Há lugares à espera do teu sossego
domingo, 10 de abril de 2022
sábado, 9 de abril de 2022
quarta-feira, 6 de abril de 2022
"Jefferson Airplane" de Sebastião Belfort Cerqueira
Como o tomilho
O meu tempo é selvagem
Perdido na piada
De bêbado
Do riso
Perdido na viagem
Sem ter onde chegar
Tem sido um caminho longo e estranho
E é pra continuar.
in Música Normal, Companhia das Ilhas, Janeiro de 2021.
terça-feira, 5 de abril de 2022
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Os Filhos da Madrugada: Nenny
"A minha vida foi marcada pelo 25 de Abril no sentido em que, na minha geração, o mais importante é expressarmo-nos. Temos liberdade de expressão. Podemos debater uns com os outros e chegar à conclusão de que todos somos iguais e devemos ser mais unidos. Ter o telefone, escrever e opinar, dizer o que realmente sentimos. Isso marca muito. Depois da revolução, temos esse direito."
in Os Filhos da Madrugada, Anabela Mota Ribeiro, Círculo de Leitores/Temas e Debates, Novembro de 2021.
domingo, 3 de abril de 2022
"Não sei se sabes" de Rui Costa
que a meio da manhã
o verde dos teus lábios
passou para as encostas
e um gomo transparente
adormeceu nos juncos e abriu.
Abriu um brilho qualquer
na gruta fria e pôs uma fogueira
pequenina numa taça
e elevou as mãos quentes
pelo dia.
talvez tu saibas que o principal
do amor
é uma montanha de efeitos secundários.
sábado, 2 de abril de 2022
FALTA: FORÇA#4
A F A L T A, projecto colectivo e independente que reúne contributos literários e artísticos, irá lançar em breve o seu nº 4, dedicado ao tema da FORÇA. Há, por isso, desenho, poesia, ilustração, fotografia, prosa, conto, colagens e várias entrevistas. Agora é tempo de prepararar o seu conjunto, congregar os vários registos e anunciar o seu lançamento. Muito em breve estará pronta para folhear, manusear, pressentir os odores de tinta que foram secando e aglutinando os traços e as cores que serão a novidade deste número. Esta edição de 250 exemplares contará com a sua capa em serigrafia e o miolo em offset, à semelhança das edições anteriores.
sexta-feira, 1 de abril de 2022
“Uma Pequenina Luz Bruxuleante” de Jorge de Sena
Não na distância brilhando no extremo da estrada
Aqui no meio de nós e a multidão em volta
Une toute petite lumière
Just a little light
Una picolla, em todas as línguas do mundo
Uma pequena luz bruxuleante
Brilhando incerta mas brilhando aqui no meio de nós
Entre o bafo quente da multidão
A ventania dos cerros e a brisa dos mares
E o sopro azedo dos que a não vêem
Só a adivinham e raivosamente assopram
Uma pequena luz, que vacila exacta
Que bruxuleia firme, que não ilumina, apenas brilha
Chamaram-lhe voz ouviram-na, e é muda
Muda como a exactidão, como a firmeza, como a justiça
Brilhando indeflectível
Silenciosa não crepita
Não consome não custa dinheiro
Não é ela que custa dinheiro
Não aquece também os que de frio se juntam
Não ilumina também os rostos que se curvam
Apenas brilha, bruxuleia ondeia
Indefectível, próxima dourada
Tudo é incerto, ou falso, ou violento: Brilha
Tudo é terror, vaidade, orgulho, teimosia: Brilha
Tudo é pensamento, realidade, sensação, saber: Brilha
Desde sempre, ou desde nunca, para sempre ou não: Brilha
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza, como a justiça
Apenas como elas
Mas brilha
Não na distância. Aqui
No meio de nós
Brilha
quinta-feira, 31 de março de 2022
quarta-feira, 30 de março de 2022
Os Filhos da Madrugada: Adriana Molder
"Tudo, não é? Devemos tudo. Se eu pensar nos meus pais...O meu pai, já não foi à guerra porque houve o 25 de Abril. Estava a fazer a tropa. Foi mobilizado, não chegou a ir. Naquele período começou a estudar - é autodidacta - sobre como fazer fotografia. Não tenho fotografias nenhumas de quando era pequena porque estava só concentrado nos livros de fotografia. Acho que aprendeu, também, com uma pessoa. Quando penso que sou uma mulher, artista. e vivo na Europa...Crescemos com isso garantido. Agora começamos a perceber que não é assim tão garantido. Isto é, cresci numa família onde nunca questionei se era uma mulher ou se era homem. Quis ser artista e ninguém me obrigou a ser outra coisa. Se tivesse nascido há 60 ou 70 anos, não era assim. Portanto, eu, acho que devemos todos imenso ao 25 de Abril."
in Os Filhos da Madrugada, Anabela Mota Ribeiro, Temas e Debates, Novembro de 2021.



