sábado, 9 de novembro de 2024

O Fim de Um Amor de Rui Machado

É assim a nossa história. Dá impressão de que nada 
Acontece quando tudo se espera: duas cadeiras vazias
Junto a uma lareira que ninguém aquece. E por isso
Inclino-me hoje especialmente para o silêncio 
Mesmo que tenham ficado pequenas lembranças 
Memórias que parecem coladas a alguma coisa 
Como as gravuras inscritas nas pedras.
Se servimos para alguma coisa, para quê as mãos no fogo?
E se esticarmos a luz pela tarde para quê a sombra?
As circunstâncias foram como foram, umas urgentes
Outras carregadas de malas ou adiadas para nunca 
Mas sempre excecionais na sua imperfeição. Entretanto
Escuta como se aquietou em mim o teu coração 
Num diálogo atravessado por distâncias. 


Horta, 11.12.2021.

Provérbio

Do São Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o bornal

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Transportes Públicos

       “O uso de transportes públicos tende a aumentar se houver redução de custos, melhorias na rede e qualidade do serviço, maior consciência ambiental e políticas públicas que o incentivem. (…) Quem vive nos Açores é obrigado a ter carro próprio se quiser trabalhar. Isso ou fica à mercê de horários e rotas anacrónicas que há décadas não servem a preços astronómicos. E, se há falta de motoristas para garantir o serviço, como também se ouve por aí, por que experimentar pagar-lhes melhor e não os explorar?”

         António Lima, Açoriano Oriental, 7 de Novembro de 2024.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

"Três Haikais..." no Festival Curta Açores

      No dia 8 de Novembro, sexta-feira, iremos ter a oportunidade de ver, no Festival Curta Açores, no Teatro Ribeiragrandense, a curta-metragem “Três Haikais, um Peixe Surfista e uma Canção de Amor para o Areal”. A sessão é aberta aos cineclubistas presentes no Encontro Nacional de Cineclubes e aos restantes cinéfilos que habitam a ilha.
20h30 no Ribeiragrandense 
      Acreditamos, assim, que o sonho de quem cresce a ver cinema é, essencialmente, escrever argumentos, realizar filmes, colocar e pôr em prática essa paixão pela sétima arte, a sua cinefilia. O cinema é, assim, uma arte que junta e agrega muita gente em volta de uma ideia ou projecto. Foi, aliás, isso que aconteceu com o “Três Haikais…”, sobretudo quando a Gabriela Oliveira me acompanhou nesta aventura, dado que já tinha participado no Itinerário, o seu primeiro filme. A Gabi, com muita paciência, acedeu filmar os três lugares onde decorre a acção – o terraço caseiro, essencialmente, a visão daquelas três araucárias, a Cervejaria do Areal, com as já suas célebres partidas de matraquilhos e, por último, o Areal de Santa Bárbara, que trata ser o motor principal do filme. Seguiu-se, mais tarde, de convidar o Elliot Sheedy, um cineasta norte-americano a residir há largos anos em São Miguel, que compreendeu de sobremaneira o que estava em causa e empreendeu a ligação e montagem da narrativa subjacente.Pode-se confirmar, sem hesitações,  que com ele este poema visual obteve outro ritmo, forma  e contenção. Acrescente-se que, ao longo da montagem desta curta, ficou estabelecida uma cumplicidade com o músico Filipe Furtado, autor da banda sonora, dado ser este um açoriano de gema e conhecedor do objecto/lugar onde o filme foi filmado. O Filipe Furtado soube, com a mestria que lhe é característica, “encher” os espaços vazios de sonoridades melancólicas, ao mesmo tempo que compôs uma “Canção de Amor para o Areal”. 
         Por fim, fica aqui esta “ode à comunidade da Ribeira Seca” e às suas gentes, dado que nunca teria sido possível filmar sem a colaboração daquela comunidade que habita naquela freguesia da Ribeira Grande. Por esse motivo, um especial agradecimento ao senhor Manuel Furtado, proprietário da Cervejaria do Areal, bem como ao Fernando Raposo e a sua família que, ao ceder as fotografias do seu álbum familiar, enriqueceu a perspectiva histórica de tão afamada capital do surf. Em boa verdade, este documentário, para além de dar conta da mudança a ter lugar na costa norte da ilha de São Miguel, pretende também fixar este encontro com os seus habitantes e suas memórias. Saibamos assim ser testemunhas deste momento de transição bem como portadores de um tempo novo que, por certo, chegará. Bom visionamento!

