terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
...
o destino
deu-me uma frustração
para cada sonho
e em cada uma dessas frustrações
pôs fermento
com um amor não correspondido
ou um desgosto do género
o Benfica perder o campeonato a dois minutos do fim
ou nos pênaltis
ficar sem receber e sem saber quando ia receber
sofrer com a falta de dinheiro
e comer pão com ovos muitos dias seguidos
coisas desse género
o destino pegou nas árvores que tinha plantado
enquanto criança
e fez delas estacas
pediu à sorte para mas espetar
no coração
mas só havia um buraco no lugar do coração
o meu coração engoliu as árvores que em criança
alguém plantou por mim
e cuspiu um caroço pequenino
com a forma de um buraco sem fundo
o destino disse-me que era boa ideia morrer
e eu acreditei muito nele
como quando antes me disse
que era boa ideia ser escritor
ou jogador de futebol
eu acreditava muito no destino
mesmo depois dele ter começado a mentir
era como o melhor amigo
a mãe, a namorada.
Júlio Ávila
para cada sonho
e em cada uma dessas frustrações
pôs fermento
com um amor não correspondido
ou um desgosto do género
o Benfica perder o campeonato a dois minutos do fim
ou nos pênaltis
ficar sem receber e sem saber quando ia receber
sofrer com a falta de dinheiro
e comer pão com ovos muitos dias seguidos
coisas desse género
o destino pegou nas árvores que tinha plantado
enquanto criança
e fez delas estacas
pediu à sorte para mas espetar
no coração
mas só havia um buraco no lugar do coração
o meu coração engoliu as árvores que em criança
alguém plantou por mim
e cuspiu um caroço pequenino
com a forma de um buraco sem fundo
o destino disse-me que era boa ideia morrer
e eu acreditei muito nele
como quando antes me disse
que era boa ideia ser escritor
ou jogador de futebol
eu acreditava muito no destino
mesmo depois dele ter começado a mentir
era como o melhor amigo
a mãe, a namorada.
Júlio Ávila
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
A Melancolia e o Ano Novo
Na caixa dos correios uma agenda
com palavras e frases à solta e à volta das ilhas e dos ilhéus. Obrigado, Diana
e João! Os Açores, sempre. As Charlas Quotidianas do Doutor Mara logo no início de
Janeiro deste ano no palco da Travessa dos Artistas com o João Malaquias e a Judite
Fernandes. Este ano que finda e outro que agora começa. Depois do cinema belo e
tocante do Joaquim Pinto e Nuno Leonel, é só deixar tocar as canções das
cantoras: Sharon Van Etten, Joana Newson, Márcia e Angela Olsen. Os Beirut vistos em Coura. As noites de poesia com o Malaquias, o Leonardo e tanta gente. Dois poemas
publicados na colectânea do Silêncio da Gaveta. Saudades do Maçariku que partiu
no início do verão, a leitura de todos os livros de Paulo Varela Gomes, ainda as crónicas da
Alexandra Lucas Coelho e os livros de fotografia do Duarte Belo. As ilustrações do Luís Brum e do Pedro Valim. A poesia da
Renata Correia Botelho, Urbano Bettencourt, João Paulo Esteves da Silva, Ana Paula Inácio, Herberto
Helder, Heitor Aghà Silva, Rui Duarte Rodrigues e Marta Chaves. A memória, a humanidade, a natureza
nos filmes de Agnès Varda, Dino Risi, Paulo Abreu, Mario Ruspoli, Miguel Clara Vasconcelos, Alexander Payne e Luís Bicudo. As fotografias do Eduardo Brito e a escultura de Susana Aleixo Lopes. Os pescadores Isauro Rosa e Jáfoneca. A troca epistolar com Janeiro Alves. O Boletim Cultrural Fazendo.As
cidades de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Horta e Lisboa. A Póvoa. Os amigos e amigas que moram no coração. Um futuro
2015 pleno de sábia melancolia.sábado, 27 de dezembro de 2014
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
«Trinta e quatro sonetos e trezentas e cinco redondilhas» de João Paulo Esteves da Silva
“(...) Se chove muito na calçada, acorda
a sensação de que o país está morto
e que o trabalho acaba, e só o desporto
o fingimento, o jogo, inspira a horda.”
