, ao
mudarmos a nossa imagem da sua prática, a arte transforma o mundo no qual
acontece. A arquitectura, por exemplo: independentemente de gostarmos dela ou
não, temos de viver dentro dela. A arquitectura define o nosso modo – isso pode
ser dito de todas as formas de design. Mas também somos formados pelos filmes
que vemos, os livros que lemos, etc. Nada disso é feito pela natureza – nem por
nós, enquanto leitores ou espectadores. E a nossa relação com toda esta arte
não é uma relação externa, estética. Não temos a liberdade da distância
estética e do juízo estético. Vivemos dentro da arte e somos formados por ela.
Por isso é uma pergunta legítima: como é que este processo formativo acontece?
E é precisamente uma questão da poética, não da estética.”
Boris Groys numa entrevista a António
Guerreiro, revista Electra, Março de 2018
domingo, 15 de abril de 2018
quinta-feira, 12 de abril de 2018
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Palavra de Honra
"A palavra de
honra está moribunda, quase extinta, decadente. De facto, a honra morreu. É
preciso fazer-lhe uma cerimónia fúnebre, e convictamente enterrá-la de vez. Sugiro
uma cerimónia com pompa e circunstância, com flutes de espumante francês e canapés, e com uma consternação
moderada, suavizada por actuações de palhaços contratados e cuspidores de fogo.
Provavelmente não poderei estar presente devido a compromissos publicitários,
portanto peço-vos que fiquem atentos: o que é para enterrar é só a honra! Não
vá o coveiro distrair-se e enterrar também a palavra ainda viva. Seria um
incidente embaraçoso, que nos deixaria literalmente sem palavras."
Fausto
Colo de Teresa Vilaverde no Teatro Micaelense
Como é que
chegamos aqui? Poderia ter sido a pergunta feita milhares de vezes quando se atingiu o auge da crise portuguesa em 2012. E porque parecia uma nação
antiga tão desorientada? E os seus cidadãos completamente perdidos e ausentes
de laços de solidariedade?
Teresa Villaverde filmou, por isso, a sua cidade: Lisboa. Imaginou, há três anos atrás, o que seria na capital do país a desagregação de uma família onde a mãe está ocupada com dois trabalhos, o pai perde o emprego e a filha adolescente ensimesmada com as respectivas crises de crescimento. É tudo filmado de forma branda, anunciando de forma subtil o afastamento entre as pessoas e o esfriamento dos laços. Vai fundo na derrisão a que cada um está sujeito perante o medo da fragilidade e aquilo que a exposição da perda faz a cada um de nós. A tensão cresce, no entanto, neste país nunca chega a estourar, rebentar de revolta ou a descambar completamente. Uma fotografia belíssima de Acácio de Almeida, uma interpretação convicta de Alice Albergaria Borges e ainda planos fixos que são pinturas lindas de assistir, valem bem a pena presenciar este filme que asseguram, sobretudo, as vozes do dono, vir em contraciclo. Será verdade?
Teresa Villaverde filmou, por isso, a sua cidade: Lisboa. Imaginou, há três anos atrás, o que seria na capital do país a desagregação de uma família onde a mãe está ocupada com dois trabalhos, o pai perde o emprego e a filha adolescente ensimesmada com as respectivas crises de crescimento. É tudo filmado de forma branda, anunciando de forma subtil o afastamento entre as pessoas e o esfriamento dos laços. Vai fundo na derrisão a que cada um está sujeito perante o medo da fragilidade e aquilo que a exposição da perda faz a cada um de nós. A tensão cresce, no entanto, neste país nunca chega a estourar, rebentar de revolta ou a descambar completamente. Uma fotografia belíssima de Acácio de Almeida, uma interpretação convicta de Alice Albergaria Borges e ainda planos fixos que são pinturas lindas de assistir, valem bem a pena presenciar este filme que asseguram, sobretudo, as vozes do dono, vir em contraciclo. Será verdade?
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