quinta-feira, 13 de março de 2025

Do Extractivismo

“Este exercício de deslocar-nos para o lugar do outro, recorda-nos que nós, mamíferos humanos, pesamos “mais na biomassa do que todas as baleias azuis gigantes juntas”. E que a nossa ocupação extractivista, permeada por edificações e objetos de uso único, contribui para a “lenta desaparição da vida. Falar disto também é falar de alterações climáticas.” No núcleo da crise do clima está o declínio da biodiversidade, impulsionado por uma economia fóssil que se auto-sustenta através do consumo contínuo.”

in “No Vocabulário do Clima”, os artistas são tão vitais como os cientistas, in Público, fevereiro, 2025. 

Música Pré-Primaveril

 -Save a Prayer Rio, 1982 - Duran Duran
-Close To Me The Head on the Door, 1985 -The Cure
-Songs to the Siren - It'll End In Tears,1984 - Dead Can Dance
-Lorelei -Treasure, 1984 - Cocteau Twins
-The Passenger - Through The Looking Glass, 1985 - Siouxsie And The Banshees
-The Piano Has Been Drinking (Not Me) - Antology of Tom Waits, 1984 - Tom Waits
Cravos - Como se Matam Primaveras, 2025 - Filipe Furtado
-Heaven Knows I am Miserable Now - Hatful of Hollow, 1984 - The Smiths 
- Corpo Fátuo - O Melhor do Clube Miragens, 2025 - WE SEA
-Livros - Livro, 1997 - Caetano Veloso
-Calços da Maia - Romê das Furnas, 2025 - Romeu Bairos
-Hydroplaning Off the Edge of the World - Dan's Boogie, 2025 - Destroyer
-É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo - Carlos, Erasmo - 1971 Erasmo Carlos
-Guericke's Unicorn - A Study of Losses, 2025 - Beirut

Ciclo de Cinema no Cineteatro Lagoense!

  Com a chancela da Câmara Municipal de Lagoa deu inicio  um ciclo de cinema de filmes nomeados para os Óscares de 2025,  sendo que alguns obtiveram mesmo o respetivo Óscar de Hollywood. As sessões dão-se no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, com entrada gratuita, sala que é propriedade da autarquia, antigo desiderato dum homem culto, Francisco D´Amaral Almeida e, que na abertura do século XX, foi republicano e um verdadeiro apaixonado pelas artes, e que desde sempre partilhou com os seus conterrâneos a experiência das artes cénicas e visuais.
Cineteatro Lagoense 
(Fotografia: Carlos Olyveira)
No passado domingo foi exibido “Flow – À Deriva”, Óscar de Melhor Filme de Animação, realizado por Gints Zibalodis, uma co-produção da Letónia, Bélgica e França, que retrata a sobrevivência animal num mundo sob a forma de distopia sem a presença humana, evocando o seu desaparecimento. É uma animação muito pouco infantil e bastante madura, muito pela reflexão e também pela beleza das imagens. Entretanto, o ciclo de cinema continua já a 15 de março, pelas 21h00, com “Ainda Estou Aqui”, premiado com o Óscar de Melhor Filme Internacional, momento para ver ou rever a belíssima interpretação de Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro, bem como relembrar o papel da ativista e cidadã Eunice Paiva, na luta pela transparência e liberdade democrática no Brasil.
        Nos dois fins de semana seguintes há ainda “A Complete Unknown”, filme realizado por James Mangold, interpretado por Timothée Chalamet,  em que este  encarna a figura do músico norte-americano, Bob Dylan e,  por último, “Conclave”, um filme que conta com os actores Ralph Fiennes e Isabella Rossellini e que revela os contornos, melhor, os meandros e os escândalos, associados dos candidatos a um novo papado.