“ (...) Chovem optimismos
e as coisas ternas,
voluntariosas,
cheias de genica
enchem-se de orgulho
enquanto não chega
a próxima nuvem
a qual tarde ou cedo
acaba por vir
despertar a sombra.”
E deixa-me o azul, o azul profundo...
Rever Lisboa no dia em que Alexandre O´Neill, se fosse vivo, faria 90 anos:
E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.
Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.
Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?
Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
sábado, 13 de dezembro de 2014
95 FA...
"O verão para estar com os outros e o inverno recolher e desenvolver projectos impossíveis em dias de sol."
Nota:Ler aqui a versão digital do jornal: http://fazendofazendo.blogspot.pt/
Gonçalo Cabaça, in FAZENDO nº95, mês de Dezembro de 2014.
Nota:Ler aqui a versão digital do jornal: http://fazendofazendo.blogspot.pt/
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Curtas no Teatro Faialense
| Cartaz do Amostram´isse |
Quem não viu, pode ver agora.
Quem apenas ouviu falar, pode certamente espreitar ou perguntar como foi. Não se
perde muito tempo, aliás, neste caso só há tempo a ganhar. Os filmes são de
pequena duração e foram realizados em território do arquipélago açoriano.O fim-de-semana
cinematográfico abre com o "Varadouro" e o "Meu Pescador, Meu
Velho". O primeiro foi filmado em poucos dias pelo João da Ponte e o Paulo
Abreu, veio de exibições em Londres e Paris, e, o segundo, feito pela madrilena
Amaya Sumpsi, recebeu o prémio Camacho Costa no Cine Eco 2013, e demorou sete
anos. Ambos possuem uma alma enorme e ainda um gosto apurado pela pulcritude
dos espaços insulares. São filmes de gente apaixonada por imagens, sons,
situações, pessoas. E, essencialmente, pelo mar, fascinados pelos lugares de
veraneio ou pelo trabalho piscatório em Ilhas dos Açores. O cinema é, portanto,
uma coisa cara de materializar, processo e técnica que leva tempo a executar,
mas é, certamente, uma ideia em que vale a pena investir. Esta pequena
cinematografia açoriana irá continuar a fazer o seu caminho, mas para que isso
aconteça precisa muito de ser vista, divulgada, esclarecida. E, claro, que hoje
é um dia favorável para iniciar a contenda, já que mais logo,à noitinha, se abrem
as portas do teatro Faialense.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Poema
Alguma coisa
onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte in Uma Faca nos Dentes
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa
onde a tua mão
escrevesse
cartas para chovere eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa
onde tu ao norte
beijasses
nos olhos os naviose eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios
alguma coisa
onde tu corresses
numa rua com
portas para o mare eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte in Uma Faca nos Dentes
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Convocação da Tristeza
Daqui a
pouco convocarei a tristeza
junto de uma estante fria na noite
assomarei muito fumo, alguns versos e
o funny valentine
sem qualquer trincheira afastarei
o temor com a palma da mão
cuidarei das unhas dos pés da lembrança em brasa,
célula e choro,
pétala caída no esplendor do verão,
desolação em mim.
junto de uma estante fria na noite
assomarei muito fumo, alguns versos e
o funny valentine
Talvez a dor
ainda seja possível
esbanjarei todo o tempo da estaçãosem qualquer trincheira afastarei
o temor com a palma da mão
cuidarei das unhas dos pés da lembrança em brasa,
célula e choro,
pétala caída no esplendor do verão,
desolação em mim.
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