Acontece quando tudo se espera: duas cadeiras vazias
Junto a uma lareira que ninguém aquece. E por isso
Inclino-me hoje especialmente para o silêncio
Mesmo que tenham ficado pequenas lembranças
Memórias que parecem coladas a alguma coisa
Como as gravuras inscritas nas pedras.
Se servimos para alguma coisa, para quê as mãos no fogo?
E se esticarmos a luz pela tarde para quê a sombra?
As circunstâncias foram como foram, umas urgentes
Outras carregadas de malas ou adiadas para nunca
Mas sempre excecionais na sua imperfeição. Entretanto
Escuta como se aquietou em mim o teu coração
Num diálogo atravessado por distâncias.