NAPA: Deslocado

   “A letra da canção explora a sensação de estar longe de casa, nesse caso, da Madeira, tendo em conta que a banda se mudou para o continente, mais propriamente para Lisboa. Como é revelado num post no instagram da banda, a letra foi inspirada em parte num espectáculo de comédia do açoriano Miguel Neves, visto há quase dez anos, em que se falava da sensação de vir de uma ilha para o continente, um sítio onde não se tem “o mar como horizonte quase em qualquer lado”. “Tinha chegado há pouco tempo a Lisboa, se calhar aquilo abriu-me a porta”, menciona. Há ainda outros dois momentos inspiradores: outro na mesma rede social feito por por João Borsch, sobre a “identidade insular”, e uma entrevista à entrevista à artista plástica Lourdes Castro, que só sentiu que era bom ter crescido na Madeira quando saiu de lá."

 in as “Saudades de Casa dos NAPA vão levá-los à Eurovisão”, Rodrigo Nogueira, Público, 10 de Março de 2025.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Do Ensaio

 "Se eu não estudar um dia, eu reparo, se eu não estudar uma semana, toda a gente repara.
                                                                   Nicolò Paganini, 1782-1840

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Ainda Estou Aqui: o Brasil Aqui Tão Perto!

        É a película brasileira mais badalada do momento e continua nas salas de cinema portuguesas. Trata-se da longa-metragem "Ainda Estou Aqui", de Walter Sales. Por cá, aumentou também o seu número de sessões diárias e, aguarda-se, portanto, a entrega dos óscares, este ano a 2 de Março, para saber se o filme continuará ou não em exibição. Comece-se, pois, por dizer que o filme "Ainda Estou Aqui" é surpreendente, sobretudo por que todos sabermos que se trata de uma história com um pano de fundo verdadeiro e apoiada em personagens reais. Resumidamente, a narrativa fílmica aborda a família numerosa Rubens Paiva, quando estes viviam no Rio de Janeiro junto da praia e aparentavam aos olhos de todos uma vida entusiasmante e feliz. Subitamente, a ditadura militar brasileira interrompe essa felicidade ao levar consigo o pai de família e deixar os restantes familiares num sofrimento atroz e a incógnita do seu paradeiro. Que papelaço enquanto Eunice, Fernanda Torres!
      "Ainda Estou Aqui" é, portanto, um filme de afectos, o retrato de união de uma família sólida, a leveza e a frescura dos sentimentos das pessoas, os seus laços, os seus momentos  e idiossincrasias, ainda as suas virtudes, as suas falhas e silêncios. Subterraneamente e, a partir de um dado momento, percebemos que estamos perante algo que devemos sempre lembrar: a ditadura. Esta que é implantada para impor uma única voz e pensamento e  assim, vai disseminando a censura, a tortura, a ignomínia, a privação de liberdade, a insidiosa condenação dos corpos e dos movimentos. É urgente defender a liberdade e, essencialmente, a vida em liberdade, que, tal como este líbelo cinematográfico, é a nobre missão de uma qualquer obra de arte!

sábado, 1 de fevereiro de 2025

So Long Marianne...

Fotografia de Jacques Haillot 
(Getty Images e retirada do Jornal Público)
Marianne Faithfull 
(1949-2025)

      Recentemente foram muitas as vezes que tocou por aqui o Gipsy Faerie Queen. Tocou e voltou a tocar.  E que bonito foi vê-la em tão avançada idade ao lado de Nick Cave e Warren Ellis. Lembrar também as tardes da adolescência a ouvir as suas canções que pareciam ser sempre tão sofridas e magoadas. Marianne Faithfull partiu e deixou-nos a sua música...só lhe podemos agradecer a persistência e  longevidade.

O Século Primeiro Depois de Béatrice

 

domingo, 26 de janeiro de 2025

Laudalino: o fotógrafo que ainda está lá!

       
Rubén Monfort
Até 2 de Fevereiro
Centro de Ares Contemporâneas


 "Laudalino da Ponte Pacheco, o fotógrafo que ainda está lá" é uma instalação visual e sonora, que apresenta um primeiro resultado das duas semanas que estive em residência artística durante o mês de outubro na Maia, Ilha de São Miguel.         Esta instalação, é o fruto de uma chamada aberta do projeto expositivo "Laudalino da Ponte Pacheco, o fotógrafo que estava lá" com curadoria de Blanca Martín Calero e Maria Emanuel Albergaria, na qual se fez um convite para desenvolver uma proposta artística a partir do trabalho do fotógrafo Laudalino da Ponte Pacheco (1921-1998)."

domingo, 19 de janeiro de 2025

Queria de ti um país de bondade e de bruma



Queria de ti o mar de uma rosa de espuma.                         
  Mário Cesariny




Flanzine 
Poema Manifesto 
Obra Colectiva, 2018