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| "À Superfície" de Rui Xavier |
sábado, 31 de outubro de 2015
"Superfície" de Rui Xavier
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
"4´33"
Evocação de John Cage a partir de Nils Frahm
Aguentas em silêncio?
As tuas mãos
entre uma nota e a outra
espera mais um pouco
nem uma vulgar medida
ou gesto eloquente ainda
ou gesto eloquente ainda
o teu piano em diante
vibra a melodia irregular
Escuta
vibra a melodia irregular
Escuta
a virtude e a ascese
nos teus dedos foragidos.
Uma Ida ao Louvre…Michaelense!
A Louvre Michalense é já uma lojas representativas do revitalizado centro de Ponta
Delgada, na Ilha de São Miguel. Com o seu estilo tido como antigo ou clássico não deixando, por isso, de
ser visitada com um misto de novidade e curiosidade, perante um passado que é
agora motivo de delicados e saborosos encantamentos. Este renovado espaço
centenário, que já foi chapelaria e loja de tecidos, ocupou o lugar da primeira exposição
do pintor Domingos Rebelo no século passado. Agora é também local de encontro
para pequenos-almoços, lanches e compra de presentes e iguarias de natureza
insular. Há também algo que chama a atenção em cima das mesas: os cadernos
Albo. O nome vem com uma fita escrito como se de um presente se tratasse: Albo
Açores. Está associado ao nascimento do dia, ao começar da vida, inspiração,
certamente, pois são pequenos cadernos cozidos à mão e com a vantagem de serem
todos eles reciclados. Apresentam-se aos nossos olhos com desenhos de pássaros
(tentilhões, estorninhos, garças, etc.). Homenageiam com o seu traço as aves
que frequentam o ar e os céus açorianos bem como os peixes, essencialmente,
chicharros, que se avistam nos mares profundo do Atlântico. Há também cracas desenhadas
para lembrar sabores e mergulhos salinos até ao fundo do mar. Estes cadernos
podem ser avistados, tacteados e levados para casa. Um regalo para os olhos.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Black Gold
Who Knows Where the Time Goes é cantado neste Black Gold pela Nina Simone. Que voz, que fio de luz aqui vai, parece vir de um túnel que pretendemos nosso...com a saída um pouco mais à frente. É uma canção ao vento, cantada com toda a urgência, talvez com uma dolência maior do que o original de Sandy Denny. E lembro essa indefinição permanente daquilo que é o tempo, esse poder desavindo dos relógios, os desencontros e encontros que o tempo, a passagem deste provoca, o fresco cintilar e pulsar das estações a cada momento que passa. Até que o tempo nos encontre. Ou não.
Forte combustível é o Fogo
Do natural calor, invariável pressão
o gás
a confluência e os elementos
há-de resultar energia
fonte de vida.
Forte combustível é o fogo
A liga metálica conjuga
ferro e carbono,
inevitável fusão,
o aço.
Ativos agentes da resistência,
por subterrânea matéria armazenada,
em forma de bolhas, espasmos,
lava vulcânica acumulada
decorrentes da combustão
e...queimam!
terça-feira, 27 de outubro de 2015
I Never Saw a Philco Fridge
Tu podias viajar comigo na noite
ver como se propaga o ar
não se pode negar a indiferença
enfiaram-te o amor na cabeça
os filmes, os livros e os poemas
que leste
agora vai-te embora com as grafonolas
desampara a loja dos fantasmas da
infância
e não voltes desconfiado
o gelo não se parte,
solidifica ainda mais
solidifica ainda mais
conserva-se para a eternidade
um coração despedaçado não sobrevive
um coração despedaçado não sobrevive
fica desarmado com tanta frieza
Hás-de saber guardar para ti o medo
e o cuidado
a leveza com que desapareces da
fotografia
não sei muito bem onde aprendeste esse
orgulho
esse pequeno ritual do
desprendimento
vale o que vale a saúde e desatinas
uma casa em ruínas e o desapego
uma casa em ruínas e o desapego
quando sofres devagar e logo
adormeces
Repetes o frente a frente
sem nada conseguir expressar
madrugada adentro
até deitar tudo a perder antes da alba nascer
Âmbula chega às Livrarias
O Leonardo, que
também já foi Leonardo Sousa, apresentará amanhã na Livraria Solmar, Ponta Delgada, pelas 18h30,
o seu segundo livro de poemas intitulado Âmbula. Este livro, com fotografia de
capa de Fernando Resendes, tem a chancela da Companhia das Ilhas e surge depois
de “Há-de Flutuar uma Cidade no Crepúsculo da Vida”, editado pelas Letras
Lavadas, em 2013. Pelo que já foi possível avistar em momentos de leitura
improvisada, não é uma súmula de poemas fácil de digerir, tão pouco se gasta numa só
leitura, pois à semelhança do que escreve o poeta: (…)“enfim / é isto que escrevo sussurradamente / sentado em sítios que não me
pertencem/sabendo / que se não me levantar destas estações sensíveis / toda a
minha vida irrefutável e inútil vida será/ ver os outros partir.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Um ARQUIPÉLAGO na Ribeira Grande
O
Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas inaugurou no passado dia 16 de
Outubro uma exposição intitulada “Um Horizonte de Proximidades”, permanecendo
