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| Fotografia: Tiago Rodrigues |
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Miss Julie de Liv Ullmann
| Desenho de Liv Ullmann (Daniel Seabra Lopes) |
Demos conta desse rosto e actriz
de Ingmar Bergman num domingo de manhã numa sessão do cineclube. Há muito tempo,
portanto, para nossa grande surpresa! A sensação inédita de estar perante
aquele rosto tal como a presença no écran de uma mulher e actriz demasiado
bonita e interessante. Pode-se dizer, que a actriz é intelectualmente apaixonante. Deleitava
ouvir o seu timbre suave e melancólico, as inflexões da voz, o sussurrar de uma
língua estranha e desconhecida, os gestos discretos, e aquele olhar de uma inatingível ternura,
não descurando ainda os cabelos doirados de uma luz ténue, que podemos imaginar ser do
norte europeu em período outonal. Liv Ullmann escreveu um livro denominado
"Mutações" que não se consegue encontrar nas livrarias portuguesas, mas sim em estantes perdidas de gente interessante. Depois veio a carreira cinematográfica., com o seu primeiro filme intitulou-se "Infidelidade” e, alegria das alegrias,
o seu mais recente filme “Miss Julie”, a partir de um texto de Strindberg, que chegará em Novembro às salas portuguesas. Congratulemo-nos em norueguês: Tusen Takk!
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Da tristeza
"(...)A culpa de ter nascido com a Primavera virada para a tristeza - é minha."
Leonardo Sousa
18
Como se de azul, deliberadamente,
partilharia contigo a boca, a voz,
as emoções e a vida.
domingo, 28 de setembro de 2014
Requiem
"E allora vieni avanti, disse la
voce di Tadeus, ormai la casa la conosci. Chiusi la porta alle mie spalle e
avanzai per il corridoio. Il corridoio era al buio, e inciampai in un mucchio
di cose che caddero per terra. Mi fermai a raccogliere quel che avevo sparso
sul pavimento: libri, un giocattolo di legno di quelli che si comprano nelle
fiere, un gallo di Barcelos, la statuetta di un santo, un frate delle Caldas
con un sesso enorme che faceva capolino fuori dalla tonaca. Inciampare è la tua
specialitá, sentii che diceva la voce di Tadeus dall´altra stanza. E la tua
collezionnare spazzatura, replicai io, sei senza un soldo e compri frati col
cazzo di fuori, quand´è che metti la testa a posto, Tadeus ? Sentii una grande
risata, poi Tadeus apparce nel vano della porta, controluce. Vieni avanti
timidino, disse lui, questa è la mia casa di sempre, qui ci hai mangiato, ci
hai dormito, ci hai scopato, stai facendo finta di non riconoscerla? Neanche
per idea, protestai, sono venuto chiarire cosette, sei morto senza dirmi
niente, sonno anni che mi ci sto rodendo, ora è venuto il momento di sapere,
sono libero oggi, sto vivendo una libertá extrema, davvero, mi sono persino
perduto il SuperrEgo, è scaduto come il latte, per davvero, sono libero e
liberato, è per questo che sto qui."
in Requiem, António Tabuchi, Giangiacomo Feltrinelli, Editore Milano.
Vem aí...o Domingo!
"Perchè perchè
La domenica mi lasci sempre sola
Per andare a vedere la partita
Di pallone
Perchè perchè
Una volta non ci porti anche me."
Rita Pavone
Amanhecemos funâmbulos na despedida
Amanhecemos funâmbulos na despedida
em remorso de cada vocábulo nosso conquistado
à etimologia de hélice e o verso saqueado
nos olhos, nas mãos de marinheiros em terra,
petiz pavor pela ínsula voraz revolvido
o estrídulo fascínio pelo pesadelo ao alongar da alba
findou em nós a poesia alinhavada em revestida carga
desse liame de aventura acometido.
desse liame de aventura acometido.
Poema
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny, in "Pena Capital"
sábado, 27 de setembro de 2014
Memória
"Nenhuma coisa permanece tão intensamente na memória, como o desejo de a esquecer."
Georges Montaigne
(1532-1585)
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Discos d´Outono
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Os Garajaus vão para Acra
Os garajaus vão para Acra
alegam a consistência das nuvens
reforçam o princípio imutável das estações
esperam reunir-se no calor dos veleiros
à nova rota investem brancura no voo
desaparecendo na claridade da canícula
confiscando ao desfolhado Outono
o seu fim, precocemente, anunciado.
alegam a consistência das nuvens
reforçam o princípio imutável das estações
esperam reunir-se no calor dos veleiros
à nova rota investem brancura no voo
desaparecendo na claridade da canícula
confiscando ao desfolhado Outono
o seu fim, precocemente, anunciado.
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