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Música para Recomendar Novembro

-My Follish Heart - Waltz for Debby, 1962 - Bill Evans Trio 
-Farmer in the city - Tilt, 1995 - Scott Walker 
-El lado más Bestia de la Vida - Suppone a Fonollosa,1995- Albert Pla 
-The Weeping Song - The Good Son, 1990 - Nick Cave 
-Famous Blue Raincoat - Songs of Love and Hate, 1970 - Leonard Cohen 
-Satelite of Love - Transformer, 1973 - Lou Reed 
-Songs to the Siren - The Dreams Belong to Me, 1968 -1973- Tim Buckley 
-Time Raindogs, 1985 - Tom Waits 
-Winston Churchil´s Boy - At Least For Now, 2015 - Benjamin Clementine
-The Ribbon - Cavalo, 2013 - Rodrigo Amarante 
-Searching for Mr. Right - Colossal Youth, 1980 - Young Marble Giants 
-Winter - Schock of Daylight & Heads and Hearts, 1996 - The Sound 
-Sping Rain - Liberty Belle and Black Diamond Express, 1986 - The Go Betweens 
-Sketch For Winter - The Return of Duruti Collumn, 1981 - The Duruti Collumn

Agricultura

     "Os pomares dever ser estercados no Crescente e podados no Minguante, devendo protegê-los das geadas. Plantar cerejeiras, pessegueiros, pereiras e macieiras, no Crescente."
in Borda D´Água, Editorial Minerva, 2023. 

domingo, 3 de novembro de 2024

XV Festival Curta Açores

Programa do XV Festival Curta Açores 
Ribeira Grande 
4 a 9 de Novembro de 2024 
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Sobreiro (Quercus suber)







        "É a árvore nacional de Portugal. O sobreiro mais antigo do mundo, plantado em 1783, fica em Águas de Moura. Chama-se Sobreiro Assobiador e em 2018 ganhou o título de "Árvore Europeia do Ano". A partir da casca do sobreiro obtém-se a cortiça, material resistente usado para vários fins, nomeadamente para a produção de rolhas. Mas o mais incrível é a cortiça ter sido usada na construção da Apollo 11, a primeira nave espacial a chegar à lua."
in "As Árvores Não Têm Pernas para Andar" de Joana Gama, ilustrações de Francisco Eduardo e música original de João Godinho














As Coisas Fora do Lugar de José Alberto Oliveira

A ausência medida neste rosto humano,
a boca desampara o segredo de um desejo 
que o olhar nega; noites rasuradas,

aflitas e sem partilha, no pendor torpe
que as coisas desejaram, por fora do lugar
comporem outra ordem que tememos.
 

in "O que Vai Acontecer", Assírio e Alvim, 1997.

XV Festival Curta Açores

De 4 a 9 de Novembro
Teatro Ribeiragrandense 






Ontem, escrito numa parede da cidade

 É mais arenga do que arenque

sábado, 2 de novembro de 2024

Cerejeira (Prunus x Yedoensis)

Ilustração de Francisco Eduardo 
   "É a árvore nacional do Japão. Em japonês, diz-se sakura. Nem todas as cerejeiras dão cerejas, mas todos os anos os japoneses fazem piqueniques nos parques para admirarem as cerejeiras em flor. Essa festa chama-se Hanami. As belas flores de laranjeira, que podem mudar de cor aos longo dos dias, duram muito pouco tempo. São por isso, um símbolo do Mono no Aware, uma certa melancolia associada à consciência de que tudo é efémero.

in "As Árvores Não Têm Pernas para Andar" de Joana Gama, ilustrações de Francisco Eduardo e música original de João Godinho.  

Provérbio

 Depois dos Santos, neve nos campos.
in Borda D´Água , Editorial Minerva, 2023.