aberta ao público até ao dia 28 de Fevereiro. No seu interior e nos diversos espaços
expositivos do Centro é possível efectuar o percurso de trinta oito artistas
bem como apreciar as suas respectivas obras pertencentes
à colecção António Cachola. Para além da diversidade e riqueza de perspectivas
artísticas aqui expostas, é possível percorrer um edifício de rara beleza, com
a imponência de uma estrutura sóbria e os seus diferentes dispositivos bem codificados, abertos assim para receber diferentes tipos e modalidades
da arte contemporânea. Estamos, pois, na presença de um espaço pluridisciplinar,
com múltiplas valências, um serviço educativo em funcionamento, espaço de livraria e biblioteca, e espaços propensos à ocorrência de residências
artísticas. Curiosa também é a proximidade do edifício com o mar e a sua interacção com a luz. sábado, 24 de outubro de 2015
Da Curiosidade
"Inventamos
histórias para dar forma às nossas perguntas; lemos ou ouvimos histórias para
perceber o que queremos saber. Nos dois lados da folha, somos levados pelo
mesmo impulso questionador, pelas perguntas de quem fez o quê, e porquê, e como, para que possamos, por nossa voz, perguntar a nós próprios o
que é que fazemos, e como e porquê, o que aconteceu quando se faz ou não faz
alguma coisa. Neste sentido, todas as histórias são espelhos do que julgamos
ainda não saber. Se for boa, uma história suscita no seu público tanto o desejo
de saber o que acontece a seguir como o desejo contraditório de que a história
nunca acabe: este duplo vínculo justifica o impulso de contar histórias e
mantém a curiosidade viva."
in Uma História da Curiosidade, Alberto Manguel, edições Tinta da China, 2015.
Postal de Inverno para Miriam Manaia
Querida Miriam Manaia,
Amanhã retoma o horário de Inverno e eu sinto por mim adentro uma rara e obtusa melancolia, aquela coisa acintosa que me faz cair vertiginosamente no silêncio, afastando-me assim da
voragem dos dias e do tempo, impondo deste modo um recolhimento interior que só
terá ecos de si no relançar das folhas e das flores lá para os finais de Março
com o advento da Primavera e da claridade dos dias. O meu ser quedará sombrio e triste, eu
sei, nada a fazer.
Curiosamente, amiga Miriam,
encontro-me na sua cidade, habitando bem perto do solar dos Manaias, por isso
não tardarei a bater-lhe à porta numa destas tardes da invernia onde farei tensões
de me juntar a si enquanto pinta ou
escreve. Ou quem sabe ler os diários do Outono que tenho escrito por aqui.
Deste seu amigo, a frequentar novamente lugares
de pendor natural e bucólico.
Atenciosamente seu,
Doutor Mara
Da Injustiça
As nossas
organizações sociais, no entanto, ainda existem rótulos, requerem catálogos e
estes tornam-se inevitavelmente, hierarquias e sistemas de classe em que alguns
assumem o poder e outros ficam excluídos. Toda a biblioteca tem a sua sombra:
as infindáveis estantes de livros que ninguém escolheu, que ninguém leu, livros
rejeitados, esquecidos, proibidos. E, no entanto, a exclusão de qualquer
assunto da literatura, quer por arbítrio do leitor quer do escritor, é uma
forma de censura inadmissível que degrada a humanidade de todos. Os grupos
ostracizados pelo preconceito podem ser, e geralmente são, postos de parte, mas
não para sempre. A injustiça, como já devíamos ter aprendido, tem um efeito
curioso nas vozes das pessoas. Empresta-lhes potência e clareza, recursos e
originalidade, que são todas elas boas coisas para se ter, se o que se pretende
dor a criação de uma literatura.
in "No Bosque do Espelho", Alberto Manguel, Tinta da China, 2013.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
A Biblioteca Pública e Arquivo de PDL


A recuperação do antigo Colégio Jesuíta
para Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada (projecto desde 1989, e obra
desenvolvida longamente entre 1992 e 2001), é de Carlos Duarte (1926 -). Embora
obtendo uma imagem com pouca visibilidade desde o exterior urbano, o programa
conseguiu incluir uma vasta série de novos espaços e a recuperação de outros,
entre os volumes, as galerias e os pátios existentes.
Este edifício articula-se com o da
igreja, cuja fachada religiosa de expressão
barroca, é a mais impressiva e original da cidade, dentro do gosto
afirmativo e monumentalizante da Ordem. A nave e espaços internos anexos foram
recuperados recentemente para instalação do Museu de Arte Sacra (projecto de
José Cid e Isabel Cid (concluído cerca de 2005).
in Arquitectura Contemporânea dos Açores, de José Manuel Fernandes e Ana Janeiro.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Ainda estranhamente te espero
Ainda estranhamente te espero
depois do clima, da chuva e do verbo
a ilha, porventura, aguarda o momento
sei que amanhã é já outro dia
virás vestida de azul em demasia
Desse anunciado reencontro
divertida volta na passada
nada de ajuda ou alimento
difícil acreditar no milagre
provável regresso à origem
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